
É indiscutível: 2025 foi um ano excelente para a música, tanto no Brasil quanto no mundo. Como de costume e em meio a excelentes lançamentos, a equipe do Minuto Indie selecionou os 50 melhores álbuns brasileiros de 2025 até aqui. A lista, organizada em ordem alfabética, conta com uma variedade de gêneros e estilos, mostrando que teve muita novidade interessante rolando por aí. Aproveitem as escutas e descobertas, e nos vemos em breve com a lista internacional!
AJULIACOSTA – Novo Testamento
Uma das grandes revelações do rap deste ano, Ajuliacosta trouxe um disco que soa como um rito de passagem: íntimo, espiritual e ao mesmo tempo urbano, onde a artista assume o controle total da própria narrativa. Com faixas que transitam entre o rap, um pouco de R&B e uma atmosfera quase litúrgica, Novo Testamento é menos sobre fé e mais sobre virar a página. O título funciona quase como uma piada interna ou um marco simbólico: não há religião aqui, só a decisão de seguir novas regras e assumir quem se é agora. — João Pedro Cabral
Alberto Continentino – Cabeça a Mil e o Corpo Lento
Ainda bem que um dos maiores baixistas dessa geração resolveu colocar no mundo um projeto solo. Cabeça a Mil e o Corpo Lento é um retrato perfeito do que tem se passado nas mentes e nos ouvidos de uma geração, com sonoridade pop-jazz e bastante marcado pelas parcerias com mulheres artistas nos vocais da maior parte das faixas. No geral, o disco coloca em evidência as qualidades de Continentino também como compositor e produtor, que dominou todo o processo e mostrou sucesso em todas as etapas. – Rafinha Murad
Azymuth – Marca Passo
O Azymuth está de volta com mais um disco pra lembrar porque eles são as lendas que são. É sutil e memorável na mesma medida, dando sequência à sonoridade icônica da banda: entre o jazz, o samba, a bossa nova e suas variações de grooves que pegam até os mais desavisados. É leve, mas ganha um peso emocional maior quando chega – quase ao final – em “Samba Pro Mamão”, faixa em homenagem ao baterista da banda, que faleceu em 2023. Bonito. É um disco de brilhos, pra refrescar no calor e lembrar que o Azymuth é sempre uma boa pedida. – Maria Luísa Rodrigues
BK’ – Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer
BK’ abre espaço para uma reflexão entre o momento em que precisamos deixar certas coisas para trás, para seguirmos focados em nossos objetivos. E para além da reflexão, Abebe trouxe para o disco samples de artistas de peso, como Milton Nascimento, Djavan e Evinha, que vivia tranquila na França e viu sua vida ganhar um novo momento após o alcance e destaque que o disco ganhou. DLRE é um convite para ouvir o novo, relembrando o passado, e de olho no futuro. — Bruno Santos
Catto – CAMINHOS SELVAGENS
Um disco que te rasga completamente por dentro. Catto volta com um trabalho totalmente autoral, visceral e corajoso, daqueles que você escuta do começo ao fim. É um álbum que mistura rock e alternativo dos anos 90 criando um clima intenso, dramático e bastante honesto. Tudo aqui soa confessional, como se cada música fosse um capítulo dessa jornada de amor, perda, cura e também de autoconhecimento. Com certeza um dos discos mais fortes e subestimados de 2025. — Alexandre Giglio
Celacanto – Não tem nada pra ver aqui
Celacanto entrega um dos discos mais legais de 2025, fácil. Um debut que já chega com muita identidade, misturando letras sensíveis com momentos pesados, barulhentos e até bem experimentais dentro desse indie-rock paulista que eles constroem. É aquele tipo de disco que parece inquieto o tempo todo, como se estivesse sempre tentando escapar de um formato óbvio. O título brinca, mas te engana porque não tem nada pra ver aqui, mas tem muita coisa pra ouvir e sentir. O álbum é denso, humano, curioso, cheio de camadas. Um baita cartão de visita que coloca o Celacanto como uma das estreias mais interessantes do ano. — Alexandre Giglio
