
Depois de quase 10 anos de estrada, a Marrakesh decidiu recomeçar e fazer diferente.
No terceiro álbum de estúdio autointitulado Marrakesh, lançado pela Balaclava Records, o som, a estética e as letras da banda curitibana estão de cara nova e mais madura.
Uma antecipação sonora e visual de suas futuras apresentações ao vivo pode ser vista na performance “Live Session Album “Marrakesh” (2025)”, gravada na quinta-feira (24/07) e já disponível no YouTube.
O Minuto Indie teve a oportunidade de conversar com Truno, vocalista e guitarrista da banda, sobre os processos e as expectativas nessa fase de transformação, e no momento em que eles estão prestes a colocar o pé na estrada pelo Sul do Brasil para apresentar o álbum ao vivo para o público pela primeira vez.
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Minuto Indie: Estou feliz por poder bater um papo com um de vocês justamente nessa fase de mudanças, e muito animada por essa nova era. O que eu diria que mais despertou curiosidade no público até agora, que é a mudança do inglês para o português nessa nova era de vocês. O que isso representa e quais foram as grandes diferenças que vocês sentiram, como processo de composição e público?
Truno – Marrakesh: Bom, acho que essa mudança veio de um lugar em que a gente não se sentia tão conectado com a cena e nem com o público de alguma forma, porque a gente fazia música em inglês, tinha certas conexões, tinha um planejamento de desenvolver o som, e, enfim, foi acontecendo. Nunca planejamos isso, mas foi acontecendo, e chegou a um ponto que a gente se sentia meio distante e não estava nem aqui nem ali em relação ao público, em relação à cena, em relação ao que a gente pertencia.
Acho que a gente sempre teve vontade de fazer em português, mas nunca tivemos a certeza que a gente ia fazer, era sempre talvez um dia a gente faça. E chegou no momento que foi isso, a gente teve uma pausa e cada um focou em projetos paralelos e etc, e depois dessas experiências, todo mundo pensou que agora a gente estaria pronto para poder apresentar um conteúdo digno e legal em português, que as pessoas vão gostar. A gente está confortável e acabou fazendo.
Minuto Indie: E assim, sempre fico intrigada com álbuns autointitulados, principalmente quando eles não são os primeiros. No caso de vocês, é o terceiro álbum, né? O que esse terceiro álbum tem para merecer carregar o nome da banda, de forma tão forte?
Truno – Marrakesh: Então, eu acho que no quesito lírico dele tem muitas coisas que, se você parar para ver as letras, é muito sobre um relacionamento em si, parece muito um diálogo entre uma pessoa e outra, como se fosse um casal, muitos dilemas, muitas coisas, mas não é necessariamente só sobre isso. Esses tempos eu estava escutando o álbum sozinho e cheguei nessa conclusão que, no fundo, ele conta um pouco dessa relação toda que tem a história da banda em si, entre membros, etc, e coisas, e depois de passar por várias coisas, tipo pandemia, pausas, incertezas, etc, e a gente chegar no ponto de estar fazendo música em português e querendo voltar com força, assim, com vontade, por isso ele mereceu esse nome.
Acho que eu senti, e os meninos sentiram também, que era o momento que assumimos uma postura um pouco mais concisa em relação ao som que a gente estava propondo para as pessoas, abrir a comunicação de uma forma mais clara, dizendo, a gente é isso, a gente gostaria de transmitir isso para vocês, e vocês podem esperar a partir disso, sabe? Meio que já deixar as pessoas mais cientes, porque antes a gente experimentava e não pensava muito nas coisas, sabe? Hoje eu acho que a gente tem um pouco mais certeza das coisas.
Minuto Indie: Já são quase dez anos desde o primeiro lançamento, é muita coisa. Com isso, como vocês avaliam nesse processo o que fica e o que sai?
Truno – Marrakesh: Eu acho que as experimentações foram um processo de amadurecimento para chegar num lugar de artisticamente falar: a gente é isso, a gente se identifica com isso. A gente acabou indo para vários lados que não chegaram a lugar nenhum, e acabou voltando ao início, que era fazer uma banda de rock. Então o que fica é sinceridade, é o que a gente tá querendo transparecer, a banda, no momento, é isso que vocês estão escutando. O álbum é, tipo, essa referência, e talvez desenvolver isso, mas sem muitas experimentações tão grandes.
Minuto Indie: Agora, falando um pouco do ao vivo, eu queria que vocês comentassem um pouco dessa ideia da live, que eu achei super legal, como é que foi a idealização, como é que surgiu essa ideia, quais os objetivos de vocês com ela?
Truno – Marrakesh: Então, a gente tinha pensado em fazer um clipe, por último, mas como a gente tava reestruturando as coisas, ficamos sem muita condição de atrair algum diretor legal pra poder trabalhar com a gente, e a gente tava meio que num limite de ideias do que fazer. A gente se inspirou muito em apresentações ao vivo, e isso eu acho que traz o público muito pra perto do som também. A ideia foi que, em vez de um clipe, vamos lançar uma live, um ao vivo, e usamos de referência vários outros artistas também, que já fizeram coisas parecidas. A gente quis só colocar essa live pras pessoas entenderem como tava o som ao vivo e mostrar um pouco a pegada.
