Melhores álbuns internacionais de 2020

Confira a lista de melhores álbuns internacionais de 2020, segundo a equipe MI (YT), com nomes como The Weeknd, Joji e The Strokes

 

Melhores álbuns internacionais de 2020 – “Women in Music Pt. III” – HAIM

Um álbum de 2020 que foi destaque ao trabalhar com fluidez entre gêneros, foi o terceiro álbum das irmãs Haim, “Women in Music Pt. III”. Entre problemas logísticos no lançamento por causa da pandemia, o trio californiano trouxe o melhor álbum da sua breve carreira, fazendo um blend perfeito entre ritmos influentes da música da Califórnia (como o folk e o rock clássico), com tendências da música pop atual. (Como o revival dos anos 80, e o R&B melódico).

“My Agenda”, Dorian Electra

O segundo álbum da cantora e produtora norte-americana Dorian Electra, mantém a artista em um caminho de experimentação com a música pop, focando em sonoridades mais ácidas como o eletro e a PC Music. Mesmo sem abrir mão da pegada “desconstrutiva”, Dorian consegue manter o apelo pop no andamento do álbum, trunfo característico de outros grandes nomes desse tipo de som, como Charli XCX e Sophie. Ainda assim, o título representa muito o espírito do álbum, por trazer a “agenda” sonora e estética da compositora.

“Punisher”, Phoebe Bridgers

Entre o clima mais dark de seu indie folk intimista, e uma linguagem sarcástica,  Phoebe Bridgers consegue se mostrar uma compositora mais completa no seu segundo álbum. Depois de uma estreia celebrada em 2017, a californiana não parou, se envolvendo em projetos como o Better Oblivion Community Center (com Conor Oberst do Bright Eyes), e o Boygenius (trio onde Phoebe se junta a Lucy Dacus e Julien Baker). Em 2020, ela voltou com “Punisher”, um trabalho que consolidou sua relevância no cenário da música alternativa norte-americana, justamente por trazer esse equilíbrio entre uma sonoridade intensa com uma linguagem descontraída.

 

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Melhores álbuns internacionais de 2020 – “Future Nostalgia”, Dua Lipa

O álbum que transformou quartos e salas mundo à fora em pistas de dança, o segundo e bem sucedido álbum de Dua Lipa, “Future Nostalgia”. Como o próprio título diz, o trabalho capta uma dualidade entre referências retrô como a disco music dos anos 80, com a superprodução de um pop futurista. Embalado por letras que trazem o charme e o drama das relações amorosas, a cantora britânica trouxe uma estética completa, digna de a colocar entre as principais popstars da atualidade.

“What Kinda Music”, Tom Misch & Yussef Dayes

Numa junção perfeita entre o virtuosismo e a despretensão, os britânicos Tom Misch e Yussef Dayes colaboram em um dos discos mais coloridos melodicamente de 2020: “What Kinda Music”. O jeito único que a dupla consegue revisitar estilos mais tradicionais como o jazz e a lounge music, dão um ar sofisticado ao trabalho, ao mesmo tempo que há uma acessibilidade pop na adição de elementos de lo-fi e chillwave.

“Amazones Power”, Les Amazones d’Afrique

Um dos álbuns mais ambiciosos e rico em diversidade artística desse ano, o segundo disco do coletivo Les Amazones d’Afrique é um trabalho com um universo próprio. O grupo é um coletivo feminino da África Ocidental, juntando artistas do Mali, Benin, Burkina Faso, e outros países. “Amazones Power” é um álbum que compartilha da mesma diversidade geográfica, tendo sido produzido na Espanha, França, e no Mali. O som captura a estética afro-futurista, virtuosamente elaborada entre ritmos como hip hop, dub, electronica, e griot funk.


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Melhores álbuns internacionais de 2020 – “Alfredo”, Freddie Gibbs & The Alchemist

Outro álbum colaborativo incrível que não poderia estar de fora da nossa lista é o “Alfredo”, que traz o rapper Freddie Gibbs e o produtor The Alchemist. De forma inusitada e surpreendente, o produtor abre mão das elaborações eletrônicas que o consagrou em trabalhos com artistas como Anderson Paak, para apostar na sagacidade dinâmica proposta pelo gangasta rap de Freddie Gibbs. O resultado é um trabalho polido e potente, com flows e beats impecáveis, coroados entre participações ilustres como Tyler, The Creator e Conway The Machine.

