Créditos: Fred Siewerdt

Baterista e produtor pernambucano apresenta 12 faixas instrumentais que atravessam forró, jazz e hip-hop

Depois de três décadas atuando como um dos músicos mais influentes da cena brasileira, Pupillo apresenta seu primeiro álbum totalmente autoral. Intitulado simplesmente Pupillo, o disco chega pela gravadora norte-americana Amor in Sound, selo criado por Samantha Caldato, responsável pela produção executiva e direção criativa do projeto. Quem assina a produção musical é o próprio artista ao lado de Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Marcelo D2).

Conhecido principalmente por seu trabalho como baterista da Nação Zumbi e por uma carreira consolidada como produtor, Pupillo sempre transitou entre diferentes universos musicais. Nos discos anteriores, ele costumava mergulhar em repertórios e projetos de outros artistas. Agora, no novo trabalho, assume plenamente a posição de autor, construindo um álbum instrumental que reflete as referências acumuladas ao longo de mais de 30 anos de carreira.

O disco reúne 12 faixas instrumentais que percorrem ritmos e atmosferas presentes na trajetória do músico. Há ecos da música nordestina, especialmente do forró e das tradições do pífano, misturando com elementos de jazz, hip-hop e grooves contemporâneos, resultando em uma paisagem sonora ampla e cinematográfica. Para dar forma a esse universo, Pupillo reuniu um elenco diverso de colaboradores. Entre os convidados brasileiros estão Céu, Rodrigo Amarante, Agnes Nunes, Amaro Freitas, Davi Moraes, Alberto Continentino e Pedro Martins. O projeto também ganha dimensão internacional com participações de Carminho, Gaslamp Killer, Loren Oden, Adrian Younge, Cut Chemist e Hervé Salters, conhecido pelo projeto General Elektriks.

A gravação aconteceu no estúdio da Amor in Sound, em Los Angeles, espaço que funciona como ponto de encontro para músicos e produtores ligados ao selo. Ao lado de Pupillo, nomes como Jeremy Gustin e Roberto Schilling também contribuíram para as sessões, realizadas em um clima de experimentação livre que marca o espírito do projeto. Aliás, a dimensão cinematográfica do álbum não é por acaso, já que ao longo da carreira, Pupillo também construiu um caminho importante compondo para trilhas sonoras no audiovisual. Ele assina trilhas de filmes como Árido Movie e Sangue Azul, de Lírio Ferreira, além de Besouro, dirigido por João Daniel Tikhomiroff.

Essa experiência aparece no disco como uma narrativa sonora em movimento. As faixas se desdobram como cenas que atravessam diferentes paisagens musicais, sejam brasileiras ou estadunidenses, revelando um artista que, mesmo depois de décadas de estrada, continua explorando novas possibilidades dentro da música brasileira. Dê o play e curta esse disco completo:

 

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