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Tim Bernardes se despede do disco Mil Coisas Invisíveis em show minimalista e emocionante

créditos: @rafinhamurad
créditos: @rafinhamurad

Em apresentação minimalista no Vivo Rio, cantor encerra ciclo de Mil Coisas Invisíveis transformando silêncio, vulnerabilidade e virtuosismo em uma das noites mais emocionantes da turnê

Tim Bernardes é um encaixe raro de habilidade e emoção. Ele, que há muito furou a bolha do indie e tem formado um público significativo, está atualmente dando uma volta pelo Brasil pra encerrar o ciclo do Mil Coisas Invisíveis, seu último disco solo, lançado em 2022. No domingo (07), fomos assistir a segunda de duas noites esgotadas de apresentação no Vivo Rio, e já adianto: foi de emocionar. 

Esse disco já recebeu show com banda e com orquestra, mas pra fechar o ciclo a escolha foi minimalista, sozinho no palco alternando entre piano, guitarra e violão. Isso, somado ao telão colorido e a um singelo jogo de luzes, contribuiu para a criação de uma atmosfera contemplativa, todos sentadinhos admirando o que ele tinha a dizer por meio de sua lírica que, nesse álbum, aborda o olhar para a beleza nas pequenas coisas. 

O álbum foi tocado na íntegra, porém fora de ordem, numa estrutura narrativa bastante coerente. Sozinho no palco, Tim se mostra versátil, à frente dos instrumentos e junto a suas variadas faces como compositor: tem o lado mais narrativo e íntimo em “Última Vez”, o existencialismo em “Esse Ar”, e até sua face hitmaker com “BB (Garupa de Moto Amarela)” — a tal música do “vamos explorar Santa Cecília, bebê”. Em relação a essa versatilidade, a tessitura vocal é um dos aspectos que mais impressiona, pela transição natural entre graves e agudos de voz de peito e de cabeça, muitas vezes na mesma faixa.

A grandeza de Tim já não é mais segredo e o reconhecimento dos últimos anos permitiu que ele gravasse e compusesse para gigantes da MPB como Gal Costa, Maria Bethânia e Alaíde Costa. É daí que surge o compacto Prudência/Praga, o único lançamento desde Mil Coisas Invisíveis e que reforça ainda mais seu talento como compositor. Para posicioná-lo ainda mais na prateleira dos gigantes, o cover de “Soluços”, original de Jards Macalé, virou sua marca registrada nos shows pela inventividade nos vocais e distorções guitarrísticas. 

Mesmo com o público aumentando exponencialmente, o viés intimista não se perdeu. Durante o show, Tim se mostra aberto a piadas, declarações e pedidos da plateia, e dedica inclusive o bloco “O Terno” às sugestões que chegam via mímica ou gritos, reforçando a ideia de que cada apresentação seja única. A segunda noite no Rio ganhou “Volta e Meia”, “E no Final”, “A História Mais Velha do Mundo” e “Volta”, essa última pedida em coro pelo público. Apesar do espaço para as brincadeiras, o show é, em sua maior parte, profundamente emotivo — e não era difícil ouvir gente chorando em diferentes cantos da plateia.

Apesar de revelar que já está gravando e compondo novas faixas, ele também voltou um pouco no tempo pro seu primeiro álbum solo, Recomeçar (2017), tocando “Quis Mudar”, “Não”, e a faixa-título com uma intro de piano que deixa qualquer um à beira das lágrimas. 

Embora Mil Coisas Invisíveis tenha arranjos calibrados em cordas, o show minimalista não perde em nada. Na verdade, arrisco dizer que até ganha, pelo aspecto da intimidade que fica ali em suspensão. Acompanhar um artista como Tim ao longo dos anos provoca aquela sensação de sorte de estar vendo alguém tão talentoso crescer diante de nossos olhos. E na noite de ontem, ele provou que é, de fato, um artista digno de todo prestígio. 

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