Luedji Luna brilha na mistura própria entre jazz e pop no Circo Voador
Com o repertório quase todo composto por faixas dos últimos dois lançamentos, o show propõe a combinação de camadas jazzísticas delirantes com o poder da voz e presença de Luedji no palco, firmando seu lugar entre o pop e o jazz.
São quase 10 anos de Luedji Luna na estrada, mas permeia entre a mídia e os fãs uma forte impressão de que foi nessa dupla de discos, Um Mar Pra Cada Um, e Antes Que a Terra Acabe, que ela realmente encontrou seu brilho como artista. Na noite chuvosa de sexta (3), o Circo Voador se encheu para prestigiar Luedji Luna no melhor momento de sua carreira até então.
Nesses anos de carreira, ela conseguiu construir uma fã base bastante fiel, e que não para de crescer a cada lançamento. Se seu público já naturalmente se envolve com o canto coletivo das músicas, os repetidos refrões de canções como Karma, Kyoto e Imã colaboram ainda mais nessa participação, formando um coro emocionante regido por ela.
Como um bom show de jazz, ela conta com uma banda extensa, tendo baixo, guitarra, trompete, saxofone, teclado, backing vocals e percussão. Apesar do destaque de sua presença como vocalista, o show não se torna aquele típico de popstar; pelo contrário, cada músico da sua extensa banda têm oportunidades de brilhar em solos próprios.
Ao que parece, na noite de ontem, Luedji inaugurou um novo bloco de seu show, que mescla suas faixas mais antigas e covers de suas grandes referências de música negra. Tendo a ancestralidade tão presente em todo o seu trabalho artístico, ela canta e homenageia Sade e Jill Scott, duas artistas pelas quais ela nunca escondeu sua admiração, e ainda trouxe um cover dançante do Jeito Sexy de Fat Family.

Os momentos mais marcantes do show foram os de conexão com os fãs, que durante “Farol da Barra” foram convidados ao palco para dançar com ela. Ao abaixar para cantar mais pertinho do público, Luedji notou uma pessoa que recentemente perdeu um amigo querido, Jean, que era muito fã de sua música. A canção favorita do fã era “Asas” e ela o homenageou cantando essa música de seu primeiro disco, acompanhada de um discurso emocionante sobre a morte: “A morte é uma festa, isso aqui é só uma passagem. Sem maniqueísmo, é vida e morte e morte e vida dentro de um grande ciclo misterioso que é a própria vida”.
Mesmo depois de já ter rodado o Brasil, ela reconheceu o aspecto sagrado do palco e alegou sentir o mesmo frio na barriga como se fosse a primeira vez apresentando o show de seus discos mais recentes, até porque estrear no Circo Voador é sempre um momento grandioso na carreira de qualquer artista.
Ela não queria ir embora, não! O primeiro encerramento foi com Apocalipse e, sem nem sair do palco, trouxe um bis de medley de Acalanto com The Sweetest Taboo de Sade. Ela saiu, mas rapidamente voltou para o último bis (agora de verdade), não sem antes agradecer nominalmente a toda sua banda e sua equipe. O show foi coroado com o hit internacional de Sade, Smooth Operator, e seu próprio hit Banho de Folhas, que representa bem a energia de cura presente naquele ambiente, dominado com maestria por Luedji.
