★ Lado M

50 melhores álbuns de 2026 (até agora)

Ainda estamos na metade do ano, mas já fomos muito bem servidos de música nova até aqui. Como de costume, a equipe do Minuto Indie selecionou 50 álbuns de destaque lançados de janeiro a junho, de diversos lugares do mundo. A lista, organizada em ordem alfabética, conta com uma variedade de gêneros e estilos, mostrando que teve muita novidade interessante rolando por aí. Aproveitem as escutas e descobertas, e nos vemos no fim do ano!

  1. American Football – American Football III 

American Football é daquelas bandas que você já sabe mais ou menos o que vai encontrar, mas mesmo assim acaba sendo fisgado de novo e levado a chorar. No III, eles pegam toda aquela melancolia extremamente dolorosa, cheia de guitarras e com clima de fim de tarde triste, e levam para um lugar mais maduro que a banda ainda não tinha encontrado. Não é mais só aquele sentimento adolescente de coração partido, tem algo mais adulto, mais cansado e até mais bonito nisso tudo. É um disco para quem gosta de se perder em pequenas lembranças, daquelas que parecem simples, mas batem forte quando você menos espera. Tente não chorar. — Alexandre Giglio

  1. Angine de Poitrine – Vol. II

Talvez a novidade mais polêmica que o algoritmo tenha colocado no radar de muita gente, o Angine de Poitrine merece seu destaque e prova que originalidade não falta. Vol. II é uma viagem instrumental caótica do começo ao fim, daquelas que te deixam sem saber exatamente o que esperar da próxima faixa. E, se no estúdio já impressiona, ao vivo a experiência fica ainda mais interessante. A banda acerta ao entender que a estética visual é parte da música, por mais viajada que ela seja, transformando a apresentação em uma experiência tão hipnótica quanto o próprio disco. João Pedro Cabral

  1. antropoceno – No Ritmo da Terra

Antropoceno talvez tenha lançado o disco mais radical da música brasileira com No Ritmo da Terra, proporcionando um encontro entre metal experimental, música afro-indígena, glitch, post-rock e cantos ancestrais em algo que pode ser considerado um verdadeiro ritual de reconexão. Inspirado na filosofia de Ailton Krenak, o álbum traz canções em português, tupi e iorubá e questiona a separação violenta entre humanidade e natureza construída pelo pensamento colonial. Mas o mais impressionante é que, apesar de toda a densidade conceitual, nada aqui soa acadêmico ou distante, é fácil de compreender a mensagem.  Espiritualidade e um senso de urgência muito físico nas percussões, nos ruídos e nas explosões sonoras, fazem deste um dos trabalhos que fazem a música experimental brasileira parecer anos à frente do resto do mundo. — Duda Rocha

  1. Balming Tiger – Gongbu 

Chegou a hora do Balming Tiger se levar mais a sério. O coletivo sul-coreano faz um álbum mais sóbrio do que seus trabalhos anteriores, mas sem abrir mão da irreverência e criatividade que o colocaram no mapa global em primeiro lugar. Parece que eles foram ao show do Massive Attack e saíram mudados. As baterias soturnas e o protagonismo da voz mais grave do vocalista Wonjin dão um tom diferente à Gongbu, mas ainda inegavelmente Balming Tiger. Um disco que sabe funcionar na pista ou no sofá de casa. O equilíbrio perfeito. Maria Luísa Rodrigues

  1. Bia Soull – PORNOGRAFIA AUDITIVA

A voz da poesia erótica contemporânea, Bia Soull faz jus ao título do seu disco de estreia. Em Pornografia Auditiva, o erotismo não está apenas nas letras: ele também se manifesta na produção, na mixagem e na forma como cada batida é construída, levando o funk por um novo caminho de experimentação. As composições evidenciam o domínio da cantora sobre seus versos, enquanto a produção eleva o som a outro patamar, dando ao funk paulista um requinte que, em alguns momentos, lembra FKA twigs, sem abrir mão da própria identidade. — João Pedro Cabral

  1. Boards of Canada – Inferno

Esse foi um dos discos que mais me impressionou esse ano com suas camadas, suas texturas e aonde ele te leva conforme vai ouvindo. Boards of Canada sempre teve esse poder estranho de fazer música eletrônica parecer memória antiga, sonho, fita VHS encontrada no fundo de uma gaveta. Em Inferno, essa sensação volta ainda mais carregada, como se o disco inteiro estivesse sido coberto por uma névoa meio apocalíptica ao meio do fim do mundo, é aquele disco que gosta de incomodar e te deixar desconfortável, mas te prende e te impressiona. Tem sintetizador, clima de fim do mundo e aquela nostalgia distorcida que só eles sabem fazer. É um disco que não tenta soar moderno ou competir com nada, ele meio que cria um universo próprio, te puxa para dentro e, quando você percebe, já está completamente imerso naquele transe. — Alexandre Giglio

