É sempre tempo de agradecer pelo retorno de Marina Lima aos palcos. Depois de um passeio por todo o Brasil, enfim chegou a hora de sua Rota 69 aterrissar no Circo Voador. Ela, cujo tempo de casa é praticamente a idade do Circo, vem celebrando seus 69 em altíssimo estilo e mostrando que sempre há espaço para a novidade e a inovação. 

O aquecimento da noite ficou na conta de Vera Fischer Era Clubber, banda de abertura que anda em crescimento na cena e conquistando um público significativo. Suas músicas exaltam o estilo de vida jovem e clubber, e isso é bem refletido na performance no palco. A banda é excêntrica e experimental, e baixo, vocais e sintetizadores são tudo que eles precisam. 

Na vez de Marina Lima, sua entrada no palco é triunfal, e a recepção de uma rainha. Há um detalhe que desde o começo não passa batido: Marina faz questão de olhar no fundo de cada um dos olhos presentes na plateia, e entoa gratidão por terem continuado com ela mesmo depois de tantos obstáculos na carreira. Um show que percorre toda a sua estrada se torna, então, a maneira perfeita de celebrar essa união.

 

O show é completo e passeia entre a animação e a emoção. Há momentos de festa tanto no palco quanto na pista, como o cover de LUNCH de Billie Eilish emendado em seu hit Mesmo Que Seja Eu, com diversos fãs no palco. A empolgação do público em ambas as músicas revela um pouco de quem é o público de Marina hoje em dia, e ela não tem medo de se renovar junto a eles. Suas músicas são daquelas que habitam o imaginário popular, seja pra quem viveu seu auge na década de 80, ou pelos jovens que estão conhecendo seus hits via TikTok — Fullgás, que completou 40 anos de lançamento em 2024, já é viral por lá. 

A festa, no entanto, também abre espaço para as lágrimas, marcado principalmente pela homenagem ao seu irmão, poeta e muso Antônio Cícero, falecido no ano passado, e quem assina diversas das composições musicadas por Marina. Tem que ser forte para segurar o choro nesse momento, ou em outros como Não Sei Dançar e Virgem, marcos emocionais do repertório de Marina.

Nesse show, Marina é uma diva pop completa: canta, dança, troca de figurino, toca guitarra, violão e tem uma presença de palco admirável. Mesmo sendo uma estrela, ela se mostra muito humana, fazendo gracinhas com o público e apresentando sua banda com muita intimidade e carinho. Quem a acompanha na Rota 69 são os guitarristas Gustavo Corsi e Giovanni Bizzoto, a dançarina Carol Rangel, a baixista/tecladista Carol Mathias, e o baterista Arthur Kunz, que também foi revelado de surpresinha como produtor do próximo disco. 

Dentre as canções de seus 21 discos, ela sempre se mostrou adepta aos covers, alguns tão famosos em sua voz que parece que nasceram dela, como Nada por Mim (original de Herbert Vianna e Paula Toller) e Me Chama (original de Lobão), além de uma linda e digna homenagem Rita Lee com Nem Luxo, Nem Lixo

Encerrando com Uma Noite e Meia, o show é uma deliciosa visita à sua tão preciosa fábrica de hits. Uma adaptação perfeita de seu repertório aos tempos de hoje, com músicas que não cansam de se mostrar atemporais. Vida longa à Marina e sua carreira brilhante!

Autor

Escrito por

Rafinha Murad

Pesquiso canção popular e brinco de jornalista musical nas horas vagas.