Cícero – Uma onda em pedaços
Quem achou que o Cícero não sabia mais fazer ótimos álbuns se enganou e muito. Uma Onda em Pedaços prova que ele continua sendo um dos poucos artistas capazes de te levar para além e fazer você mergulhar nesse mundo. É um disco que pega os fragmentos da vida, o tempo suspenso da pandemia, as perdas, as mudanças, tudo aquilo que ficou quebrado pelo caminho, e transforma em canções, poesia e surpresa. Nada aqui é óbvio e isso que faz a graça do disco. Cada faixa parece um estado emocional diferente, como se o ouvinte estivesse caminhando por memórias, sensações e pensamentos (o que me lembrou bastante os discos do Gabriel Ventura). Um álbum sensível, humano e necessário, que mostra que, mesmo em meio ao caos, ainda dá pra fazer muita coisa grande. — Alexandre Giglio
D’água Negra – SINAL VERMELHO VIDRO PRETO
Álbum estreante da banda, Sinal Vermelho Vidro Preto é um disco que anda pela cidade de madrugada, com o rádio baixo, a cabeça cheia e o alerta ligado o tempo todo. A D’Água Negra entrega um trabalho seguro, que sabe dosar bem a intensidade, onde a poesia urbana das letras encontra um instrumental cheio de respiro. Em várias faixas, o som flerta com o jazz de forma natural, aparecendo nos grooves soltos, nas linhas de baixo sinuosas e nos arranjos que parecem improvisar enquanto avançam. O resultado é um álbum vivo e elegante, que observa o caos cotidiano com sensibilidade e te convida a fechar o vidro, ignorar o sinal vermelho e seguir pensando. — João Pedro Cabral
Don L – Caro Vapor II – qual a forma de pagamento?
Don L atinge um nível impressionante nesse aguardadíssimo disco, entregando um álbum que combina sofisticação sonora com crítica social afiada. O disco é coeso, ousado e profundamente brasileiro, trazendo samples que representam a diversidade sonora brasileira. Mais do que rimar bem, Don L cria imagens complexas, denuncia as contradições do capitalismo e da sociedade digital, tudo sem soar panfletário. É um álbum que exige atenção, mas recompensa cada escuta com camadas novas, tanto na produção quanto nas ideias. O rapper favorito do seu rapper favorito prova porque carrega esse título, um trabalho consistente e relevante do rap nacional contemporâneo. – João Pedro Cabral
Duquesa – SIX.
Duquesa traduz a experiência dos últimos anos de business no álbum, escancarando o racismo e os percalços do glamour enquanto uma rapper feminina conquistando seu barulho e seu lugar. Sem a menor timidez em falar de negócios e ambições, a baiana sustenta e sabe que merece muito mais em um cenário tão sudestino. A faixa destaque do álbum tem participação da IORIGUN, banda também de Feira de Santana, no rock “Toda Garota Como Eu”. — Rachel Sousa
Ebony – KM2
Pra quem acompanha a Ebony desde antes do Visão Periférica isso já era claro. Mas com o holofote jogado nela em proporção nacional depois de desafiar os rappers masculinos em Espero Que Entendam, ela fez o que pouquíssimos fariam: ficou ainda mais corajosa. As letras do KM2 te levam da angústia e revolta à raiva e ao tesão. Sem papas na língua, ela aborda abusos e violências tanto policiais quanto sexuais e psicológicas, mesclando sua vivência pessoal com a comunitária, fazendo um retrato do que é viver na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Tudo isso sem perder sua individualidade, autonomia e tesão. É um álbum que não precisava de feats para ser completo, mas Black Alien chega com a cereja do bolo coroando a Milena de Queimados como uma das maiores da cena. — Rachel Sousa
FBC – Assaltos e Batidas