  1. CESRV, Febem, Fleezus – Brime!!

Dar sequência a um projeto bem sucedido como o Brime não é simples, mas Febem, Fleezus e CESRV burlaram maldições para fazer um segundo EP a altura do hype que alcançaram. É MPB, música periférica brasileira, como eles mesmo anunciam. Se no primeiro trabalho eles propõem uma conexão direta São Paulo – Londres, este volta o olhar pra cidade berço ao incorporar ainda mais os beats de funk paulista e temáticas daqui. Unir dois dos melhores rappers da cena paulistana e um dos melhores produtores pelo visto é receita garantida para hits e versos chicletes, não só refrões. É daqueles discos que você ouve milhares de vezes sem cansar e quando vê está na plateia de um baile do Brime sabendo cantar todas. Inescapável.  — Maria Luísa Rodrigues

  1. BUHR – Feixe de Fogo 

Em Feixe de Fogo, Buhr prova que reduzir não significa diminuir. Depois de sete anos sem inéditas, a cantora encontra força justamente no espaço, no ruído e no que escolhe não preencher. Com explosões de guitarra, silêncios calculados e letras que transformam pequenas crises em imagens difíceis de esquecer, o disco une vulnerabilidade e tensão sem perder o impulso físico que sempre atravessou sua obra. Ao desmontar e reorganizar elementos de trabalhos anteriores, Buhr faz um dos discos mais precisos e inquietos do ano sem muita pretensão. — Pedro Felicio

  1. By Storm – My Ghosts Go Ghost 

Esse disco do By Storm vem carregado de muita coisa. Tem luto, tem memória, tem a sombra do Injury Reserve, mas também tem uma vontade muito forte de seguir em frente e descobrir outro caminho. Um dos discos mais diferente e nada convencionais que você vai ouvir esse ano. My Ghosts Go Ghost não é um disco fácil, e nem tenta ser. Ele mistura rap experimental, eletrônica quebrada, caos, silêncio e momentos que parecem quase uma trilha sonora de alguém tentando reorganizar os próprios fantasmas e pensamentos. É um álbum estranho, profundo e muito humano, daqueles que você talvez não entenda tudo de primeira, mas sente que tem algo grande acontecendo ali. — Alexandre Giglio

  1. Chalk – Crystalpunk  DUDA

Poucas bandas entenderam tão bem a ansiedade dos tempos atuais quanto o Chalk. Esse trio de Belfast acabou se destacando como um dos nomes mais interessantes do pós-punk eletrônico atual. Me lembra muito a pegada do Nine Inch Nails, principalmente o mood cinematográfico na forma como a música cresce, como se estivesse permanentemente prestes a entrar em colapso. Definitivamente, Chalk é viciante, brutal, caótico e até mesmo… dançante. — Duda Rocha


  1. Cidadão Instigado – Cidadão Instigado  

Um dos discos mais esperados por mim esse ano era do Cidadão Instigado, que é uma banda que nunca precisou soar óbvia. Nesse disco, eles continuam nessa busca por uma música brasileira meio torta, psicodélica, com bastante camadas, rock, canção e até algo meio estranho também. É um trabalho que não parece interessado em agradar de cara, e isso é uma das coisas mais fodas nele. As músicas vão abrindo aos poucos, misturando guitarra, eletrônica, ruído e uma sensação de deslocamento que combina muito com a trajetória da banda. Um dos melhores do ano com certeza. — Alexandre Giglio

  1. Cidade Dormitório – Cinema Bélico? 

Para os que gostam de psicodelia melancólica, eis o disco ideal. Em Cinema Bélico?, o quarteto não economizou nos pedais e nos solos de guitarra pra pensar em delírios de passado/futuro e real/fictício, bem cinematográficos como o próprio título indica. O disco dos queridos sergipanos ainda promove ótimos encontros com outros artistas da cena brasileira, como YMA, Grisa e Carabobina. Apesar de já ter mais de 10 anos de estrada e uma discografia já bastante consolidada, esse disco coloca Cidade Dormitório em uma prateleira ainda mais alta em relação aos sons mais interessantes que acontecem na nossa cena contemporânea. — Rafinha Murad