“Heaven For A Tortured Mind”, Yves Tumor

Mais um grande trabalho de 2020 que se destaca tanto pela estética como pelo som, “Heaven For A Tortured Mind”, mostra Yves Tumor como um dos artistas mais desenvoltos e sensíveis da atualidade. Em seu quarto trabalho de estúdio, o músico e produtor de Miami passeia com autoridade entre o rock, dream pop, R&B e outros estilos. Conectado a diversidade sonora, o trabalho visual em cima da capa e dos clipes trazem o clima glamuroso dos anos 80, mas sob a visão de um artista que soa cada vez mais futurista a cada passo de sua carreira.

“Untitled (Black is)” / “Untitled (Rise), Sault

Sault é um coletivo britânico de neo soul, que chamou a atenção da crítica esse ano pelo clima misterioso na divulgação de seus trabalhos, junto a criatividade digna de lançar em 2020, dois álbuns que conectam. Assim “(Black Is)” e “(Rise)”, trazem a sofisticação característica da neo soul, junto a um discurso urgente que põe em voga as tensões sociais e raciais discutidas nesse ano.

“Ultra Mono”, IDLES

Chegando ao meio da nossa lista de melhores álbuns internacionais de 2020 e sendo um dos lançamentos mais aguardados do ano, o terceiro álbum do IDLES fez jus ao status que a banda alcançou como a mais influente da cena punk inglesa atual. Mantendo as raízes post hardcore com toda sua viceralidade, em “Ultra Mono” o quinteto de Bristol expande possibilidades sonoras, ao incorpora outras variações próximas, como o art rock, e o rock alternativo. A potência lírica continua sendo marca registrada da banda, que consegue contextualizar seus dramas internos. Apesar da reação controversa de alguns veículos, a banda dá continuidade a sua discografia de forma inovadora e relevante.

Moses Sumney, “græ”

Em 2020 muitas tendências ficaram marcadas na música, e algumas a gente vai abordar aqui no decorrer da lista, mas uma delas, com certeza foi a atenção voltada à trabalhos que trouxeram uma mistura de gêneros, mesclando texturas mais mainstream de pop mesmo, com detalhes mais alternativos. Nessa pegada, quem fez um trampo lindo foi o Moses Sumney, no álbum “græ”. Esse é o segundo álbum do californiano, e é indispensável pra quem gosta de um indie pop mais sofisticado. Na real, indie pop é até meio incerto pra classificar esse trabalho, porque como a gente disse, ele consegue juntar um monte de coisa aqui, desde soul à folk, passando até por música eletrônica. Na elaboração desse som chique, ele contou com a colaboração de artistas como James Blake; o ator Ezra Miller; e o grupo de rock experimental Adult Jazz.

Acompanhando a sonoridade intensa e complexa, as letras trazem Moses refletindo sobre conflitos pessoais, sendo a maioria deles relacionados ao tempo, como o medo de um futuro solitário. Assim, os pensamentos do músico acabam tendo outros significados, já que em 2020 solidão foi algo presente para todo mundo em algum momento. Junto ao álbum, ele também fez algumas apresentações espetaculares, como uma versão remota do tradicional Tiny Desk da NPR; e também uma session para o COLORS Studios.

Charli XCX, “How I’m Feeling Now”

A gente citou no começo a palavra “tendência”, e se tem uma artista hoje no pop que serve tendência, mesmo sem intenção muitas das vezes, esse alguém é Charli XCX. Merecidamente em nossa lista de melhores álbuns internacionais de 2020, a artista, depois de lançar no ano passado o aclamado álbum “Charli” – sendo considerado por muitos como o melhor dela até então, apostou neste ano numa produção mais despretensiosa ao lançar seu novo trabalho “How I’m Feeling Now”. Como o título diz, o álbum tem uma pegada de algo mais momentâneo mesmo, do que ela tá curtindo. O processo de produção do álbum durou seis semanas apenas, onde os fãs puderam acompanhar e compartilhar criações que poderiam entrar no álbum. O som tem muito da pegada que ela estabeleceu nos últimos anos, nessa fusão do eletropop com a PC Music/Hyperpop, e conta com produção do produtor A.G. Cook, que ficou conhecido por moldar o som da PC Music, e que nesse ano também lançou trabalhos. Além dele, há outros produtores presentes no disco, como Dylan Brady, da dupla experimental de música eletrônica 100 gecs. O que fez muita gente se ligar nesse álbum, é que a pegada mais despojada em nada atrapalha a qualidade do álbum, pelo contrário, mostrou até um lado mais intimista em meio ao futurismo da artista britânica.

