
Mike Portnoy sempre foi a alma do Dream Theater, sendo a parte criativa de trabalhos como Scenes From A Memory (1999), Train of Through (2003) e Octavium (2005). Mike deixou a banda em 2009, por querer experimentar mais fusões, sem ser apenas metal progressivo. Ele acabou sendo substituído por Mike Mangini. Digamos que a fase Mangini não é uma das mais brilhantes da banda, mesmo ele sendo mais técnico do que Portnoy. Em novembro de 2023, Dream Theater anunciou a saída de Mangini e a volta de Portnoy nas baquetas. E esse novo álbum, soa como um Black Clouds & Silver Linings 2, praticamente falando que a fase Mangini não existiu.
A abertura instrumental, “In the Arms of Morpheus”, cria um clima etéreo e envolvente, preparando o ouvinte para a turbulência groovada de “Night Terror”, que aposta em um nu metal progressivo e sinfônico, onde os riffs de Petrucci e a bateria agressiva de Portnoy recriam a sensação de um pesadelo inescapável. “A Broken Man”, por sua vez, traz uma abordagem mais agressiva, melancólica e introspectiva, destacando o vocal de LaBrie, em uma performance emotiva, mas sem grandes surpresas na estrutura.
Já “Dead Asleep” aposta em longas seções instrumentais, que são pilares do Dream Theater, que flertam com o virtuosismo exagerado, mas ainda mantendo a coesão dentro do conceito do álbum ou de qualquer outra obra da banda. “Midnight Messiah”, assinada por Portnoy, é a faixa mais dinâmica do disco, misturando elementos teatrais com variações rítmicas características do Dream Theater, recheadas de técnicas e grooves.
O interlúdio “Are We Dreaming?” funciona como uma pausa que pode soar como desnecessária, mas logo dá lugar a “Bend the Clock”, uma belíssima balada, que experimenta com mudanças de tempo, mas nem sempre de forma fluida, resultando em uma composição que parece um pouco arrastada.
Fechando o disco, “The Shadow Man Incident” tem seus momentos de brilho, mas sua duração de 19 minutos, que começa cheia de climas, mas são arrastados, acaba diluindo o impacto. A faixa se perde em passagens instrumentais que, embora tecnicamente impecáveis, não trazem muitas novidades dentro da discografia da banda. Apesar de um conceito intrigante, o encerramento não consegue sustentar o fôlego do início do álbum.
Parasomnia apresenta um conceito sobre distúrbios de sono, e uma execução técnica afiada, mas peca pelo excesso em algumas partes. Podem comemorar fãs de Dream Theater! Portnoy está de volta e mais afiado do que nunca. Para quem está acostumado com Dream Theater e a o metal progressivo como um todo, pode soar como um álbum classudo, mas que pode se extender em alguns momentos, especialmente no final de Parasomnia.