★ Lançamento

Julie Neff transforma dor crônica e busca por alívio no álbum de estreia fine.

créditos: Bruna Hissae
créditos: Bruna Hissae

Produzido por Cris Botarelli, disco escrito entre São Paulo, Toronto e Colúmbia Britânica encontra força em faixas como “fine!?”, “Do You Want to Love Me?” e “swimming in the ocean”

Depois de três EPs e seis anos de composição, Julie Neff lançou fine., seu primeiro álbum. Produzido por Cris Botarelli, o trabalho nasceu da tentativa de compreender e dar forma às experiências da artista com endometriose, depressão e ansiedade, aproximando temas densos de uma sonoridade pop cuidadosa e emocionalmente direta.

As músicas começaram a surgir nos primeiros meses da pandemia e foram escritas em diferentes lugares, entre São Paulo, Toronto e a Colúmbia Britânica. Em vez de seguir uma narrativa de superação linear, Julie permite que o disco atravesse momentos distintos do processo: há espaço para o sofrimento, para a tentativa de aceitação e também para alguma leveza.

“As músicas são, na verdade, uma forma de expressar isso, de permitir que eu e os outros vejam a extensão total disso e, em última análise, tentar chegar a algum tipo de aceitação”, explica. “Este álbum é sobre me dar a oportunidade de realmente sentir tudo isso e deixar fluir para que eu possa seguir em frente.”

Entre os pontos centrais do repertório está “fine!?”, single que já havia apresentado o tom ambíguo do projeto. A pontuação do título — entre afirmação e dúvida — resume bem um álbum interessado justamente nos estados em que dizer que está tudo bem não significa, necessariamente, que esteja. “Do You Want to Love Me?” leva essa exposição para o campo das relações, enquanto “swimming in the ocean” amplia a dimensão sensorial de um disco construído a partir de emoções que nem sempre encontram explicação fácil.

A gravação aconteceu no Seratone Studio, em Fitch Bay, no Québec. Julie e Cris optaram por registrar primeiro a maior parte dos vocais principais, deixando que a interpretação guiasse os demais instrumentos. “Sentimos que meus vocais carregam informações emocionais muito importantes que ajudaram os outros instrumentos a captar a atmosfera certa”, conta a cantora. Ao todo, a dupla teve 25 dias para desenvolver os arranjos e concluir as gravações, trabalhando a partir das primeiras ideias e das respostas mais imediatas que cada música provocava.

O álbum chegou acompanhado de um visualizer para “SOMETHING” e reúne influências citadas pela artista como MARO, Kimbra, Stromae e Florence and the Machine. Em fine., porém, essas referências aparecem a serviço de uma escrita muito pessoal, em que vulnerabilidade não surge como fraqueza, mas como ponto de partida.

Um ótimo disco, já disponível nas plataformas de streaming para ouvir na íntegra.

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