  1. Courtney Bartnett – Creature of Habit

Courtney é naturalmente uma excelente guitarrista, característica destacada em toda a sua discografia, e uma liricista que consegue extrair beleza das piores crises que uma mente humana consegue enfrentar. É por meio das reflexões pessoais que ela permanece na linha dos últimos álbuns que a consolidaram, confessional na medida ideal, sem soar tola. É uma pena não termos tradução exata para ‘bittersweet’, porque é esse termo que encapsula a atmosfera do álbum: acordes maiores, voz sem firulas e letras para pensar na vida, sempre acompanhados de deliciosos riffzinhos de guitarra. — Rafinha Murad

  1. Criolo, Dino D’Santiago e Amaro Freitas – CRIOLO, AMARO E DINO 

Se “Esperança” já foi um banger em 2024, imagine o que sairia de um disco completo na colaboração de Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago. O resultado é um álbum mais leve, e por vezes pop, que a média dos trabalhos solos dos artistas. É um som que celebra diferentes facetas da música lusófona, sabendo beber das nuances das músicas do Brasil, Cabo Verde e Portugal. Tá no rap de Criolo, na voz de Dino, no piano de Amaro e até na rabeca do mestre Maciel Salú. Soa como um disco que nasce clássico. O lançamento mais importante na aproximação lusófona este ano, além de Yasmin Sensação, “Fanatismo”, claro. – Maria Luísa Rodrigues

  1. DJ Ramon Sucesso – Sexta dos Crias 2.0

Após o sucesso da primeira mixtape, DJ Ramon Sucesso não deixa a bola cair. Sexta dos Crias 2.0 é um trabalho essencialmente imersivo: em pouco mais de trinta minutos, Ramon cria uma atmosfera de baile ao expandir e brincar com a linguagem do funk e abusar das distorções sem deixar de lado seus fundamentos, equilibrando experimentação e o idioma comum do gênero. — Hildegardis Lima

  1. Dry Cleaning – Secret Love 

O Dry Cleaning tem uma das fórmulas mais curiosas como banda porque parece frio, distante e até meio indiferente, mas quando você entra no clima, começa a perceber o quanto aquilo é cheio de tensão e sentimento, principalmente pela voz da vocalista. Secret Love segue nessa linha, com a voz falada de Florence Shaw guiando tudo como se fossem pensamentos soltos no meio de guitarras afiadas e grooves meio tortos que vão te conquistando ao longo da escuta. O disco tem pós-punk, tem estranheza, tem humor seco e tem um tipo de melancolia que aparece sem pedir licença. É aquele álbum que parece simples por fora, mas vai ficando cada vez mais interessante por dentro. — Alexandre Giglio

  1. Ed O’Brien – Blue Morpho 

Blue Morpho é um disco muito bonito, mas que acho que poucas pessoas realmente sacaram como ele é por dentro, porque não soa como alguém tentando provar nada. Ed O’Brien, que muita gente sempre vai associar ao Radiohead, aparece aqui em um lugar mais pessoal, espiritual e contemplativo. O disco mistura psicodelia, folk, ambient e aquelas texturas abertas que parecem crescer sem pressa. Tem uma sensação de cura, de atravessar uma fase escura e encontrar algum tipo de luz do outro lado. É um álbum calmo que vai mexendo aos poucos com você. — Alexandre Giglio

  1. Fabiano Nascimento e Vitor Santos – Vila 

Vila traz algo novo para o violão de Fabiano Nascimento, e a condução de Vitor Santos tem tudo a ver com isso. A orquestra, o samba e o jazz constroem faixas extremamente agradáveis e divertidas de ouvir, perfeitas para uma manhã ou fim de tarde. É um álbum instrumental muito bem-humorado, com uma inocência e leveza raras, no qual os instrumentos de cordas, sopro e percussão ganham todo o destaque. Num cenário cheio de músicas elaboradas e letras milimetricamente arquitetadas, ouvir quarenta minutos que não falam através das palavras funciona como um respiro. Existe uma magia nesse disco. — Pedro Felicio

  1. FBC – TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANAS E OUTRAS BRASILIDADES

Mais uma vez, FBC prova a versatilidade do seu trabalho ao mergulhar em mais um gênero e expandir o próprio repertório artístico.TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANAS E OUTRAS BRASILIDADES não é grandioso apenas no nome: o disco é um soco político, histórico, direto e explícito sobre o momento que vivemos na política nacional. Entre guitarras, rimas afiadas e uma produção impecável de Rap Rock, FBC entrega mais um capítulo importante para o Rap nacional, mostrando que sua inquietação artística e voz política continuam sendo umas das mais originais da cena. João Pedro Cabral