Run The Jewels, “RTJ4”

Um dos álbuns internacionais de 2020 que mais capturaram o clima de tensão social desse ano foi o quarto álbum da dupla Run The Jewels, e é claro que esse discão não ia ficar de fora dessa lista. “RTJ4” se mostrou o trabalho mais político dos caras, juntando com maestria a veia de produtor do EI-P, com a potência do Killer Mike. É impossível falar desse álbum sem relembrar o que rolou nos EUA quando ele foi lançado. Em 25 de maio George Floyd foi assassinado vítima da violência policial. Esse episódio despertou uma série de protestos pelo país, o que fez com que artistas se posicionassem e pressionassem gravadoras grandes a tomarem ações em apoio às instituições sociais que lutam contra o racismo. Nesse sentido, o Run The Jewels resolveu adiantar o lançamento do álbum, logo para o começo de junho.

O disco se mostrou necessário como um ponto de reflexão para o que estava rolando, ao mesmo tempo que afirmou o porquê deles serem um dos projetos mais hypados do rap desde o começo da última década. Sem papas na língua, os caras vão além na hora de discutir suas revoltas, mostrando que tudo está interligado nas dinâmicas sociais, e que essas tensões que resultam em tragédias, apenas são consequências de uma realidade dominada pelo capital. Para abrilhantar ainda mais a importância do projeto, os caras contaram com participações de peso, como Pharrel Williams; Josh Homme; e Zack De La Rocha (Rage Against The Machine), que no refrão da música “JU$T” dispara: “olhe para os senhores de escravos que estampam o seu dólar”. Ao mesmo tempo que o Run The Jewels é urgente ao retratar o presente, os caras deixam sua marca para o futuro, fazendo do seu quarto trabalho, ainda que recente, um clássico.

Joji, “Nectar”

Entrando agora nos queridinhos do Youtube do Minuto Indie, aqueles artistas que sempre aparecem por aqui. Entre eles, um lançamento que não poderia passar despercebido por nós como os melhores álbuns internacionais de 2020 é o novo álbum do Joji, “Nectar”, segundo álbum do cantor e produtor japonês. Em uma pegada mais pretensiosa que a estreia em “Ballads 1”, em “Nectar” ele propõe uma narrativa na qual ele vai da terra a outro planeta, numa jornada de solidão e auto descobrimento. O clima bizarro dos dias de YouTuber agora são flashes em meio ao clima de imersão reflexiva que o álbum traz, identidade essa muito bem sincronizada, desde as texturas da sonoridade, à parte audiovisual por trás dos videoclipes que costuram essa narrativa. Dessa maneira, ele mostra toda sua versatilidade ao trazer um projeto que de alguma forma o coloca em uma posição de destaque criativa, assim como rolou quando o Twenty One Pilots lançou “Trench”, ou quando o Tyler, The Creator lançou “IGOR”. Os singles lançados no ano passado já apontavam para uma sonoridade mais sofisticada, o que se estende por todo o trabalho, trazendo elementos do neo-soul, indie pop, e trap, para um clima mais épico com arranjos de orquestra com instrumentos de corda. Outro ponto alto de “Nectar” são as participações ilustres, de nomes como Diplo, Omar Apollo, e Yves Tumor. Mais que nunca, neste trabalho ele rompe com o underground e o clima lo-fi, e se estabelece como um dos artistas mais influentes do R&B alternativo atual.

Perfume Genius, “Set My Heart On Fire Immediately”

Nesse ano todo mundo passou por uma fase emotiva intensa, e sem dúvida isso foi retratado ao longo de 2020 por grandes trabalhos lançados. Um que merece todo o destaque, sem dúvidas é o “Set My Heart On Fire Immediately”, quinto álbum do Perfume Genius. O projeto de Michael Adreas já vinha sendo aclamado nos últimos anos por sempre trazer uma carga emocional intensa, e uma sonoridade que reúne o que há de melhor no indie atual. Entre muitas coisas, esse álbum também tem muito do lance de experimentar uma setlist que passeia entre gêneros. Assim, ele consegue dar uma leveza ao clima reflexivo com momentos mais dançantes em faixas como “On The Floor” e “Your Body Changes Everything”, mas mantém o clima intimista que o consagrou em músicas como “Jason”. Outra coisa incrível nesse álbum é como ele consegue capturar outra tendência de 2020, que é o flerte com a música dos anos 80. Só que ele vai além, e não foca na fórmula da disco music que foi exaustivamente usada esse ano. Ao invés disso, ele navega pelo lado mais sombrio e melancólico das produções daquela época, como o post punk. Apesar dele já ser bem estabelecido no cenário, pode ser que você tenha deixado passar esse disco, mas vá atrás e ouça, porque o resultado é lindíssimo.

