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Guitarras tortas e real emo marcam a estreia visceral da DRAMMA

Quarteto de Limeira deixa para trás a fase como Cigana e estreia nova identidade sonora entre emo revival, math rock e exaustão geracional

Às vezes avançar implica abandonar o próprio repertório. É o movimento feito por Caique Redondano, Matheus Pinheiro, Pedro Baptistella e Felipe Santos. Após anos de estrada sob o nome Cigana, o quarteto de Limeira ressurge como DRAMMA. O EP de estreia, Não Era Suave, lançado pela Vintesete Records, troca as texturas mais controladas do passado por um som que parece sempre prestes a escapar do eixo: guitarras dobradas, vocais no limite e uma aproximação com o emo revival e o math rock. As canções orbitam a mesma sensação. Entrar na vida adulta já cansado.

O trabalho abre com “Adiando”, construída sobre riffs irregulares que parecem sempre um passo fora do tempo. A música cresce sem oferecer alívio imediato: o refrão se expande, mas não resolve a tensão, como se a banda esticasse o momento da decisão até ele virar desgaste. Em “Eu Esperei”, o peso aumenta. A distorção se adensa enquanto o vocal soa menos explosivo do que gasto, assumindo o fracasso de quem procurou sentido nos lugares errados. Há também um gesto de autocanibalismo criativo: demos que nasceram eletrônicas ou acústicas foram aceleradas e tensionadas nos ensaios até atingirem essa nova voltagem.

O desvio final vem com “Amor Blasé (Botanical Mix)”, remix assinado por Gorfo de Panda que fragmenta a faixa em beats digitais e texturas próximas do hyperpop. O movimento não suaviza o disco. Apenas desloca sua agressividade para outro plano. Entre guitarras orgânicas e colagens eletrônicas, Não Era Suave registra uma banda menos interessada em acabamento e mais disposta a transformar exaustão em matéria sonora. 

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