Depois de dois discos mais experimentais, FBC retorna às origens e traz um excelente álbum de rap. O artista transforma histórias de rua, festas e caos cotidiano em um retrato irônico de um país que funciona mal para muita gente. A política entra sem slogan: está na violência normalizada, na relação tensa com a polícia, no corre por dinheiro, na sensação constante de risco e improviso, tudo consequência direta de decisões que vêm de cima e nunca chegam direito embaixo. Entre batidas dançantes e letras metáforas e até irônicas, o disco mostra como a vida urbana é atravessada por desigualdade, abandono do Estado e escolhas quase sempre limitadas. FBC não discursa, ele narra, e justamente por isso a crítica política bate mais forte: o absurdo vira rotina, a sobrevivência vira entretenimento, e o ouvinte percebe que nada ali é acaso. — João Pedro Cabral
Fernando Motta – Movimento Algum
Acima de tudo, viva os ruídos que preenchem cada canto desse disco do Fernando Motta. O artista mineiro fez tanto com esse lançamento que a imprensa pôde apenas se desdobrar pra tentar conceituar o que saiu daqui – um abraço pro ótimo termo “slowborges” do Bruno Capelas no Programa de Indie e a síntese do Alexandre Matias da cena “indie-come-quieto” de Belo Horizonte. Um álbum que te aterrissa e solta ao mesmo tempo, com um shoegaze que te faz, na verdade, querer olhar pro céu. – Maria Luísa Rodrigues
Gab Ferreira – Carrossel
Gab retorna ao indie com maestria. Com Carrossel, criou sua própria linguagem e universo num álbum que traz uma linguagem bastante experimental mas ao mesmo tempo bem comercial, se aproximando de um pop bem garota anos 90 que caiu muito bem no storytelling que descreve bem o disco. Um dos melhores do ano e faz Gab ressurgir muito bem para o cenário da música em 2026. — Alexandre Giglio
Gabriel Ventura – Pra Me Lembrar de Insistir
Gabriel Ventura é um dos artistas que mais tem a capacidade de mexer com corações nesse Brasil. Mesmo sabendo disso, ainda dá pra se surpreender com a quantidade de emoção que cabe no seu novo disco. Na verdade, que o extrapola. Parece que a voz suave do Ventura e suas composições te arrancam pela garganta o que você nem sabia que estava lá. É uma carta de amor densa, tumultuosa (menos que de costume) e bonita. E ganha ainda mais peso ao vivo, não deixe passar a chance de ver. – Maria Luísa Rodrigues
Gaby Amarantos – ROCK DOIDO
Talvez esse seja o disco mais comentado de 2025, e com razão. Gaby Amarantos, há tempos firme na missão de trazer visibilidade para a música do Pará, dessa vez se reinventa num formato original e consegue tornar o movimento do rock doido um fenômeno de curiosidade nacional. Em apenas trinta e sete minutos e sob o grande guarda-chuva do tecnobrega, ela resgata uma diversidade surpreendente de gêneros e influências que compõem o panorama da música paraense, e transforma essa mistura numa narrativa brilhante e bem humorada que capta a energia de uma noite de festa de aparelhagem em Belém. — Rafinha Murad
Irmãs de Pau – Gambiarra Chic, Pt. 2
As irmãs favoritas do Brasil chegaram com mais uma prática de seus estudos de Estéticas Sonoras e Visuais da Putaria Brasileira. Nesse casamento perfeito entre funk e música eletrônica, o disco é um trabalho de muitas mãos com alguns parceiros de longa data e outros colaboradores inéditos, todos ajudando na reimaginação da estética do funk aos olhos de corpos trans por meio do som e do visual. “Quem vê close, não vê corre”, mas aqui elas mostram muito do corre, dos perrengues e das gambiarras para alcançarem suas conquistas luxuosas, sempre confundindo e causando. – Rafinha Murad
Jadsa – BIG BURACO
Essa lista não é um ranking, mas se fosse… Jadsa abre BIG BURACO com um mantra quase universal, cravando de cara o desejo mor dessa vida: “indefinidamente, viver bem, comer bem, dormir bem, falar legal”. A artista baiana acalenta mais que qualquer coisa nesse disco em que celebra as diferentes fases do amor. Tem hit digno de trilha de novela das 21h, com “Sol na Pele”, e não tem caixa que segure quando Jadsa quer pensar fora dela, como na fantástica “1000 sensations”. Um álbum que não dá brecha pra você pular música. Buraco pra se jogar sem medo. – Maria Luísa Rodrigues
