5 músicas da trilha sonora de Pantera Negra que você não pode deixar de ouvir

O Minuto Indie lançou o grande desafio de listar apenas 5 músicas da trilha sonora oficial do filme Pantera Negra, “Black Panther”, que deu origem ao álbum homônimo produzido e curado por Kendrick Lamar. A missão foi difícil, mas convidamos Rafael Mafra, da V!$H Midia, para ajudar a selecionar as preciosidades da trilha. Confira!

1.”Black Panther”

A faixa inicial do álbum consegue explorar e ressignificar a função de um rei e ainda se conectar muito bem com o conceito do filme. De cara, traz o peso enorme que um álbum feito apenas por cantores negros para um filme majoritariamente estrelado por atores, produtores e editores negros deve ter. É uma boa música para começar os trabalhos e adiantar os sucessos que vem a seguir.

2. “All The Stars”

Já na segunda música somos agraciados com o dueto de Kendrick Lamar e SZA. A faixa pode ser considerada a mais animada do álbum, pois traz leveza e graciosidade com uma pegada cósmica e sonhadora.

A letra inspira a buscar força no espaço, levando a música para o tema cosmológico que alegra a cada vez que se repete. “All The Stars” foi o primeiro single e contou com a produção grandiosa de Al Shux, o que colaborou para um resultado lindo de ouvir. O efeito da música é o da vontade de levantar, dançar, buscar boas energias em si mesmo e saudar a vida.

3. “Opps”, por Rafael Mafra

Poucos rappers conseguem encaixar tão bem num bpm tão alto. Kendrick Lamar e Vince Staples provam nesse som que fazem parte dessa minoria. A produção dita muito bem o tom do que viria a ser falado, e de como essa música provavelmente seria usada no filme. Essa faixa é uma cena de ação. Embora não seja cruamente um storytelling, a linguagem não só denuncia o racismo micro e macro na sociedade, desde o preconceito até a morte, mas também ambienta o ouvinte na mesma atmosfera. Em trechos como

“20 of ‘em, 20 on call

Got 20 in my hand, got 20 on judge

Gave 20 to my dog, got 20 on girls”

Kendrick Lamar mostra que seu verso é um tabu, é proibido, uma vez que a frase “What’s your 20?” é um código para identificar a localização de alguém sem que a polícia entenda. É uma tática de imersão que faz com que o leitor se sinta conversando com alguém na clandestinidade.

Já em

“They don’t wanna see me gettin’ to the check

They just wanna see me swimmin’ in the debt

Don’t drown on ground, wait until you hear

9-1-1, freeze (zoom, zoom) dead”,

podemos resumir bem o verso do Vince Staples. O rapper casa o conteúdo com a sensação de estar numa cena de ação, utilizando elementos vívidos, como onomatopeias e personagens narrativos – o que fez a denúncia (9-1-1), a polícia (freeze) e a sirene do carro (zoom-zoom; que também é uma homenagem à música “Institutionalized” do álbum “To Pimp A Butterfly” (2015), do Kendrick.

O verso de Yugen Blakrok, por sua vez, dá o enfoque mais direto ao filme, pois trata da relação à tecnologia em Wakanda, reino de T’Challa, personagem principal de Pantera Negra.

4. “King’s Dead”

A faixa é, sem dúvida, o hit do álbum em termos de lançamento e produção. O som traz uma pegada agitada com um beat mais jogado pro trap com hi-hats rápidos e surpreendentes. Escrita por Jay Rock, conta ainda com a colaboração de Lamar, James Blake e Future. Rafael Mafra, da V!SH Midia, conta que muitos estranharam o verso de Future, mas a voz rouca do rapper é uma homenagem a “Slob On My Knob”, do Juicy J. Tal abordagem não surpreende, uma vez que um dos produtores de Black Panther: The Album é o Teddy Wwalton, antigo membro do Triple Six Mafia, grupo do qual Juicy J fazia parte.

O outro produtor é o Mike WiLL Made-it, que sempre carrega consigo a facilidade de fazer músicas comerciais. O trabalho foi feito para estourar, mas em termos de conteúdo e estrutura não apresenta nada muito inovador pro hip hop, segundo Mafra. De qualquer forma, o verso de Kendrick não dos deixa na mão e o single conseguiu se lançar e agregar bastante ao filme, conquistando o público e colaborando para a coesão do álbum.

5.  “Pray For Me”

 “I’m always ready for a war again”.
Assim começa a faixa que encerra o álbum responsável pela trilha sonora do filme Pantera Negra, “Black Panther”. O verso cantado por The Weeknd introduz a referência aos eventos da Guerra Civil retratada no filme “Capitão América: Guerra Civil” (2016). Nesse filme também vemos T’Challa, personagem principal de Black Panther interpretado por Chadwick Boseman, que luta como Pantera Negra na guerra.
Mas não é apenas pela referência bem feita ao filme que a faixa se destaca. Colaboração de Kendrick Lamar – produtor e curador do álbum – com The Weeknd, que já trabalhou em outras faixas para o cinema, a música traz uma perfeita combinação das vozes e versos dos dois rappers, que já haviam mostrado talento juntos em “Sidewalks”, no álbum “Starboy” (2016), de The Weeknd.
Embalada pela espiritualidade e saudando a  independência heroica destacada pelo filme, a música exalta uma característica comum também a Lamar e The Weeknd: o hábito de olhar para si mesmo como um herói e viver de acordo com sua própria lei. Assim, os caras retratam um elemento do cotidiano de comunidades negras, que muitas vezes precisam buscar os heróis em si mesmos para lutar contra a opressão e o preconceito.

Deixe uma resposta