
Thundercat está de volta ao Brasil para turnê por São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba (e esse aconteceu de verdade)
O poder e a virtude de Thundercat no palco são realmente de outro mundo. Depois de cancelar alguns shows solo pelo Brasil em 2023, ele volta agora em uma turnê em quatro cidades entre Sul e Sudeste. Pela qualidade de seu espetáculo ao vivo que vimos no Circo Voador, dá pra dizer que foi totalmente perdoado.
Sua discografia autoral conta com 5 álbuns desde 2011 e é dela que parte o repertório escolhido do show, sendo esses projetos o espaço em que ele explora o groove e as letras bem humoradas. Em paralelo, ele acumula colaborações gigantescas, com nomes como Kamasi Washington (que também chega ao Brasil pra turnê na semana seguinte) e Childish Gambino, além de ter deixado sua marca no vencedor do Grammy To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar. Foi assim que Thundercat conquistou seu posto como um dos principais músicos atuais da cena de jazz de Los Angeles.
A simpatia no rosto de Stephen, nome por trás da persona Thundercat, fica evidente desde o momento da entrada no palco, mas antes de se apresentar formalmente, acompanhado de seu contrabaixo de seis cordas vermelho brilhante, ele mostra o que veio fazer.

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Os primeiros 10 minutos de show foram de uma improvisação instrumental totalmente desenfreada, já colocando o pé na porta, sob medida para os apreciadores de um bom jazz.
Apenas dois instrumentos acompanham seu baixo poderoso: teclado e bateria, comandados por Dennis Hamm e Justin Brown respectivamente, que conseguem tranquilamente se colocar à mesma altura de calibre musical. Não dá mesmo pra falar desse show sem falar de Brown, que muitas vezes é quem dá o tom e hipnotiza a plateia com solos aceleradíssimos.
Depois dessa entrada triunfal, os ânimos foram se acalmando e ele ficou mais brincalhão com a plateia, dedicando “Overseas” aos fãs brasileiros pela menção a Brazil na letra. Teve hora da historinha também, compartilhando seu processo de composição do disco It Is What It Is com o instrumentista brasileiro Pedro Martins, e aproveitou para emendar na faixa de parceria dos dois, “Isn’t It Strange”.
A agitação instrumental deu lugar para um R&B pouco mais chill, como nas faixas “Black Qualls”, “Funny Thing” e “Dragonball Durag” (hit!), além de apresentar novas faixas com exclusividade para o público presente. Esse é o momento do show que conta com apresentações mais convencionais, conforme as gravações em estúdio. Apesar de letrista e vocalista, suas habilidades como baixista ofuscam esses outros elementos, e o fio condutor do show se dá absolutamente pelos espetáculos instrumentais.

Nenhum artista, especialmente no Brasil, consegue escapar das fan favorites e dos grandes hits, e esse é o caso de Thundercat com “Them Changes”. Teve até grito de pedido de fãs ao longo do show, mas acabou ficando pra fechar com chave de ouro. Ele deixou o palco com aplausos de sobra, mas não sem antes voltar para um bis que incluía “It Is What It Is” e uma outra faixa a ser lançada em breve.
Fato é que ninguém sai ileso desse show. Por um lado, considerando a variedade do público presente, é possível dizer que a experiência do show possa ter sido levemente frustrante para aqueles que esperam ouvir uma mera reprodução de seus álbuns de estúdio, porque Thundercat realmente aproveita o palco para explorar outras possibilidades sonoras. Mas no geral, para os aficionados por música, é fascinante assistir um artista tão genial e talentoso, que preza tanto pela inventividade.
