
É tempo de rap político. Opositor à ideia de ceder àquilo que é bem visto aos olhos do sistema, FBC chegou esse ano com Assaltos e Batidas, seu quarto disco de estúdio, diferente de tudo que já tinha feito antes. E pouco depois de rodar algumas capitais, chegou a vez do Rio de Janeiro, que carregava uma promessa tão grande que lhe rendeu a escolha de cidade para gravação do álbum ao vivo.
De fato, ao vivo, Assaltos e Batidas toma outra proporção. Com teor altamente explosivo, o álbum é tocado na íntegra e de forma que a combinação de energia do palco e do público faz parecer um disco construído em conjunto. Os princípios de luta coletiva defendidos nas letras refletem na apresentação como se os gritos da plateia fossem parte inerente das músicas. FBC não está sozinho em nenhum momento, seja acompanhado pela legião de fãs ou pela banda completa com músicos de altíssimo calibre no palco.

Dada sua versatilidade artística, o show se mostra musicalmente muito rico, passeando pelo hip hop, jazz, funk e rap. Em seu discurso, essa mistura de gêneros aliada às letras afiadas e combativas são formas de resistir ao conservadorismo da elite musical belorizontina, ainda muito quadrada quanto ao som vindo das periferias. E como bom mineiro, rolou até distribuição de Xeque Mate para alguns sortudos da plateia.
O show tem uma segmentação clara de duas partes, entre as faixas do novo disco com tom de urgência, e seus outros momentos da carreira, quase como uma dança em meio à destruição do planeta e ruína do sistema. É assim que se dá a transição pro Baile (2021), nome do disco mais aclamado de FBC e que não carrega esse nome à toa. Para inaugurar esse segmento do show, a faixa escolhida foi Polícia Covarde, prudente para esse momento da carreira em que o político não fica de lado em momento algum e que considera a curtição como forma de resistência.

Outros trabalhos antigos não ficam de fora, como o querido pelos fãs PADRIM (2019) e futurístico O Amor, O Perdão e a Tecnologia Irão Nos Levar Para Outro Planeta (2023), que já soa tão distante de seu som atual. Depois de muito expurgar a raiva e dançar até cansar, ele encerra com a sequência dos hits de Baile, Delírios – Se tá Solteira – De Kenner, até fechar reduzindo a marcha com Se Eu Não Te Cantar.
É bonito ver que o público compra a ideia de todas as suas fases. A vibe até muda, mas o envolvimento não. Fica visível tanto a consolidação de FBC como artista versátil relevante para o cenário musical brasileiro, quanto a união da fé e da força pela qual ele tanto preza em suas canções.
