Entrevista: conheça o sentimental e disléxico novo álbum da banda John Filme

Conversamos com a banda John Filme que lança nesta quinta-feira o novo álbum ‘Jhon Film’

A John Filme flerta com o experimentalismo e o sarcasmo em suas músicas e nos presenteia com seu novo álbum. Composta por Fernando Paludo, Akira Fukai e Jivago Del Claro, a banda que nasceu em Chapecó e hoje reside em São Paulo, lançou nesta quinta-feira (6), o seu segundo disco chamado Jhon Film. O novo trabalho sonoro é definido pelos integrantes da banda como uma “salada de palmito”.

Entrevistamos a John Filme, que contou sobre as divertidas influências das faixas do novo álbum; Confira.

MI: O período de isolamento social de alguma maneira serviu de inspiração para as faixas do novo disco?

JOHN FILME: O isolamento social é a inspiração da banda desde sempre. Na verdade é exatamente isso que define tudo, e de certa forma nossa expressão artística sempre foi sobre o desajuste a qualquer grupo. Nessa época de pandemia somos obrigados a nos conectar com nós mesmos e talvez este disco seja uma conversa com isso, não diretamente a essa estética de tragédia que uma pandemia tem, mas num sentido mais Michael Jackson de isolamento.  – “Michael, eles não ligam pra gente.”

MI: Como foi o processo de produção do álbum? Alguma etapa teve que ser adiada ou alterada devido à pandemia?

Foi de fato uma putaria. Começou em 2017 com a gravação das baterias, e as guitarras foram sendo gravadas enquanto meu ovo esquerdo foi pra SP em 2018.  Uma parte dos vocais foi gravada na casa da minha mãe. E dava pra gritar bastante. Outra boa parte foi gravada em uma kitchenetten na beira da Corifeu, com uma vizinha extremamente intolerante a (todos) tipos de barulho. De certa forma, muito disso influenciou na estética que o disco ganhou.

MI: Qual sentimento usariam para definir o novo álbum? Podem usar mais de um se for o caso rs.

JOHN FILME: Acho que, como tudo da banda, é sobre aqueles sentimentos combinados que não dá pra saber direito como descrever; tipo aquele dia de chuva na praia, que é ruim, e bom ao mesmo tempo. Mas, a grosso modo, é um disco sobre FELICIDADE.

MI: A faixa ‘jhova’ que abre o disco, é a que mais desperta minha curiosidade, são 8 minutos apenas de instrumental. Como surgiu a ideia da composição?

JOHN FILME: jhova é a primeira música porque é a melhor música do disco. O processo do disco foi basicamente o mesmo: os takes de bateria foram feitos todos ao vivo e depois as guitarras e voz vieram depois. Essa música surgiu basicamente sob o pretexto de ser um cover de nós mesmos, da fórmula do quadradinho (como no final da música Gausche do EP Kings of Leon Cover), e evoluiu pra uma narrativa diferente com uns sintetizadores e coisarada. Tem aquela coceirinha gostosa de ouvir umas 18+ camadas de distorção sobrepostas e as harmonias que aparecem no meio dos improvisos e o take de bateria do meu pipi molinho foi uma das coisas mais incríveis que Jeová já deve ter visto em toda sua onisciência. (emojis incríveis!)

MI: A música ‘Carnaval’ já havia sido divulgada em março com outras duas faixas, nessa época vocês já pretendiam incluí-la no álbum?

JOHN FILME: Sim, na verdade foi uma das músicas que ficaram prontas primeiro e a ideia era ser um teaser do disco que viria logo em seguida. Infelizmente a numerologia quis que o disco saísse só agora, e tudo perdeu o sentido. Na verdade tudo perdeu o sentido quando a gente não conseguiu lançar essa música no carnaval. Por sorte conseguimos lançar na Páscoa e pelo menos alguma conexão religiosa foi feita.

MI: Uma das faixas mais debochadas do disco é ‘Amor Submarino’, um dos integrantes já passou por um relacionamento assim? Ou seja a música é baseada em fatos reais? rs.

JOHN FILME: Essa música é uma serenata que eu fiz pra uma das minhas namoradas e fala sobre como ela é perfeita do jeito que ela é. Apesar da asa, do bafo, e do chulé (esse eu inventei), ela é meu bebê. Você respeite meu bebê. É rock bebê. Eu esqueci a bolsa na nenê gente.

MI: A faixa ‘multiplayer love’ flerta com o rock de garagem, ao mesmo tempo que me passou a sensação de nostalgia. Acreditam que após esse álbum dá pra definir o som da banda, ou experimental ainda é o lance de vocês?

JOHN FILME: De fato essa faixa tem uma vibe meio nostálgica. Particularmente me leva direto aos anos noventa.  Aquele tempo que não volta mais, a selva de pedra e aquele soninho que dá depois de gozar. Era pra ser a primeira música do disco, só pra dar uma falsa esperança de que o disco seria algo nessa vibe de corno que gosta de ser corno. Quando esse sentimento ficou mais evidente, decidi que deveria ser uma despedida.

MI: Os fãs podem esperar alguma live ou apresentação especial de lançamento do disco? 

JOHN FILME: Essas lives de banda me dão aquela sensação de moda tipo powerbands (a pulseira do equilíbrio), ou coque samurai (que já tive no meu ovo esquerdo, inclusive), que a galera usou por um tempo, abandonou e tem que conviver com esse fantasma até hoje. A gente tem pensado em formas de interagir mais, mas tem que seguir uma linguagem coerente e com bom gosto. Algumas ideias em pauta são uma live limpando o banheiro, com perguntas, respostas, história e tecnologia, e uma listening party no HABBO, embora essa ideia ainda esteja pendente (não sabemos se isso dá vergonha ou não).

Abaixo, você pode ouvir o novo álbum da banda John Filme:

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