  1. Flea – Honora 

Em Honora, Flea mostra que sabe dividir espaço com nomes fortes do jazz de Los Angeles, como Jeff Parker, Anna Butterss e Josh Johnson. Longe de ser apenas um capricho de rockstar, é um álbum pensado com calma. A estreia solo do baixista acompanha um músico se reconectando com o motivo pelo qual começou a tocar lá atrás e mostra que um artista veterano ainda pode encontrar sentidos novos para o próprio som. — Pedro Felicio

  1. Friko – Something Worth Waiting For

Foi aqui que pediram indie bbs? Friko é um duo de Chicago que já chamava atenção, mas agora soa ainda maior, mais confiante e com letras emocionantes e cheias de energia. Tem explosões de guitarra, pianos melancólicos e aquela sensação constante de que a música pode desmoronar a qualquer instante. Lembra muito Arcade Fire, Bright Eyes e até Black Country, New Road em certos momentos. Mas o Friko encontra personalidade e entrega canções que parecem ter sido escritas para quem ainda tenta acreditar que existe alguma coisa bonita esperando do outro lado do caos. Destaque para Choo choo, Dear Bicycle e Seven Degrees.  — Duda Rocha


  1. Fcukers – ö 

Ö é um disco que entende completamente a força de uma boa noite mal planejada e estranha. De certa forma, parece nostálgico, com um mix de músicas que você ouvia em algum momento em algum videogame e ao mesmo tempo trilha sonora de algum filme de ação. O Fcukers pega dance music, indie sleaze, house, garage, pop sujo e aquela energia blasé de pista underground e transforma tudo em algo muito divertido. Não é um álbum que fica tentando ser profundo o tempo inteiro, e isso é justamente o que faz ele funcionar tão bem. Tem atitude, tem refrão, tem deboche, tem suor e tem aquela sensação de que todo mundo está fingindo estar entediado enquanto dança muito. É nostalgia dos anos 2000 sem virar fantasia. — Alexandre Giglio


  1. Genesis Owusu – REDSTAR WU & THE WORLDWIDE SCOURGE 

Isso aqui é realmente pra mim um dos top 5 do ano por toda a sua estrutura e por como esse disco te leva pra diversos lugares, camadas e sensações. Genesis Owusu é um dos artistas mais interessantes justamente porque ele parece não aceitar limite nenhum. REDSTAR WU & THE WORLDWIDE SCOURGE mistura rap, funk, punk, soul, eletrônica e art pop como se tudo isso fosse parte do mesmo universo completamente bagunçado e caotico. O disco fala de temas pesados, de mundo em colapso, racismo, capitalismo, violência e alienação, mas nunca perde o carisma. É um disco gigante, explosivo e cheio de ideias, daqueles que mostram um artista no controle total do próprio caos. — Alexandre Giglio


  1. Gorillaz – The Mountain

Confesso que fazia um bom tempo que eu não ouvia um disco do Gorillaz com tanta atenção, mas esse me pegou de jeito. Talvez porque, mesmo tratando de luto (um tema já dissecado milhares de vezes na música) o álbum não soa como despedida clichê, e sim como uma tentativa de digerir a ausência e seguir em frente.  O disco nasce do sentimento de perda dos pais de Damon Albarn e Jamie Hewlett, mas ainda assim, fala sobre vida, memória e continuidade. Em “The Manifesto” (minha preferida), com participação do argentino Trueno, o Gorillaz transforma hip hop, espiritualidade e instrumentos indianos em uma espécie de rito, enquanto “The Sweet Prince” concentra o lado mais emocional do álbum, daqueles momentos em que a tristeza serve como ponto de partida pra gente se reorganizar. Esse é um disco sobre fim, mas principalmente sobre o que ainda pode nascer em você depois de ouvi-lo. — Duda Rocha

  1. Infinito Latente – Sem Início Nem Fim

Ahh, o dream pop brasileiro… A Infinito Latente chega do interior à capital trazendo uma estreia borbulhante, acompanhada de uma lírica sensorial que explora cores, cheiros e sensações. Os arranjos são bastante agradáveis, a percussão é leve, e a vocalista Maira Bastos se mostra como uma soprano de voz delicadíssima. Relaxem, que o indie pop está em mãos promissoras. Recomendo para quem curte o som de bandas como PLUMA ou Tuyo, ou para quem, assim como eu, nunca superou o fim do Rosa Neon. — Rafinha Murad

  1. Ítallo – CATATAU 

Em Catatau, Ítallo agrupa assuntos que normalmente não ocupam a mesma mesa — futebol, política, amor, trabalho, metalinguagem e canção brasileira. O disco encontra força justamente nessa convivência. É um repertório que nasce tanto de conversas sobre Paulo Leminski quanto do sufoco para pegar o último metrô. Com humor, observação e cuidado com as palavras, o álbum forma um dos retratos mais vivos e particulares do ano. É o prato feito da MPB de hoje para quem continua apaixonado pelas lendas da MPB do século passado. — Pedro Felicio

  1. James Blake – Trying Times

James Blake abandona parte da sofisticação de seus trabalhos anteriores para mergulhar em canções mais cruas, melancólicas e emocionalmente desprotegidas. Soa como se Blake estivesse a fim de permitir que os ouvintes enxergassem todas as mensagens de um jeito bem direto. As camadas eletrônicas continuam ali, claro, mas agora funcionam como uma espécie de névoa em volta da voz belíssima dele. É um disco sobre exaustão emocional, e acredito que seja um dos trabalhos mais humanos que ele já lançou. Por isso, me conquistou já na primeira vez em que ouvi, é difícil não ficar presa nos timbres escolhidos para cada uma das faixas, como em “Days Go By”, “Trying Times” e “Through the High Wire”. — Duda Rocha

  1. Jorge Drexler – Taracá

Se em 2025 o reggaeton finalmente passou a ser entendido como linguagem cultural latino-americana, 2026 talvez seja o ano em que muita gente vai descobrir o candombe através desse disco.  Aqui, Jorge Drexler entrega um dos trabalhos mais bonitos da carreira ao mergulhar nas raízes afro-uruguaias sem transformar isso em algo clichê ou puramente alegórico. Os tambores do candombe estão no centro das músicas, enquanto Drexler conecta memória, colonialismo, pertencimento e identidade latino-americana com uma delicadeza que poucos compositores conseguem alcançar hoje em dia. O disco entende tradição não como passado, e faz com que a gente olhe para a América Latina reconhecendo seus ritmos negros, periféricos e historicamente apagados como força central da nossa cultura. Minhas preferidas são “Ante La Duda, Baila”, “El Tambor Chico” e “Amar y ser Amado”. — Duda Rocha


  1. Juliana Linhares – Até Cansar o Cansaço

Juliana Linhares vem fazendo um trabalho bastante consistente na música popular brasileira, e Até Cansar o Cansaço fornece uma continuidade promissora para as marcas que ela já vem deixando. A faixa de abertura, que leva o mesmo nome do disco, é um convite à atmosfera esperançosa e sonhadora que segue nas faixas seguintes. O disco tem colaborações fantásticas com Agnes Nunes e Anastacia, e a faixa com Ney Matogrosso é de se arrepiar inteiro. Seus trabalhos entregam qualidade em tudo: na exploração dos mais diversos sons — tem acordeon mas também tem sintetizador —, nos vocais irresistíveis e na lírica poética sempre apaixonante.  — Rafinha Murad

  1. Julieta Social – Julieta 

Julieta é um disco que transpira a cena paulistana. Tem sátira, rock e humor, com um som que não perde tempo tentando encaixar referências incompatíveis. Talvez seja o álbum que melhor represente as noites de São Paulo hoje, e o mais interessante é que a banda não parece fazer esforço para provar isso. O “Social” não é só um nome descolado, mas uma prática de convidar outros artistas independentes para gravar com Rafael Bastos, João Durão, Rodrigo Mattos e Rubens Adati. O som vai do indie rock nova-iorquino dos anos 2000 ao dream pop e aos sintetizadores espaciais. É um trabalho com energia jovem que incorpora suas próprias fragilidades como parte do resultado. — Pedro Felicio

  1. Kneecap – Fenian

O Kneecap transforma política, caos, humor e provocação em uma mistura de rap, rave e punk em seu mais novo disco, o Fenian. Você poderia até ter pensado que a banda iria ficar mais quieta ou baixar a bola, mas foi ao contrário, eles simplesmente bateram mais ainda de frente. Tem deboche, tem confronto, tem orgulho irlandês, mas também existe uma camada mais pesada de tensão e vulnerabilidade. Fenian é um baita disco porque entende que a festa e a raiva podem ocupar o mesmo lugar. — Alexandre Giglio

