As vezes, descobrir bandas do meio underground, obscuras e depois, falar para todos os seus amigos é bem gratificante, mas por lado, pode levar a pessoa que é responsável por ouvir de tudo um pouco (vulgo, eclética) a se achar a pessoa mais intelectual do seu grupo de amigos, é sabemos onde isso vai parar nés… Snegs, lançado o longínquo ano de 1974, parece ter surgido diretamente de uma sessão de jazz transcendental. O Som Nosso de Cada Dia trouxe para o nosso Brasil, um rock progressivo cheio de estilo, combinando influências internacionais como Yes, Emerson, Lake & Palmer e Genesis com um toque tipicamente brasileiro, misturando diversos gêneros musicais, como jazz, rock progressivo, soul e samba. O que aconteceu nessa mistureba? Um álbum audacioso, que persiste como uma preciosidade do rock progressivo mundial.

Créditos: Revista InFoco

Pedrão Baldanza (baixo e vocais), Manito (teclados, saxofone e flauta) e Pedrinho Batera (bateria e vocais) não poupam na criatividade. Desde a primeira faixa, “Sinal da Paranoia” , já é possível perceber o estilo do álbum: riffs intensos, alterações rítmicas imprevistas e teclados em constante movimento. É progressivo, porém sem o excesso de pompa – possui ritmo, groove e atitude.

Em seguida, “Bicho do Mato” proporciona um sopro mais direto e vibrante. O baixo de Pedrão estabelece o ritmo, enquanto a banda elabora uma sonoridade que transita entre o rock pesado e a MPB. Esta é uma música que poderia ser executada numa estação de rádio rock sem perder sua beleza progressiva. A terceira canção, “O Som Nosso de Cada Dia” , atua quase como uma apresentação da banda. A combinação de gêneros é clara, alternando entre momentos de pura exploração instrumental e outros mais melodiosos. A sensação é como se estivesse escutando uma narrativa contada por meio de instrumentos.

Por outro lado, “Snegs de Biufrais” representa um instante de pura experimentação. Com menos de dois minutos, parece um interlúdio psicodélico que quebra a expectativa e introduz um elemento humorístico ao álbum. Ao se direcionar para o lado oposto, “Massavilha” surge com um ambiente cativante, repleto de camadas e texturas. Trata-se de uma canção que inicia serena e, subitamente, explode numa viagem instrumental fascinante. Aqui, o teclado de Manito se destaca, evidenciando sua influência do jazz e da música clássica.

Finalizando o disco, “A Outra Face” representa o grande épico, com quase oito minutos de uma viagem sonora intensa. Neste ponto, a banda tem a liberdade de explorar ainda mais o instrumental, criando ambientes sonoros que variam do jazz ao rock progressivo tradicional. É um final digno, evidenciando toda a capacidade criativa do Som Nosso de Cada Dia. Em última análise, Snegs é um álbum que deve ser apreciado com cuidado e sem pressa. Ele alterna entre momentos de intensa energia e momentos de reflexão, mas sempre mantém uma atmosfera autêntica e natural. Caro leitor, caso goste altamente de um prog de alta qualidade e nunca ouviu falar dessa banda 100% brasileira, é recomendado dar uma conferida e permitir que o Som Nosso de Cada Dia conduza essa viagem no YouTube, já que não está disponível em nenhum streaming de música. Alô Spotify, Deezer, YouTube Music, Qobuz, vamos trazer essa joia rara do rock setentista mundial?

Quem será que vai pegar essa referência do álbum. Podem escrever nos comentários desse post.

 

Autor

Escrito por

Giovanni

Me considero um fã de prog, metal, jazz e indie.
@giovarcon