Turmalina aproxima shoegaze, dream pop, psicodelia e indie rock no disco “Enquanto o Mundo Dorme”
Primeiro álbum da banda paulistana fala de cansaço, desejo, identidade e vida adulta
Quem acompanha o Minuto Indie já esbarrou algumas vezes na Turmallina por aqui e não é por acaso. A banda paulistana vem se firmando como um dos nomes mais interessantes da cena indie brasileira, com guitarras que passam pelo shoegaze e pelo dream pop. Lançado no último dia 21, Enquanto o Mundo Dorme é o primeiro álbum de estúdio do grupo que estávamos bem ansiosos pra conferir.
Gravado ao longo de quase dois anos, entre 2024 e 2026, o disco nasceu principalmente nas horas que sobravam depois do expediente, dos deslocamentos e das obrigações da vida adulta. Te identifica? A ideia aparece de forma direta no próprio título. “Fazemos nossa arte enquanto o mundo dorme, pois é o tempo que nos resta fora da rotina de trabalho formal”, explica o guitarrista e compositor Caio Silva. Em vez de romantizar o corre de quem precisa conciliar emprego e criação, o álbum deixa o cansaço aparecer como parte real desse processo, com todo o ônus de levar uma vida se desdobrando entre criação e responsabilidades da vida CLT.
Produzido por Rafael Penna, Enquanto o Mundo Dorme cruza shoegaze, indie rock, rock psicodélico e dream pop em composições que traduzem os anseios de uma geração massacrada pela ansiedade, insônia, relações desgastadas, desejo e busca pela própria identidade. A faixa-título resume bem essa sensação de falta de tempo, enquanto “Corpo Imperfeito” aborda questões ligadas à transgeneridade e “Não Tem Espaço pra Mais Nada (Além do Seu Ego Aqui)” olha para relações marcadas por abuso emocional.
Formada por Gabe Jordano, Caio Silva, Marcos Marques, Eduardo Campos e Paula Janssen, a Turmallina chega ao primeiro álbum com uma linguagem já bastante madura e que se conecta quase que de imediata com o público. Para quem acompanha a playlist do MI e gosta dessa frente mais ruidosa, melódica e noturna do indie nacional, Enquanto o Mundo Dorme é daqueles discos que vale ouvir do começo ao fim.
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