Jambu – MANAUERO
Não tem outra opção além de deslocar o eixo do indie pop brasileiro se você não quiser perder discos divertidos como este. Dá pra notar a evolução da banda: tocando e compondo melhor, com visual mais profissa e, o mais legal, envolvendo fácil durante o disco todo. É refrão chiclete atrás de refrão chiclete. Em MANAUERO, a Jambu soa abrangente o suficiente pra ganhar o palcos dos pequenos e grandes festivais, mas sem abrir mão da personalidade que a diferencia das poucas bandas-pop que ainda resistem no país. – Maria Luísa Rodrigues
Janvi – VEMSER
Um disco sensível que traz bastante da essência do rap, neo-soul, e R&B, em que Janvi consegue hipnotizar com seu flow e voz. Em algumas faixas, é como se estivesse ouvindo até um lo-fi hiphop de fundo com aquele barulhinho de chuva no fundo, mas ao mesmo tempo consegue ser bem profundo em suas letras e referências. É um disco simples, objetivo e direto — nada de enrolação ou faixas experimentais, ela chega e mostra o que é esse disco. Foda, sensível e de fácil identificação. — Alexandre Giglio
João Selva – Onda
Onda é um disco que consegue mesclar a velha com a nova MPB, trazendo o melhor do Brasil (literalmente) pra esse storytelling. É como se você passasse por diversas épocas do Brasil e conseguisse imaginar aquele cenário ora vintage, ora moderno. Uma hora parece estar em Copacabana nos anos 70, outra hora em um outro lugar completamente diferente… Um baita de um disco em que poucas pessoas se ligaram. — Alexandre Giglio
Joaquim – Varanda dos Palpites
Um dos discos que mais me impressionaram em 2025 e um dos mais subestimados. Joaquim traz sentimentalismo, voz e dor pra esse disco. É lindo, emocionante, apaixonante, feito para quem está apaixonado ou até quem está com o coração partido. A cada música, Joaquim consegue passar diversas emoções, entrando nesse personagem do disco, se identificando com as letras e até se imaginando dentro delas. Fora que os arranjos e produção desse disco vão além. — Alexandre Giglio
Jovens Ateus – Vol. 1
Uma das mais gratas surpresas desse ano foram os Jovens Ateus que trouxeram aquele som que todos nós amamos. Podemos chamar eles de filhos do Molchat Doma com The Cure? Talvez. Eles chegam com dark-wave, pós-punk e indie, fazendo dessa salada mista um dos melhores discos do ano. Aquele disco bem cru, que traz essa estética total dessa época e artistas. Na música você enxerga escuridão, dor e ao mesmo tempo a nostalgia de ouvir esse som que marcou uma geração feita por jovens que tendem a crescer cada vez mais com esse projeto. — Alexandre Giglio
Leall – Você Precisa do Álibi
Leall chega com Você Precisa do Álibi mostrando que tá afiado, consciente e confortável dentro do próprio som. É um EP curto, mas bastante certeiro, sem desperdício. É direto, provocativo e reflexivo ao mesmo tempo, usando o rap como ferramenta pra falar de sobrevivência, sistema e contradições. O clima do disco é tenso. Leall rima com clareza, ironia e inteligência, sempre passando essa sensação de estar alguns passos à frente, observando tudo com atenção. É cru, é honesto, é inquieto. Um dos melhores discos de rap de 2025. – Alexandre Giglio
Lorena Moura – Mata-Leão
Mais uma grata surpresa do ano. Lorena Moura estreia com seu disco “Mata-Leão”, lançado pela Cavaca Records em 2025, que traz uma mistura de gêneros que consegue deixar em evidência o talento e a voz de Lorena. É intimista, delicado, e pessoal, com faixas que vão transitando por essa nova-mpb-indie-pop-voz-violão e com uma voz encantadora, mostrando que precisamos ficar de olho nesse nome. — Alexandre Giglio