Minuto Indie: E essa live vai ser um gostinho da turnê, ou vai mudar muita coisa ainda?
Truno – Marrakesh: Eu acho que vai ser bem parecido, a gente vai levar bastante coisa dessa live pra turnê. Obviamente que alguns lugares nos limitam na questão de logística, de levar realmente a estética inteira pro show, mas é algo que a gente quer tentar manter, assim, um pouquinho, sabe? Então dá pra ter um gostinho de que vai ser realmente o show.
Minuto Indie: E agora, esse fim de semana, vocês estão começando a turnê aí no Sul, né? Tem planos ou ambições pra rodar o Brasil? Como que tá isso?
Truno – Marrakesh: No momento, a gente quer muito fazer essa turnê se expandir cada vez mais, a gente tá recebendo cada vez mais mensagens, a gente tá muito feliz com a recepção do disco. E cada vez tem mais pessoas de lugares que a gente não esperava, que estão pedindo shows. Então eu acho que é uma questão de começar agora, a gente vai fazer essa primeira etapa, que foi a convite do pessoal do Adorável Clichê. Na verdade, a gente não tinha planejado uma turnê, mas a gente tinha planejado um show de lançamento e eles falaram, não, vamos fazer mais shows ali no Sul, que eu acho que vai ser interessante. Daí a gente topou, e começou essa história, então meio que começou sem querer. E daí o pessoal de Floripa também ficou meio, sabe, ah, vocês não vêm pra cá, vocês vão passar ali, não sei o quê. Tipo assim, vamos fazer tudo que dá, mas eu acho que a gente vai fazendo aos pouquinhos, talvez até o final do ano a gente consiga preencher bastante dessas datas que faltam ainda do Brasil, sabe? Então, vamos fazer os nossos planos. Mas vamos entender como vai acontecer agora.
Minuto Indie: E essa parceria com o Adorável, como é que é? É por causa da Balaclava? Você tem outros parceiros também de jornada?
Truno – Marrakesh: Aham. Na Balaclava, a gente sempre foi muito próximo do pessoal do Raça, acho que a gente entrou no selo um pouco antes deles, daí eles já eram de outro selo e a gente começou uma amizade lá, e depois eles entraram pra Balaclava. Inclusive, o pessoal do Adorável, eu lembro de trocar ideia com eles na internet antes mesmo deles fazerem parte da Balaclava, assim como o terraplana também. Então, essa relação das bandas vem acontecendo há anos, e hoje eu acho que a gente conseguiu concretizar mais as amizades.
Sempre eu ouvi falar muito bem do pessoal do Adorável, assim, é uma relação nova, de certa forma, a gente começou a ter essa conexão mais agora, após esse álbum, mas eles são receptivos demais, muito queridos, pessoas incríveis, já deu pra perceber que são, fora o disco deles e tudo que eles apresentaram, que tá maravilhoso, eu acho que eles são pessoas maravilhosas também, e tem tudo pra gente fazer uma parceria massa. Pros próximos shows também, esperar que a gente consiga até prolongar essa tour de alguma forma, as duas bandas juntas. Então, eu acho que é por aí, rola uma relação legal, tá rolando uma comunicação muito massa entre as bandas da Balaclava, não só da Balaclava, mas como bandas de outras cenas também, eu acho que tá um momento massa.
Minuto Indie: E quais são as expectativas de levar agora esse novo disco pro palco, assim, pra receber a galera no Sul? O que vocês esperam?
Truno – Marrakesh: Então, pra ser sincero, a gente tinha lançado o Timeskip meio que pós pandemia, que foi o segundo álbum, e tava um período muito estranho pra banda. A gente fez uma experimentação muito louca também, gravou tudo à distância, fez esse lançamento, e a gente sentiu que a recepção foi muito estranha. A gente só dropou o álbum, então ficou com essa sensação de que a gente não teria mais atenção do público, de certa forma. E esse álbum era a mesma coisa, a gente acabou não esperando muita coisa, a gente só falou, vamos tentar fazer o melhor possível do conteúdo, que a gente gosta de fazer, porque a gente preza muito por isso, mas a gente não esperava que ia ter uma resposta. Eu juro que não esperava que ia ter um retorno tão legal quanto tá tendo, então é isso, eu acho que dos shows eu também não sei muito o que esperar, eu espero que seja legal, mas é isso.
Minuto Indie: Beleza! Alguma surpresa que vocês podem revelar pro pessoal do Minuto Indie?
Truno – Marrakesh: Surpresa? Deixa eu pensar, deixa eu pensar… Eu não quero dar muita ideia, até porque a gente nem planejou muita coisa, mas logo sai mais coisas de som também. Esperem ouvir mais músicas. E muito obrigado pelo convite, tá? A gente tá muito honrado, muito feliz de estar tendo esse carinho, tendo essa recepção. Espero que vocês gostem e continuem escutando o disco.
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Ouça Marrakesh, terceiro álbum da Marrakesh:
