Marilyn Manson

Marilyn Manson e o seu histórico de acusações de abuso sexual

AVISO DE GATILHO: Este post contém informações detalhadas de violência doméstica, incluindo descrições de abusos físicos, mentais e sexuais. Prossiga com cautela.

Tweet viraliza e traz atenção ao caso de Evan Rachel Wood, ex de Marilyn Manson, que depôs sobre violência doméstica em 2019

Uma thread feita pela conta @fleshfondue viralizou em junho deste ano trazendo de volta à tona o depoimento de 2019 da atriz Evan Rachel Wood [Westworld], ex-namorada do cantor Marilyn Manson, no Comitê de Segurança Pública do Senado da Califórnia em apoio ao Ato Phoenix. O estatuto aumentaria a pena na Califórnia por crimes de violência doméstica de 3 para 10 anos em condições específicas. Além do caso de Wood, o fio traz também o vídeo do depoimento de Esmé Bianco [Game Of Thrones], também ex-namorada de Manson, que depôs no mesmo dia que Evan. Vários usuários da rede social começaram a ligar os depoimentos ao cantor.

O depoimento de Evan Rachel Wood

No vídeo, Evan Rachel Wood relata acontecimentos de um relacionamento que começou quando a atriz tinha 18 anos, o qual era publicamente conhecido por ser com Marilyn Manson, ele tendo na época 36 anos. Com isso, usuários do Twitter começaram a ligar o depoimento ao relacionamento dos dois.

No vídeo, Wood descreve o relacionamento tóxico e abusivo, que inclui distanciamento da família e amigos, ameaças e ciúmes extremos. Estes sintomas rapidamente evoluíram para ameaças de morte e monitoramento de celular. A atriz ainda revela que o seu abusador a impediu de comer e dormir sob ameaça de armas mortais, além de gravar os atos. De acordo com a vítima, nas fitas é possível ouvi-lo ameaçar sua família e amigos e a vazar partes das fitas e fotos como forma de chantagem. Além disso, Wood descreve situação em que foi amarrada e torturada com aparelhos de choque vendidos como sex toys. Wood afirma que após o ocorrido a mesma sofreu abusos diariamente, incluindo estupro. Ela foi diagnosticada com Síndrome de Estocolmo  e Estresse Pós-Traumático (PTSD) e continua a se consultar regularmente com o seu terapeuta. A atriz ainda revela que anos depois veio ao seu conhecimento a existência de outras vítimas. Evan Rachel Wood afirma que entregou as evidências do seu caso à Justiça, sendo eles fotos e vídeos, porém estas não foram analisadas devido ao esgotamento de recursos do caso. 

Este depoimento não foi o primeiro de Wood. Em 2018, a atriz depôs no Congresso americano, relatando os terríveis estupros e agressões, muitas vezes quando estava inconsciente, que ela sofria há 10 anos naquele relacionamento. Evan descreve rituais doentios de tortura amarrada pelos pés e pelas mãos para “provar o seu amor”.

 

O depoimento de Esmé Bianco

No mesmo dia, a atriz Esmé Bianco deu o seu depoimento em apoio ao Ato Phoenix, em que descreve seu relacionamento abusivo. Ela afirma que o seu parceiro controlava suas amizades, sua alimentação e para se comunicar com a sua família ela tinha que se esconder no armário. Bianco revela que não podia dormir sem a permissão do abusador e que as violências físicas eram disfarçadas de fetiches durante relações íntimas, as quais não eram consensuais. Ela descreve uma situação em que foi mordida até estar coberta de hematomas e cortada com uma faca durante o sexo. Tal ato violento foi filmado e fotografado e divulgado online no instagram da atriz (imagens fortes, prossiga com cautela). Além disso, Esmé afirma que, em uma das ocasiões de abuso, o agressor se enfureceu e abriu buracos nas paredes com um machado e a perseguiu com uma arma.

Na thread, um dos comentários mostra um print de um comentário de Evan Rachel Wood na postagem de Esmé Bianco, o que corroborou para as teorias de que ambas foram agredidas pelo mesmo homem, no caso Manson, já que Wood o namorava aos 18 anos.

As declarações de Manson

O cantor Marylin Manson já declarou em diversas entrevistas que possuía fantasias violentas com Evan Rachel Wood. Em 2009, Manson disse em entrevista:

“Eu tenho fantasias todos os dias sobre quebrar o crânio dela com uma marreta”.

Ele até descreve um padrão horrível de abuso emocional, durante o Natal de 2008, em que ele descreve como um ponto baixo de seu relacionamento:

“Cada vez que liguei para ela naquele dia – liguei 158 vezes – peguei uma lâmina de barbear e cortei no meu rosto ou nas minhas mãos. ” Ele continuou: “Eu queria mostrar a ela a dor que ela me fez passar. Foi como, ‘Eu quero que você veja fisicamente o que você fez.’ ”

Apoio de artistas

Alguns artistas vieram a público em apoio de Evan Rachel Wood. Por exemplo, a cantora brasileira Violet Orlandi, famosa no YouTube pelos seus covers, retirou o seu apoio ao cantor Marilyn Manson. A artista afirmou que retiraria a monetização dos vídeos de seus covers das músicas de Manson e retiraria as faixas das plataformas de streaming. Além disso, Violet revela que conhece pessoas que trabalharam/conheceram Manson e disseram coisas muito ruins dele.

Acusações passadas

O cantor Brian Warner, conhecido pelo nome artístico Marilyn Manson, já havia sido acusado de assédio sexual em outros momentos de sua carreira. Em 2018, a atriz Charlyne Yi declarou que Manson havia feito comentários sexuais e racistas nos sets do seriado House, ao qual visitou por ser um grande fã da série, e assediou diversas mulheres no local.  Na época, os fãs do cantor criticaram a atriz afirmando que a mesma só queria atenção e que este era um “comportamento normal” de Manson.

No mesmo ano, com o crescimento do movimento #MeeToo, Manson foi acusado de assédio sexual. De acordo com o The Hollywood Reporter, Manson respondeu à queixa prestada na polícia por “crimes sexuais não especificados” que teriam acontecido em 2011. Porém, a promotoria de Los Angeles decidiu não indiciar o músico por “falta de provas”. Além disso, Manson enfrentou acusações de agressão e assalto a mão armada, mas não foi indiciado porque o estatuto de limitações do estado expirou, de acordo com o TMZ.

Na época, Marilyn Manson criticou alguns aspectos do movimento #MeToo, no qual sua ex-noiva Rose McGowan estava ativamente inserida, alegando que “se você tem algo a dizer, fale para a polícia e não para a imprensa”. Além disso, o músico fez outras afirmações como:

“Não quero ver isso transformar Hollywood em algo que afaste os filmes que estão sendo feitos – isso não é desrespeitar as pessoas que fazem as acusações ”, acrescentou. “Eu só acho que não quero desviar a atenção do mundo inteiro do elemento artístico de Hollywood e filmes serem arruinados por isso.”

Anteriormente, em 2001, foi dada queixa na delegacia de Oakland County e Manson foi indiciado por atentado ao pudor (em inglês sexual misconduct), por conta de atitudes no palco durante um show no DTE Energy Theatre em Clarkston, subúrbio de Detroit. Durante a performance, Manson abordou um segurança de 25 anos por trás enquanto se masturbava no palco.

O roqueiro cuspiu no guarda, envolveu a cabeça e o pescoço do homem com as pernas e girou contra ele, disse o promotor David Gorcyca.

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Vale ressaltar que o Minuto Indie repudia qualquer ato de violência e espera que os culpados sejam punidos. Se você ou alguém que você conhece está sofrendo violência doméstica, ligue para 180 e DENUNCIE. A denúncia pode ser feita anonimamente. Não se cale.

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