Luedji Luna – Um Mar Pra Cada Um,
Demorou, mas ela se encontrou. Depois de aventuras por diferentes possibilidades, parece que Luedji Luna descobriu seu pertencimento definitivo ao jazz, e entregou um trabalho fruto de suas investigações profundas sobre o amor com uma execução instrumental elegante e finíssima. Ela mesma destaca a presença massiva de sopros neste trabalho como forma de ilustrar a busca pelo divino e pelo supremo no amor, e finaliza com prestígio a trilha iniciada em 2020 com “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água”. – Rafinha Murad
Lupe de Lupe – Amor
Amor é um disco que me ganha na insistência. A Lupe de Lupe deixa as músicas correrem soltas, repete ideias, aumenta o volume e vai puxando o sentimento junto, sem pressa de chegar a algum lugar. As letras grudam, ficam ecoando, cheias de drama e entrega, daquele jeito meio obsessivo que a banda sabe fazer bem. Não é um álbum polido nem preocupado em soar bonito o tempo todo, mas é justamente isso que faz ele funcionar: tudo ali parece dito no calor do momento, com verdade e personalidade. — João Pedro Cabral
Maré Tardia – Sem Diversão Pra Mim
Poucas coisas mais pelo #rock este ano do que a vontade imensa de berrar o refrão de Tarde Demais assim que se ouve a faixa pela primeira vez. É um disco que dá orgulho de ter visto o Maré Tardia crescer (quase literalmente, porque o baixista Canni era querido membro do falecido grupo QG Minuto Indie do WhatsApp há uma década). Daqueles surf punk que soam como o imaginário de juventude de quem viveu os anos 2000, e a voz do Gus Lacerda ajuda a dar esse tom. Divertido, mas nada batido. Um respiro na onda de indies tão pra baixo dos últimos anos em território nacional. Nada cínico, para pular entre os lamentos. — Maria Luísa Rodrigues.
Marina Sena – Coisas Naturais
Coisas Naturais é uma celebração da música brasileira em sua diversidade e vitalidade. Marina Sena percorre ritmos marcantes da nossa cultura, do pop ao funk, do funk ao reggae, e assim faz com naturalidade e carinho, sem nunca soar forçada ou caricata. As letras giram em torno do amor e de tudo que ele movimenta: o desejo, a dúvida, a entrega. No entanto, Marina trata esses temas com uma leveza que é só dela, encontrando beleza no cotidiano e na emoção simples. É um disco que valoriza o Brasil musical, diferente de qualquer obra já apresentada por ela, sem nostalgia, olhando para frente com autenticidade. – João Pedro Cabral
Mateus Aleluia – Mateus Aleluia
Aos 82 anos, Mateus Aleluia entregou um dos discos mais bonitos e profundos do ano. A voz dele é carro-chefe, aprofundando ainda mais essa melancolia amorosa e poética, que passeia entre o positivo e o dolorido ao longo do projeto. É daqueles discos que parecem sussurrar no seu ouvido e ir aos pouquinhos te convencendo da beleza dele. Mas o som não fica atrás, com teclas e orquestras belíssimas. Disco para se emocionar e sofrer muito. — Alexandre Giglio
Maui – Melodia&Barulho
Para quem acompanha a cena da Baixada Fluminense, Maui já é um velho conhecido. Em 2025, com Melodia&Barulho, chegou a vez dele se expandir a nível nacional com um projeto bastante ambicioso e singular, mas acima de tudo fantástico. No álbum, são muitos os colaboradores, assim como são muitos os gêneros musicais explorados. Ele reúne diversos cantores, DJs e produtores que constroem a cena alternativa eletrônica ao seu lado para dar o sabor especial desse som que joga com o drum n bass e o grime, mas não deixa de passar pelo funk, o pagode e até o reggae. O acúmulo diverso de referências musicais ilumina as composições que narram dilemas da vida adulta, especialmente aqueles que atravessam as ambições e as barreiras do corre artístico sob a perspectiva da periferia, com músicas perfeitas tanto para pensar quanto para dançar. – Rafinha Murad
