★ Lançamento

QUASE RESENHA: Thunderball – Ninguém pediu. Obrigado.

créditos: divulgação
créditos: divulgação

Com eletrônica experimental, sludge viscoso e riffs que parecem saídos de um pântano industrial, os Melvins provam no vigésimo oitavo disco que ainda sabem soar imprevisíveis

Imagina só, você tem uma banda, com mais quarenta anos na estrada, e lança o seu vigésimo oitavo disco de estúdio. Para qualquer outra banda, isso seria sinal de alerta. Pergunte isso aos Melvins, eles dirão que é só mais uma terça-feira.

Thunderball chega sob o alias Melvins 1983 — a formação que reúne Buzz Osborne com Mike Dillard, o baterista original da banda que sumiu em 1984 e que reaparece aqui como se nunca tivesse ido a lugar nenhum. E ainda jogam na mistura dois músicos eletrônicos de Atlanta, Void Manes e Ni Maîtres, creditados com coisas como “ruído, vocais de máquina assustadora” e “baixo acústico, gestos com as mãos”. Gestos com as mãos. Isso já te diz tudo sobre o tipo de disco que você vai ouvir.

São cinco faixas em pouco mais de 34 minutos, e o espaço é usado com uma inteligência que envergonha álbuns com o dobro, até mesmo, o triplo de músicas. “King of Rome” abre sem cerimônia — riff direto, groove pesado, Buzz soando exatamente como Buzz. Funciona porque não tenta ser nada além do que é. Aí vem “Vomit of Clarity”, dois minutos de interlúdio instrumental cheio de ruídos eletrônicos que gurgulejam entre as faixas como se o disco precisasse tomar fôlego antes do que vem a seguir.

E o que vem a seguir é “Short Hair With a Wig” — doze minutos que começam em tensão sussurrada e escalam pra algo grande, pesado e estranhamente acessível. É o tipo de faixa que os Melvins fazem parecer fácil e que ninguém mais consegue fazer.

“Victory of the Pyramids” fecha o lado A conceitual do disco com dez minutos que começam quase pop — deceptivamente animados — antes de afundar no sludge visceral que é a marca registrada deles. É a faixa mais intensa do álbum e provavelmente a que vai ficar.

O que me surpreendeu é que a adição eletrônica não soa como experimento forçado. Void Manes e Ni Maîtres não chegam para modernizar os Melvins — eles simplesmente entram na lama junto. E a lama soa melhor por causa disso.

Quarenta anos de carreira, vinte e oito discos, e eles ainda parecem não ter absolutamente nenhum interesse em facilitar as coisas para você. Não é para todo mundo. Mas significa o que é, Thunderball é exatamente o que precisava ser. Sujo, longo e moderno.

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