Fleet Foxes, “Shore”

2020 também foi o ano de voltas inesperadas, do famoso “oi sumido”. Entre esses retornos, um que foi uma surpresa boa foi o lançamento do quarto álbum do Fleet Foxes, “Shore”. Depois de três sem lançamentos, a banda de Robin Pecknold veio com um álbum que é o mais diferente de toda a discografia. Mas também não é pra menos, o processo de idealização e gravação foi bem intenso e cheio de descobertas para Robin. Para gravar ele rodou por várias cidades como Los Angeles, Paris e Nova York, onde ele gravou no lendário Electric Lady Studios, construído por Jimi Hendrix. Durante esse processo, ele também passou por uma experiência nada boa, mas que o inspirou na construção do álbum. O que rolou foi que ele quase morreu, enquanto surfava em Los Angeles.

le falou que, apesar do desespero, o que ele absorveu e quis passar para o álbum, foi a sensação de alívio, de estar vivo, e sentir despertado. Assim, “Shore” mostra um Fleet Foxes distante daquela pegada meio medieval, para um lado do folk mais melódico, cheio de texturas, que lembra o pop dos anos 60, de bandas como The Beach Boys. Para construir essa sonoridade épica e ao mesmo tempo meditativa, Robin Pecknold contou com colaborações que encantam qualquer fã de indie folk; entre elas nomes como Christopher Bear e Daniel Rossen, do Grizzly Bear, Kevin Morby, e o nosso querido Tim Bernardes d’O Terno. Ainda complexo mas mesmo assim curiosamente acessível, “Shore” é um álbum capaz de envolver até que não é muito chegado em indie folk.

Arca, “KiCk i”

Se você gosta de trabalhos que vão além da mistura de ritmos, desafiando o que nosso ouvido pode reconhecer como sons musicais, então é provável que esse álbum também esteja no seu top 10 de 2020. Bom, sem mais mistérios, eu tô falando da Arca, e seu espetacular “KiCk i”. Esse é o quarto álbum da multi-artista venezuelana Alejandra Ghersi, que tem sido reconhecida pela sua jornada de desconstrução do pop. Antes mesmo de PC Music virar moda, ela já colaborava com artistas consagrados como Kanye West e FKA Twigs nessa pegada de experimentar violentamente com a estética sonora em torno de gêneros como a música eletrônica e o eletropop. Na sua própria discografia, ela propôs experimentações mais baseadas na sensação sonora de texturas e beats, do que em padrões de gêneros musicais. Assim, ela já teve momentos mais climáticos, e outros mais caóticos. Em “KiCk i”, ela mais uma vez tenta “chutar” o ouvinte para o desprendimento desses padrões, contando com participações de peso como Bjork, Rosalía, e Sophie. O título vem da palavra “kick” mesmo, “chute”, e o impacto realmente é esse, ao mesmo tempo que causa admiração o jeito que ela pega elementos que já conhecemos da música pop e os distorce para o seu universo. Inclusive, é provável que ela faça colaboração com artistas brasileiras hein. Pois é, quem tava trocando ideia com ela era a Jup do Bairro e a MC Dricka, será quem vem aí?

Bad Bunny, “YHLQMDLG” / ”El Último Tour Del Mundo”

Apesar de ainda não ser tão gigante por aqui, o porto-riquenho Bad Bunny é inegavelmente o artista latino do ano. Arriscaria até mesmo dizer que é o artista do ano e ponto. Bad Bunny, de nome verdadeiro Benito, termina 2020 como o artista mais ouvido mundialmente no Spotify, com mais prêmios nas costas, incluindo Grammy Latino e indicações para o Grammy do ano que vem, e quebrando inúmeros recordes, como os de streaming em um único dia (passando de 100 milhões!) e de primeiro artista a ter um álbum todo em espanhol no número um da Billboard. E tudo isso fazendo música boa demais. Com seus três álbuns lançados este ano, isso mesmo, TRÊS, ele é praticamente o King Gizzard do mainstream latino.

