Noize Record Club amplia atuação na América Latina e estreia clube de assinatura também na Argentina
Primeira edição argentina do clube coloca “Todo lo Sólido se Desvanece en el Aire”, do Camionero, no vinil e abre uma ponte importante entre Brasil e uma das cenas independentes mais efervescentes da LATAM
Quem acompanha o Minuto Indie sabe que a gente volta sempre à mesma questão de como é possível que o Brasil ainda olhe tão pouco para o que está acontecendo musicalmente do outro lado da fronteira. Por isso, ver o Noize Record Club desembarcando na Argentina parece maior do que apenas a expansão de um clube de vinil. É também mais um sinal de que essa circulação entre cenas latino-americanas pode acontecer com muito mais frequência.
Como fã do Noize Record Club há bastante tempo, acompanho como o selo construiu uma curadoria que colocou lado a lado clássicos e artistas contemporâneos da música brasileira, sempre acompanhados por uma revista dedicada a ampliar a história de cada álbum. Ao longo dessa trajetória que caminha junto ao crescimento do interesse das novas gerações pelo formato, já foram lançados pelo catálogo álbuns de grandes nomes da música como Gal Costa, Tim Maia e Gilberto Gil, mas também Liniker, Marina Sena, O Terno, Boogarins e BaianaSystem.
Agora, essa lógica chega à Argentina em formato bimestral e começa muito bem com o disco “Todo lo Sólido se Desvanece en el Aire”, segundo álbum do Camionero, lançado originalmente em 2023 e que ganha sua primeira prensagem em vinil. A edição vem em um azul translúcido belíssimo acompanhada da primeira revista Noize argentina, com material especial dedicado ao disco. Tudo aquilo que a gente já conhece aqui no Brasil, né?

A escolha do duo Camionero também diz bastante sobre as pontes que a chegada deste projeto em terras portenhas pode construir. Formado por Joan Manuel Pardo e Santiago Luis, o duo faz parte de uma geração de artistas argentinos que vem movimentando o circuito independente fora das fórmulas mais óbvias, sustentando uma trajetória muito ligada ao do it yourself, aos shows e à criação de comunidade em torno da música.
A notícia da chegada do clube agora na Argentina pode ser uma integração entre os dois mercados, quem sabe criando uma infraestrutura de troca, repertório e curiosidade sobre as cenas independentes de cada país. Em um momento em que festivais, selos, artistas e públicos começam a olhar com mais atenção para os vizinhos latino-americanos, ver uma iniciativa brasileira como o NRC criar raízes na Argentina ajuda a diminuir uma distância cultural que nunca fez muito sentido.
E, para quem já gosta de acompanhar o clube, é também uma bela desculpa para começar a prestar atenção em mais discos argentinos, algo que a gente sempre traz por aqui no MI. Se a primeira edição serve de indicativo, quero muito ver para onde essa curadoria vai daqui em diante. Curiosíssima!
Não conhece o duo Camionero? Vem ouvir!