  1. Lip Critic – Theft World 

Esse foi um dos discos mais malucos, densos e fortes que ouvi esse ano. Theft World parece um disco feito para te deixar mais pra lá do que pra cá. O Lip Critic pega hardcore, industrial, glitch pop e rap torto e transforma tudo em uma bagunça extremamente controlada. O conceito do disco ali aparece de várias formas: identidade, desejo, dinheiro, culpa, energia, atenção. Mas o mais interessante é que o disco nunca soa como uma ideia explicada demais. Ele funciona pela sensação de ser engolido por um mundo meio criminoso, meio que você parece que num jogo, onde tudo parece prestes a quebrar. É caótico, barulhento e estranho do jeito mais divertido possível. — Alexandre Giglio

  1. Luiz Barata – ETERNO MENINO LEVADO

Com um flow melódico e beats leves, Luiz Barata entrega em Eterno Menino Levado um boom bap curto, direto e fácil de se conectar. Entre letras e beats, o rapper mostra que crescer não precisa significar deixar a própria essência para trás. As faixas passeiam por reflexões e dilemas típicos da vida de jovem adulto, enquanto a estética nostálgica deixa tudo ainda mais familiar. Na produção, Nitcho acerta em cheio ao traduzir cada sentimento das músicas, amarrando o disco de um jeito leve e muito bem feito. João Pedro Cabral

  1. Mandy, Indiana – URGH 

Esse disco é meio aquele dia que é caos e que você não sabe o que vai acontecer. Talvez você precise disso para 2026. URGH é um disco pesado no sentido mais físico da palavra. O Mandy, Indiana faz um som que mistura noise rock, industrial, pós-punk e música de pista como se estivesse te empurrando contra uma parede. É sufocante, mecânico, tenso e, ao mesmo tempo, muito humano na raiva que carrega dentro da sua escuta. Não é um disco para relaxar ou deixar tocando de fundo. É desconfortável, mas de um jeito muito poderoso. — Alexandre Giglio

  1. Maui – Muito Romântico

2025 foi o ano dele, mas 2026 aparentemente pode ser também… No EP Muito Romântico, Maui se afastou brevemente dos sons e letras que retratam a correria pra respirar mais leve falando de amor. Aqui, ele resgata as raízes do EP Rubi (2023) e faz um R&B mergulhado na vibe love songs, marcado pela sua voz que já se tornou inconfundível. Nessa merecida ascensão ao sucesso, ele segue trazendo gravações com colaborações ao lado de seus parceiros de anos, como Taleko e Akascagrossa, que também marcam presença no EP. Mais uma vez, a gente confirma: realmente, não dá pra duvidar dos menor que mora longe. — Rafinha Murad

  1. Metade de Mim – Acidentes

Um disco sincero, dolorido e com uma voz linda. Acidentes é um disco que entende muito bem o peso dos pequenos desastres emocionais. A Metade de Mim trabalha entre o emo, o pop alternativo e aquela urgência de quem está tentando colocar sentimento para fora antes que exploda. Pode até parecer um som que a gente já ouviu, mas é simples, objetivo e extremamente belo em relação ao que ele se propõe. É um álbum que soa próximo, quase como uma conversa com alguém que também está tentando se entender no meio do caos. Tem dor, claro, mas também tem uma beleza muito sincera em continuar tentando. — Alexandre Giglio

  1. My New Band Believe – My New Band Believe 

Cameron Picton encabeça um dos projetos mais singulares da Windmill Scene, cena de post-punk e art-rock construída em torno do Windmill pub em Brixton, Londres. My New Band Believe reúne uma lírica críptica, um som acústico repleto de tensão e atravessado por uma sensibilidade pós-irônica. Longe da exuberância caótica do Black Midi, Picton opta por seguir um outro caminho e assim afirma uma identidade artística impressionante — Hildegardis Lima

  1. Pupillo – Pupillo

Talvez seja um dos discos mais subestimados do ano. Pupillo é um disco que mostra como uma trajetória inteira pode caber em um álbum.. Depois de tantos anos sendo uma figura essencial da música brasileira, ainda que talvez poucos saibam da sua importância, ele chega em seu primeiro trabalho solo com uma obra instrumental cheia de corpo e memória. Tem percussão, jazz, eletrônica, música brasileira e uma sensação meio cinematográfica que vai guiando tudo e simplesmente te hipnotizando. O mais bonito é que a bateria aqui não aparece só como base, é também ela que conta essa história. É um disco elegante, vivo e muito bem construído, daqueles que mostram que experiência também pode soar livre. — Alexandre Giglio