Menores Atos – FIM DO MUNDO
Lançado no primeiro semestre, logo no começo do ano, Menores Atos simplesmente chegou com dois pés na porta pra acordar a cena com seu disco “”FIM DO MUNDO”. É daqueles discos que te fazem sentir diversas emoções ao adentrar esse mundo sonoro, de mágoas e raivas. Bastante sentimental, profundo, trazendo o melhor e talvez o prime do Menores Atos, colocando a banda ali pra fazer novas experimentações dentro da eletrônica, misturando o hardcore-indie-rock que eles fazem de melhor. — Alexandre Giglio
NAIMACULADA – A Cor Mais Próxima do Cinza
Destaque da cena, NAIMACULADA felizmente conseguiu colocar dentro desse disco o que eles tem de melhor: fazer barulho e entregar tudo no palco. Uma das melhores bandas que você pode ver ao vivo, tanto pela potência do show, como também da entrega. Um disco que navega com experimentalismo, rock, psicodelia, brasilidades e traz esse cinza honesto e dolorido típico da cidade de São Paulo. Fiquem de olho. — Alexandre Giglio
Nyron Higor – Nyron Higor
Esse disco foi uma descoberta por acaso, vi em algum Stories e me pegou logo de cara. A capa convenceu, dei play e pronto, viciei. É bonito, leve e emociona de cara. O Nyron é um multiinstrumentista de Manaus e conta com uma galera boa nesse trabalho também, como o Bruno Berle. Espere samba e MPB que poderia ser trilha de videogame ou de novela. Um daqueles trabalhos que tocam fundo, sem precisar dizer muito. Lindo. – Alexandre Giglio
Paira – EP02
Eles conseguiram de novo. Se Paira foi promessa em 2024, esse ano eles voltaram pra se afirmar como peça-única e também peça-chave do indie brasileiro contemporâneo. Cinco músicas bonitas e dolorosas como o esperado, mas com bases ainda mais ousadas. Eles ficaram simultaneamente mais ritmados, como em Pra Sonhar, e mais filhos de Radiohead, como em Como Ficar. Um EP de hits que, afirmamos mais uma vez, vão ajudar a redefinir o que entendemos por indie BR daqui pra frente. – Maria Luísa Rodrigues
Pelados – contato
Talvez meu disco favorito e mais divertido do ano. Sempre fui muito fã, e o que eles entregaram neste disco é algo que me surpreendeu muito. Tem muita coisa: misturas, brisas, conversas de whatsapp e críticas muito afiadas ao nosso cotidiano, entregues de uma forma bem inventiva. Fazer o que a Pelados faz pode ser até considerado “desleixado” ou “despretensioso” para muitos, mas isso na verdade é só uma roupagem para a genialidade deles no disco. Caso você não tenha feito nenhum contato com eles ainda, essa é a melhor forma de se conectar com algo que vai te surpreender do começo ao fim. Minimamente Top 5 do ano. — Alexandre Giglio
Phylipe Nunes Araújo – Phylipe Nunes Araújo
Quando escutei esse disco, imaginei tantas coisas. É um disco extremamente intimista, cru e profundo, daqueles que parecem ser feitos para ouvir sem pressa. Ele traz o melhor das referências brasileiras, misturando canções pop bem voz e violão com ritmos nordestinos como o baião e o coco, tudo atravessado por riffs mais contemporâneos, que atualizam esse som sem perder a essência. A voz é linda, delicada, e em vários momentos você acaba imaginando Tim Bernardes, Bruno Berle ou até o Teago Oliveira, do Maglore, dentro do disco. Existe essa fragilidade, esse jeito de cantar que soa próximo, quase como uma conversa. Um álbum que cria imagens, sensações, e que vai ficando com você mesmo depois que acaba. — Alexandre Giglio
Rei Lacoste – O Que Você Ouve / O Que Houve Com Você
Um dos projetos mais subestimados do ano. Rei Lacoste chegou muito bem acompanhado nessa mixtape, recebendo Giovani Cidreira, Juçara Marçal, Tangolo Mangos e muito mais para criar um universo que vai do reggaeton ao sample de city pop. Sozinho mesmo ele ficou só em uma faixa, justamente na Fique Comigo. O projeto tá repleto de músicas chicletes que nasceram com gostinho de hit, como as excelentes Sem Contrato e Agora Que o Tempo Voa. Soa como a trilha sonora de um verão eclético, como os melhores são. – Maria Luísa Rodrigues
