Juvi Chagas divide passado e futuro em dois discos lançados ao mesmo tempo
Em Café Passado e Café Futuro, artista cruza lo-fi, jazz, psicodelia latina e rock alternativo para falar sobre memória, desejo e relações atravessadas pelas redes sociais
Juvi Chagas lançou simultaneamente Café Passado e Café Futuro, dois álbuns que se complementam na mesma ideia: lembrar de tudo aquilo que já aconteceu e imaginar tudo aquilo que ainda pode acontecer. Os discos chegam pela Deck e dão continuidade ao caminho aberto por O Sonho da Lagosta, lançado no início do ano.
Nestes dois trabalhos, Juvi é responsvel pelos beats, sintetizadores, guitarra, baixo, mixagem e masterização. A guitarra segue como eixo central, mas o repertório ganha camadas de jazz, fusion, rock latino, psicodelia e texturas lo-fi, com referências que passam por Fito Páez, Os Mutantes, Mike Stern e Sonic Youth.
Enquanto Café Passado olha para trás com uma atmosfera mais enevoada, inspirada inclusive pela trilha de Twin Peaks, e trabalha a ideia de futuros que um dia pareceram possíveis, Café Futuro parte da vontade de se conectar em um tempo marcado por relações cada vez mais mediadas por telas e distância.
As participações ajudam a ampliar esse contraste. Cyro Sampaio, da Menores Atos, aparece em “comum entre os santos”; Dragão Crioulo participa de “segue o baile”; e Pai Guga entra em “eu sempre estrago tudo no final”, aproximando o disco de referências caribenhas e jamaicanas.
Lançados juntos, Café Passado e Café Futuro mostram Juvi cada vez mais à vontade em borrar fronteiras entre canção, experimentação e linguagem instrumental. Os dois álbuns já estão disponíveis nas plataformas digitais.