  1. PVA – No More Like This

No More Like This é um disco de pista, mas não daquela pista óbvia e eufórica. O PVA trabalha com eletrônica, pós-punk e climas mais sensuais e inquietos, criando músicas que dão vontade de dançar, mas também deixam uma pulga atrás da orelha e que te faz sair fora da casinha. É um álbum mais contido do que explosivo com diversas camadas, mas isso não significa que ele seja menos intenso. A força está justamente nessa tensão, no jeito como as faixas vão crescendo sem entregar tudo de uma vez e também em como a vocalista bota ali sua persona. É música para mexer o corpo com a cabeça cheia de coisa, vai com calma. — Alexandre Giglio


  1. Rancore – BRIO 

Esse disco é um dos mais especiais pra mim, ou talvez aquele com que eu mais me identifiquei. BRIO é um retorno que poderia facilmente cair na nostalgia, mas o Rancore foge disso muito bem. O disco reconhece bastante a história da banda, claro, mas não fica preso nela. As guitarras continuam pesadas, o hardcore ainda aparece com força, mas de certa forma mais atualizado, com vibes meio Turnstile, mas existe uma maturidade nova nas letras e na forma como o álbum lida com desgaste, fé, dúvida, sobrevivência, morte e recomeço. Letras lindas e muito bem interpretadas, e que ao mesmo tempo são mais acessíveis do que parece. Disco do ano. — Alexandre Giglio

  1. Robyn – Sexistential 

A popstar das popstars está de volta para inspirar mais uma leva de discos alheios. Só a Robyn conseguiria soltar uma música de autoria do Taio Cruz em 2026, Dopamine, como uma das melhores do ano sem precisar apelar para ironia ou nostalgia. Ela banca tudo que propõe. O disco é sexy, divertido, apaixonado, elegante e maduro. Ele faz qualquer lugar virar Estocolmo, dando o tom agridoce para a euforia como só suecos sabem fazer. Parece a trilha sonora ideal para a última festa do mundo (ou todas as anteriores). Maria Luísa Rodrigues

  1. Ryan Fidelis – Tons de Marrom 

Chegamos ao crème de la crème do R&B brasileiro. Daqui em diante o que vier será lucro. Ryan Fidelis parece traçar nosso destino logo na primeira faixa: “eu me joguei, mergulhei, nem pensei”. Quando você se tocar e parar pra respirar, é provavelmente porque a última música encerrou. A voz suave de Fidelis consegue colocar fronteiras num universo próprio no disco, romântico, sonhador, com devaneios, anseios e receios que te fazem sentir cada gota dessas sensações. Fora o super time convocado: Mauí, YOÚN, Nina e JOK3R. É um álbum completo de possíveis hits chicletes, com destaque pro single real Corpo Suado e o single moral Sonhos Distantes. “Tons de marrom” consolida Ryan Fidelis como voz inescapável para entender o R&B e neo soul brasileiro. Maria Luísa Rodrigues

  1. Slayyyter – WOR$T GIRL IN AMERICA 

WOR$T GIRL IN AMERICA foi o disco que me apresentou a Slayyyter e me conquistou logo de cara. As músicas têm uma atmosfera que eu facilmente imaginaria tocando em Cyberpunk 2077. Ao longo do álbum, dá para identificar referências a diferentes vertentes do pop e da música eletrônica, como Justice, Crystal Castles e Grimes, mas tudo é costurado de forma muito coesa. Ao mesmo tempo, Slayyyter foge da construção visual e do arquétipo tradicional da diva pop para apresentar o que ela descreve como um “retrato de uma mulher do Meio-Oeste”, inspirado na própria juventude em St. Louis e nas figuras que marcaram sua adolescência. O resultado é um disco que equilibra uma estética futurista com uma identidade pessoal. João Pedro Cabral

  1. Smerz – Easy

O Smerz parece estar a alguns passos à frente da música pop experimental, e aqui elas aparecem com ainda mais batidas quebradas, synths frios, vocais quase sussurrados e uma sensação constante de intimidade desconfortável, como se estivéssemos ouvindo pensamentos que não deveriam ter sido ditos em voz alta, sabe?  Ao mesmo tempo, existe algo extremamente elegante na forma com que o duo consegue transformar silêncio, repetição e vazio em texturas bem pop. É um EP que parece ser nada demais até você ouvir novamente e perceber como ele cresce absurdamente. Música eletrônica para dançar olhando pro teto do quarto às três da manhã e prestar atenção em cada detalhe. — Duda Rocha


