Diretamente de Manaus, com os pés em diversos gêneros musicais e fisgando vários olhares da cena, surge a Jambu. Composta por Gabriel Mar (vocalista e guitarrista), Yasmin Costa (vocalista e baterista), Gustavo Costa (baixista) e Roberto Freire (guitarrista),  a banda está na ativa desde 2020, e em abril lançou seu mais novo disco, MANAUERO, que conta com uma mistura de faixas pra dançar, pra relaxar e pra refletir. 

Com uma turnê que está rodando diversos cantos do Brasil, eles agora também compõem o lineup do próximo Festival 5 Bandas, que acontece em 25 de outubro, na Casa Rockambole, em São Paulo. Para os preparativos, batemos um papo com todos os integrantes sobre as origens, a vida pós segundo disco, e claro, as expectativas para o 5 Bandas. 

Em poucos meses, já deu para perceber as diferenças dos efeitos do primeiro para o segundo álbum, até porque não existe nada como a empolgação do primeiro disco: “As pessoas estavam empolgadas ali para saber o que iria vir do álbum da Jambu, e eu acho que a gente surpreendeu um pouco as pessoas, mostrando um horizonte sonoro […] e trouxe mais justamente desse tópico da nossa origem, uma coisa que a gente não fazia, pelo menos, de uma forma tão explícita, até porque é uma coisa muito delicada, entendeu? Trazer essa representatividade é muito maior que a gente, exige muita maturidade”, comenta o vocalista Gabriel.

Inevitavelmente, essas mudanças de som e estilo refletiram no público, alcançando novas pessoas e experimentando a fidelidade dos fãs mais antigos, e até mesmo na forma como a banda se posiciona na cena indie. “O indie está muito relacionado a uma coisa muito jovem, muito adolescente, novo adulto, sabe? Existe isso na gente, a gente tem 20 e alguma coisa, mas querendo ou não, a gente gosta dessa ideia de já se ver lá na frente na nossa carreira, como uma banda de música brasileira. É muito difícil fazer isso hoje em dia, porque a gente não vive nos anos 2000, a gente vive 20 anos depois, então tem muita influência da cultura gringa hoje no nosso cenário. Ser uma banda de música brasileira, quando é mais comum ser taxado como indie, é o que faz mostrar cada vez mais a nossa personalidade”.

Na hora de traçar uma árvore genealógica de referências, as respostas foram diversas. Roberto foi de Red Hot e bandas dos anos 90, Yasmin foi de bandas de Manaus e se colocou como o lado mais pop e eletrônico da banda. Gustavo e Gabriel falaram de bandas da Oceania, especialmente as australianas Ocean Alley e Sticky Fingers. Das referências brasileiras, Rappa e Chico Science não ficaram de fora, mas também teve espaço para os amazonenses Johnny Jack Mesclado e Casa de Caba. No geral, eles apontaram para referências que vão além estritamente da música, e são mais de bagagem. 

Com esse papo de referências, falamos também sobre o que define a assinatura do som e o espírito da Jambu, e tudo remete à espontaneidade. “É um espírito jovem, sabe? E eu não sei dizer, porque a gente não fica, tipo, assim, nossa, vamos fazer música jovem. Mas os nossos amigos falam muito isso, dá vontade de ser jovem, tá ligado? Não sei explicar isso, mas eu acho que as coisas são feitas para ouvir no carro, numa viagem, porque realmente é isso. Esse sentimento de liberdade, uma trilha sonora do protagonista que está indo para uma aventura, tá ligado?”.

Como não dá para falar de Jambu sem falar de Manaus, também não dá para deixar de lado o crucial momento da mudança para São Paulo. “Acho que os quatro tiveram esse contato muito próximo com a natureza, sempre presente e em memórias… Estar longe de Manaus fazia a gente conseguir perceber a falta que fazia ter esse contato não só com a natureza, mas com a cultura e com a cidade, com os nossos amigos, com os rolês, com as conversas, porque é muito diferente o contato que a gente tem com a galera de lá, da galera daqui de São Paulo. A gente conheceu muita gente muito legal aqui, só que o contato continua sendo muito diferente, sabe? Essa é uma das mensagens que a gente queria levar no álbum.”

A saudade foi peça essencial nessa composição, como apontou Yasmin: “Esse tempo aqui fez a gente ficar com saudade de relembrar nossos momentos lá, nossa vivência, e talvez se a gente não tivesse se mudado para cá, as nossas músicas não teriam tantas referências manauaras ou tanta letra que fala sobre esse sentimento de querer estar lá”. 

E Gabriel completou apontando que, embora a saudade deixe uma tristeza, o sentimento de explorar e construir novos mundos através da arte é maior: “Se a gente estivesse aqui em São Paulo e falasse só de prédios, isso é o que as pessoas já veem como a realidade objetiva, sabe? A música, a arte no geral, também serve para exercitar o imaginário, construir ambientes e instigar ali a pessoa a estar ambientada em uma outra forma de viver, numa cidade que parece que é tudo muito diferente, mas na verdade tem muitas coisas parecidas, que é uma outra capital também no Brasil. Então é um trabalho até político, de fazer as pessoas lembrarem também que não existe essa divisão no mundo entre natureza e cidade”.

Pra fechar, perguntamos qual seria para eles o line-up perfeito do 5 Bandas, que acabou quase se tornando 5 Bandas, but make it Manaus. A estratégia foi de cada integrante escolher uma banda, e no fim os 4 escolheriam uma em consenso. Bob foi de Não Existe Saudade em Inglês, Yasmin foi de Corama, Gustavo foi de Cidade Dormitório, e Gabriel foi de Doral. O consenso ficou com os manauaras Casa de Caba. 

As expectativas para o 5 Bandas estão altas, e na hora de definir em 1 palavra, ficou tudo no campo do explosivo, energético, histórico e surreal. Nos vemos na Casa Rockambole em outubro!

Autor

Escrito por

Rafinha Murad

Pesquiso canção popular e brinco de jornalista musical nas horas vagas.