Sessa – Pequena Vertigem de Amor
Sessa traz sensualidade com um mix etéreo dentro do seu novo disco, numa linguagem linda, calma e bastante sensível. Em diversos momentos do disco fiquei me imaginando dentro desse mundo. Muitas vezes achei que estava em uma trilha sonora de um filme, mas na verdade é a trilha sonora da vida de Sessa trazendo esse lado mais sentimental e sublime para o seu novo projeto. É aquele disco fino, que exige ser escutado em um som de alta qualidade com um whisky do lado, mas ao mesmo tempo também te permite se imaginar de havaianas no pé com seu cigarro andando por alguma calçada do Brasil. A produção desse disco é impecável. — Alexandre Giglio
Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro – Handycam
Um disco que parece apertar o rec e simplesmente deixar a vida acontecer. Handycam é cru, direto e sem firula, como se Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro ligassem uma câmera de mão e cantassem tudo de muito perto, sem distância entre artista e ouvinte. É um mix de Indie-mpb, com política atravessando o nosso cotidiano, afeto e luto tratado sem dramatização. Um dos discos mais sinceros de 2025. As músicas falam de amor, juventude, amizade e guerra sem virar discurso vazio. É um álbum curto, mas que cresce depois que acaba, daqueles que ficam ecoando na cabeça. — Alexandre Giglio
Tagua Tagua – RAIO
Tagua Tagua é um dos artistas mais criativos por aí, sempre criando uma identidade incrível em seus discos que passa por linguagem, artes, texturas e som. Poucos artistas conseguem criar uma atmosfera indie-pop-psych tão própria, que até aponta para algumas referências ao longo do caminho, mas nada que seja igual ou sequer similar. Esse disco traz um Tagua mais maduro, direto e objetivo. — Alexandre Giglio
Teago Oliveira – Canções do Velho Mundo
Canções do Velho Mundo é daqueles discos que não precisam gritar pra chamar atenção. Tudo aqui é direto, quente e cheio de detalhes que vão crescendo com o tempo. As músicas falam de memória, rotina, afeto e vida real, sem enrolação, mas com um cuidado enorme em cada momento. Esse “velho mundo” não é nostalgia, é mais sobre desacelerar e prestar atenção. O disco passeia por MPB, folk e um soft rock vibes anos 70. As canções crescem devagar e te convidam a ouvir sem distração. É um álbum curto, mas que fica. Em meio a tanto caos, Canções do Velho Mundo encontra a medida certa do som e entrega um disco simples, bonito e muito presente. — Alexandre Giglio
Terno Rei – Nenhuma Estrela
Difícil alguém argumentar que esse não é o melhor trabalho da carreira do Terno Rei até aqui. Com a caneta mais certeira que nunca, as composições do Ale Sater – com colaborações pontuais dos outros integrantes – acompanham o som que transborda a maturidade de uma banda que toca junto há mais de uma década. Uma leva de Canções com C maiúsculo, daquelas que dão vontade de cantar berrando. Nenhuma Estrela é a confirmação de que o Terno Rei é uma das maiores bandas alternativas do Brasil hoje – se não a maior. Quando liberarem bandas como figuras pop de novo (se acontecer), eles estão prontos como primeiros da fila pra assumir esse papel. – Maria Luísa Rodrigues
terraplana – natural
Natural mostra uma Terraplana mais consciente do próprio som, mas sem medo de arriscar. Em uma entrevista realizada com nossa equipe, a banda já dizia flertar com outras sonoridades em seu novo disco, e esse é o resultado. O disco soa como um passo à frente: as guitarras continuam criando aquele ambiente etéreo e distorcido típico do shoegaze, mas agora com mais clareza e direção. Gosto de como eles equilibram peso e melodia; é um disco que vibra vulnerabilidade e entrega, e que confirma a terraplana como uma das bandas mais interessantes do shoegaze brasileiro atual. – João Pedro Cabral