  1. Tangolo Mangos – PEDÁGIOS Y CARONAS 

Depois de um ano rodando pelas mais diversas estradas do Brasil, a Tangolo Mangos chegou com um disco que resume essas aventuras. É claro que, depois de passar por tantos lugares, o som também assumiria diversas faces. Pedágios Y Caronas é um disco de altíssimo astral, e passa bem longe de cair na mesmice do rock, porque integra muito bem um misto de psicodelia, ritmos regionais baianos, e até ska. A faixa de abertura “Armadura Armadilha” é fortíssima, e já dita bem o que dá pra esperar do disco: um ritmo bastante frenético, mas delicioso de acompanhar. Aposto que vai render ótimos bate-cabeça nas apresentações ao vivo. — Rafinha Murad

  1. Trueno – TURR4ZO

Ahhh, quem pensou que eu não colocaria um argentino nesta lista, se enganou demais! Apesar de já demonstrar que seria uma das promessas da música latina, aqui Trueno mostra a que veio. Eu já curtia os trabalhos anteriores dele, mas aqui existe um amadurecimento muito claro, tanto na escrita quanto na forma como ele entende o próprio lugar dentro da música latina. É inegável a influência dessa geração mais jovem puxada por nomes como o Milo J, no sentido de olhar para a América Latina de maneira mais identitária, mais territorial e menos preocupada em soar algorítmica. O disco inteiro transborda referências: boom bap noventista, funk argentino, reggaeton, soul, rap latino clássico e aquela autoestima sudaca que atravessa tudo sem soar panfletária. “Pumas”, 90s” e “Estilo Sudaka” são as minhas favoritas. TURR4ZO é o tipo de disco que confirma que Trueno deixa de ser uma promessa e se torna, de fato, um artista consolidado musicalmente na LATAM. — Duda Rocha

  1. underscores – U

Não consigo mais pensar nesse álbum sem pensar imediatamente naquele meme “when I’m in a making amazing music competition and my opponent is a trans girl with a laptop”. Isso já explica tudo. U foi um dos poucos consensos absolutos da nossa equipe e conseguiu o milagre de agradar todos os gostos por meio da exploração de tantas camadas diferentes do pop eletrônico. Tem momentos de vocais distorcidos mas também tem registros brilhantes de voz tanto de peito quanto de cabeça, a todo tempo acompanhados de uma percussão irresistivelmente dançante. Esse já é o terceiro projeto sob o nome de underscores, mas o primeiro em que ela mergulha de vez no pop, surfando no atual hype do hyperpop não de forma a seguir o que já foi feito antes, mas sim de inovar ao encontrar novos contornos para o gênero. — Rafinha Murad

  1. Violet Grohl – Be Sweet To Me

Poderia ser mais um disco genérico de nepobaby, mas com Be Sweet to Me a Violet provou que conseguiu ir além dessas expectativas. O rock corre nas suas veias, claro, então existem traços fortes de rock alternativo, mas ela mostrou seu diferencial aqui nas pegadas de dream pop no disco. Ela acena pro som mais fuzzy característico dos anos 1990, construindo um álbum repleto de texturas e de atmosfera nostálgica mesmo tendo apenas 20 anos. Excelente estreia. — Rafinha Murad

  1. Vita – Vita’s House

Num ano cheio de lançamentos importantes da cena LGBTQIA+, Vita dá o pontapé inicial na carreira solo após construir uma base sólida no duo Irmãs de Pau. Assumindo maior independência nas letras e na produção, a artista leva a estética da putaria brasileira ao centro de Vita’s House. O álbum mistura funk mandelão, dancehall, ballroom e house de forma direta. Reunindo nomes como BADSISTA, Delcu, Urias, Mc Britney, Brunoso, Linn da Quebrada, LARINHX, DJ Caio Prince e Cyberkills, Vita deixa claro que seu trabalho reverencia mulheres que abriram caminho antes dela e atualiza essa história a partir dos caminhos que a música brasileira tomou nos últimos vinte e cinco anos. — Pedro Felicio

  1. Vitor Araújo – Toró 

Quem não se emocionou ouvindo Toró pela primeira vez que atire a primeira pedra. Ou melhor, vendo Toró. Porque o álbum é surreal, mas ainda mais impressionante foi ter a experiência de ver seu filme-concerto na Sala São Paulo ou no Cinema São Luiz. Na sessão em Pernambuco, ouvi Vitor Araújo quase subestimar seu encontro atordoante com a orquestra sinfônica holandesa Metropole Orkest que veríamos na tela. Dez minutos depois, me peguei quase chorando. Os vocais e o piano de Araújo, somado às percussões brasileiras em faixas como a Toque N.3, trazem a música erudita pra perto. Disco lindo. – Maria Luísa Rodrigues

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