MARO faz apresentação no Circo Voador marcada por doçura e versatilidade
Cantora portuguesa se apresentou no Rio nessa terça (03) com a turnê SO MUCH HAS CHANGED; próximas apresentações ocorrem em Belo Horizonte (04/11) e São Paulo (07/11)
Apesar de falarmos a mesma língua, é difícil que artistas de Portugal consigam furar a bolha e alcançar o público brasileiro. Nessa noite de terça (03), a portuguesa MARO provou que é exceção, com uma base sólida e bastante apaixonada de fãs que foram assisti-la no Circo Voador, na primeira de uma série de três apresentações no Brasil.

O som de MARO, muito marcado por um timbre soproso inconfundível e por arranjos acústicos, poderia levar à ideia de um show acústico e calmo. No entanto, no palco, ela e a banda desafiam essa expectativa, explorando possibilidades do próprio repertório e construindo uma apresentação fora do óbvio.
Em toda a turnê, ela esteve acompanhada pelos músicos Carbeau (baixo), Manuel Rocha (guitarra), Pedro Altério (guitarra) e Gabriel Altério (bateria), que esbanjam simpatia, sorrisos e sintonia no palco, e que também ficaram responsáveis pelo ato de abertura com seus respectivos projetos solo. Mesmo com eles, seu lado multi-instrumentista também dá as caras em momentos em que ela também assume o baixo e a guitarra, mesmo enquanto mantém controle dos vocais cristalinos.

O show faz parte da turnê do disco SO MUCH HAS CHANGED, lançado em janeiro deste ano, que é carregado de bastante sensibilidade e protagoniza o repertório. Mesmo assim, outros trabalhos ganham espaço no ao vivo, como na sequência das faixas “LIFELINE”, “CHIQUITINHA” E “WE COULD BE”, de sua parceria com o produtor eletrônico NASAYA, que acabam por criar um clima de pistinha de dança. Um outro grande marco da sua carreira também marca presença no repertório: a faixa “saudade, saudade”, de quando foi a finalista de Portugal na competição Eurovision Song Contest, em 2022.
Mas, claro, a sessão acústica também tem seu espacinho guardado. Sozinha no palco nos moldes de voz e violão, ela apresenta algumas faixas do disco hortelã (2023), como “oxalá”, “há de sarar” e “hortelã”, essa última especialmente atendendo ao pedido de um fã carioca. Foi nesse disco que MARO demonstrou seu melhor lado como compositora de língua portuguesa e, claro, o momento que arrancou mais lágrimas tímidas do público.
A apresentação foi marcada por diversas interações e incontáveis declarações de amor pelo Brasil e pelo Rio. Esse carinho foi retribuído pelos fãs com uma surpresa de aniversário, cantando parabéns e levantando plaquinhas para a cantora que fez 32 anos na última sexta-feira (30), e que ficou bastante emocionada. Apesar de sua evidente timidez, ela mostra que sabe bem conduzir uma plateia e faz com que cada um seja parte ativa do show, especialmente nos momentos em que ela se torna regente do coro dos fãs. Depois de quase duas horas diante de um talento hipnotizante que também se mostra um ser humano repleto de doçura, é difícil sair do show sem estar encantado por MARO.