Tutu Nana – Masculine Assemblage
Tuta Naná é uma das bandas mais subestimadas da nossa cena independente, e fez um dos discos que mais ouvi esse ano. Uma viagem experimental/jam session, que mistura o que a banda tem de melhor, desde post-rock, krautrock e jazz. Sei lá, ele te leva para vários lugares desde lados mais introspectivos, sombrios, cada faixa te leva pra um mundo diferente e te faz viajar e entrar nesse mundo criado. Tem bastante textura, você vê que é orgânico e que isso mostra o quanto a banda é sincronizada e como eles se conectam ali fazendo toda essa experimentação dentro do disco. Uma das brisas mais legais que tive em 2025 foi escutar Tutu Nana. — Alexandre Giglio
Urias – CARRANCA
Neste disco, Urias abandona o pop mainstream dos trabalhos e adota sonoridades afro-brasileiras. O ponto alto é a canção “Voz do Brasil”, que desconstrói o hino de Carlos Gomes em um manifesto anticolonialista com Major RD. Produzido por Gorky e Maffalda, o álbum atravessa o R&B minimalista e o hip-hop carregado de jazz. Liberdade aqui não é promessa, é uma vingança ancestral, onde Urias com precisão poética e política, transforma isso em um dos melhores discos da música brasileira em 2025. — Duda Rocha
Valentim Frateschi – ESTREITO
Pra mim, de longe, a revelação do ano. Um dos discos que mais me surpreenderam em 2025, principalmente pela forma como Valentim consegue juntar letras, melodias, texturas e criatividade num nível muito acima da média. Estreito é uma estreia gigante, daquelas que já chegam com identidade e personalidade. Logo na primeira faixa você entende: esse disco é diferente, ele pede atenção, pede escuta, pede tempo. É um álbum que passeia por muitas nuances, MPB, jazz, indie, soul, psicodelia, tudo costurado de um jeito muito próprio. Uma estreia absurda e corajosa. — Alexandre Giglio
Vovô Bebê – Bad English
Com um inglês nada bad, Vovô Bebê entrega 11 faixas que fazem um resgate interessante de suas influências adolescentes como guia sonoro do disco, marcado especialmente por guitarras afiadas que ecoam o rock dos anos 90. Dá pra enxergar toques de psicodelia e até traços dos tempos de Jovem Guarda, mas a fonte de inspiração mais clara é Bowie, marcada não só no som, mas também na releitura da capa do Black Star com sua estrelinha torta. Vovô Bebê há tempos se mostra um dos artistas mais interessantes da cena do Rio, e ainda tem a sorte de estar acompanhado de músicos e produtores que estão por trás do imaginário sonoro contemporâneo carioca. — Rafinha Murad
YMA – Sentimental Palace
O Sentimental Palace é daqueles discos que não ficam só no ouvido, porque tudo acontece dentro da sua cabeça. A cada faixa, YMA te puxa para um novo capítulo, uma nova sensação, como se você estivesse atravessando cenas diferentes de um filme que muda de clima o tempo todo. Em dado momento é tudo dramático, intenso, quase confessional e no outro, fica nebuloso, frenético, meio caótico. E você vai se deixando levar, hipnotizado, entrando nesse storytelling sem perceber quando foi fisgado. YMA mistura pop, art-pop, experimentalismo e várias outras referências sem medo de arriscar, criando um som que soa moderno, inquieto e muito pessoal. Um dos discos mais bonitos de 2025. — Alexandre Giglio
Zé Ibarra – AFIM
O segundo álbum de estúdio do projeto de Zé Ibarra, AFIM, é mais leve e despojado do que sua estreia, “Marques, 256”. Alterna entre composições autorais e de amigos, numa jornada de autodescoberta, construindo um disco cativante, que termina de forma emblemática com “Hexagrama 28”. — Hildegardis Lima
