Sétimo disco da banda britânica é sucinto, divertido e alegre sem seguir fórmulas do mundo indie.

Um dos indícios de que a juventude estava escapando entre os meus dedos, além de ter alcançado a casa dos 30 anos, foi que, com o passar dos anos eu conhecia cada vez menos bandas que faziam parte do line up do Lollapalooza Brasil. Muito devido ao rap ter se tornado mais presente no universo jovem que o festival busca abraçar e que não costuma a entrar no meu radar. Se em 2013 (minha edição favorita das quatro que fui) eu ficava desesperado correndo de um palco a outro para conseguir dar conta de ver todos os shows que queria e até ter que deixar até alguns de lado por conta dos horários encontrados, a de 2022 eu conheço basicamente The Strokes. Visto isso, senti um pouco dos meus cabelos voltando a nascer novamente quando descobri a banda Metronomy e uma fração da minha coluna sendo restaurada quando escutei o seu novo disco Small World (2022). O jovem indie estava de volta. Quer dizer, uma fração dele.

O primeiro disco que descobri da banda foi o The English Riviera (2011) provavelmente em 2021 (acho que desde o início da pandemia está todo mundo meio perdido nas datas). Ele lembra bastante uma remessa de bandas que ganharam destaque na esteira pós Strokes e Arctic Monkeys e que apareciam principalmente em clipes divertidos na MTV e eram apontados como as possíveis salvações do rock em uma estética retrô. Inclusive, a faixa The Look, desse disco, tem justamente essa cara “moderninha”. Algumas dessas bandas indicadas como “boia de salvação do rock”, inclusive, deram as caras nesse Lollapalooza aí que quase morri de correr entre um palco e outro como The Black Keys, The Hives, Kaiser Chiefs e Franz Ferdinand. Metronomy já esteve no Brasil algumas vezes, inclusive no próprio Lollapalooza.

O disco Small World é o sétimo de estúdio da banda britânica que teve início em 1999. É um trabalho curtinho, com apenas nove faixas e que passam rapidamente. Não apenas pela quantidade de músicas, mas por ser um disco “redondinho” e acolhedor. Mistura os elementos do mundo indie pós Is This It (2001), dos Strokes, com batidas eletrônicas sem ficar nada genérico como é arriscado se transformar. Excelente trilha para relaxar de um dia estressante de trabalho ou para transformar a tarefa de lavar aquele monte de louça acumulada menos torturante. Acho que é muito do que a gente precisava (pelo menos eu precisava) num mundo de pandemia, ansiedade, guerras e desgovernos.

Uma das faixas do disco, Things Will Be Fine, ganhou um clipe (que você pode ver acima) que traz muito do que disse aqui. Uma estética parecida com o universo do cineasta Michel Gondry, recheado de objetos retrô, com os membros da banda quebrando a quarta parede e olhando diretamente para nós. A cara de um vídeo que passaria em algum programa da MTV voltado para o público indie, tipo Ya! Dog que, inclusive, foi onde eu assisti pela primeira vez o clipe I Bet You Look Good On The Dancefloor, do Arctic Monkeys e que me fez anos depois sair de Minas Gerais para São Paulo sozinho para ir assistir ao show dos caras no Lollapalooza.

Por fim, Small World abraça e deixa as coisas mais leves, te convida para dançar e bater palmas como um bom disco faz. Ah, e é importante dizer que não estou dizendo aqui que “na minha época as coisas eram melhores”, ou coisa do tipo, mas sim que o disco desperta um certo tipo de nostalgia sem ser repetitivo e baseado em fórmulas do mundo indie. Talvez esteja sendo um pouco cringe falando que descobri uma banda “antiga” recentemente? Talvez sim, mas é sobre isso e está tudo bem (P.S. Sarcasmo).

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