Em YHLQMDLG (yo hago lo que me da la gana), o Bad Bunny faz um tributo à história do reggaeton, que surgiu inclusive em San Juan, trazendo lendas e revelações da cena em músicas que passeiam pelas diversas possibilidades e vertentes do gênero musical, das mais tradicionais às misturas com o trap. Talvez apenas a música Safaera e suas trinta mudanças de ritmo já seja um bom resumo de toda essa história.  Las Que no Iban A Salir não é tanto um álbum de sobras como a gente achava, foi na verdade um álbum que decidiu lançar de última hora depois de mostrar uma música inédita na Live e o pessoal ficar implorando por material novo, fora que seu plano de lançar El Último Tour Del Mundo como um EP surpresa precisou ser adiado devido a pandemia. Mas ele finalmente viu a luz do dia em Novembro, trazendo um Bad Bunny ainda mais experimental com gêneros musicais, chegando até mesmo a flertar com sons que nunca tinha antes, como o synthpop em Maldita Pobreza. Tem música para perreo, para chorar, para sofrer, para dançar, para desafio do TikTok. Se você ainda não deu uma chance para o cara e curte pop, trap, reggaeton ou simplesmente quer ficar por dentro dos sons que estão conquistando o mundo todo, vale a pena mergulhar nestes três  álbuns internacionais que com certeza marcaram 2020.

The Weeknd, “After Hours”

Estamos nos aproximando do fim da nossa lista de melhores álbuns internacionais de 2020 e não, não vamos deixar esse álbum de fora, afinal, ele já foi muito injustiçado. Já sacou de que disco eu tô falando? Isso mesmo, do “After Hours” do The Weeknd. Com toda uma estética por trás, Abel Tesfaye entregou o melhor álbum da sua carreira nesse ano, contrariando o mito de que o som comercial e a excelência não podem andar juntos. Distante do R&B Alternativo do começo da carreira, The Weeknd hoje é o maior popstar da atualidade, trazendo no seu som o pop dos anos 80 de um jeito autêntico, misturado com a pegada glamourosa da neo-soul. Aliás, se você quiser sacar porque ele é o maior popstar atualmente, confere o vídeo que a gente fez no nosso canal do YouTube, discutindo esse momento atual dele. Voltando à “After Hours”, a estética visual do trabalho rendeu comparações com o clássico “Thriller” de Michael Jackson, e obviamente, isso não tem nada haver sobre “quem é melhor?”, mas sim com o nível de sincronia conceitual que o Abel conseguiu atingir. Cheio de referências à obras cinematográficas, e com aparições brilhantes de nomes como Kevin Parker e Metro Boomin na produção, “After Hours” não fica refém de hits, sendo um trabalho completo. Pra fechar com chave de ouro, as letras caóticas e melodramáticas conseguem passar não só esse lance de popstar, mas também uma sinceridade que vem de alguém que usufrui o lado bom, e o lado ruim da fama.

The Strokes, “The New Abnormal”

Fechando a nossa lista de melhores álbuns internacionais de 2020 com pura nostalgia, com uma das bandas mais cultuadas do indie rock, que finalmente encontrou uma sincronia criativa depois de uma fase meio estranha. É isso aí galerinha, The Strokes e o seu “The New Abnormal” também estão na nossa lista de melhores álbuns de 2020. O motivo pra isso rolar é bem simples: os caras focaram naquilo que tem de melhor no seu som, ao mesmo tempo não parecem estar no modo piloto automático, o que traz alegria a qualquer fã de indie rock. Algo bastante único desse disco é esse lance que a gente falou, deles estarem afim de achar a essência do som da banda, e reproduzirem isso de uma forma mais experiente e madura. Isso está por todo o álbum, desde a produção, quando eles chamaram o lendário produtor Rick Rubin para equilibrar tudo isso.

Em meio a esse rolê interno da banda de se redescobrir, aconteceu o ano de 2020 que bem, dispensa explicações. De alguma forma, a banda incorporou isso no trabalho, antes mesmo do ano ficar doido. Na virada do ano, eles fizeram um show especial em Nova York, com Mac DeMarco e mais uma galera. Naquela oportunidade, eles apresentaram algumas músicas do álbum, e aproveitaram para dizer que aquele era um momento de mudança pra banda, de que eles sabiam que a última década tinha sido decepcionante, mas que agora tudo ia ser diferente. Realmente, 2020 se mostrou um ano muito diferente, para todo mundo, daí eles decidiram sintetizar esse otimismo misturado com dúvida no título, “O novo anormal”. Pra completar o clima nostálgico, a banda faz várias referências aos anos 80, desde a capa sendo uma obra do Basquiat, até a pegada synthpop em algumas músicas.

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