
A disputa de gigantes começou mais cedo esse ano. Em meio a excelentes lançamentos em alta quantidade, a equipe do Minuto Indie resolveu selecionar os 50 melhores álbuns de 2025 até aqui. A lista, organizada em ordem alfabética, conta com uma variedade de gêneros, estilos e nacionalidades, mostrando que tem muita novidade interessante rolando por aí. Aproveitem as escutas, e nos vemos novamente em dezembro com as listas de fim de ano.
Alabaster DePlume – A Blade Because A Blade Is Whole
Alabaster DePlume entrega nesse disco um spoken word com jazz espiritual que te leva além da obra. Existem elementos viscerais, completos e profundos que marcam sua obra como uma das mais interessantes que rolaram em 2025. É aquele disco que te dá calafrios, te traz memórias e te leva para milhões de lugares e sensações, e uma de suas partes mais legais é girar em torno da ideia de uma “lâmina” que pode tanto ferir quanto curar. Ele incentiva a abraçar a dor como um catalisador para o crescimento e o perdão, ao mesmo tempo que promove a autocompaixão e a gentileza consigo mesmo. – Alexandre Giglio
Alberto Continentino – Cabeça a Mil e o Corpo Lento
Ainda bem que um dos maiores baixistas dessa geração resolveu colocar no mundo um projeto solo. Cabeça a Mil e o Corpo Lento é um retrato perfeito do que tem se passado nas mentes e nos ouvidos de uma geração, com sonoridade pop-jazz e bastante marcado pelas parcerias com mulheres artistas nos vocais da maior parte das faixas. No geral, o disco coloca em evidência as qualidades de Continentino também como compositor e produtor, que dominou todo o processo e mostrou sucesso em todas as etapas. – Rafinha Murad
Amor Elefante – Amigas
Como é maravilhoso se surpreender com a cena indie em discos luminosos como Amigas. Neste álbum, o quarteto argentino Amor Elefante explora o vínculo afetivo mais sincero de todos — a amizade — em canções cheias de riffs envolventes e melodias que flertam com o pop de forma inteligente, sem jamais soar descompromissadas. Quem disse que o amor não-romântico precisa ficar em segundo plano? Aqui, o afeto e os laços do cotidiano brilham em um indie que praticamente nos abraça, convidando a espalhar pelo mundo esse sentimento tão reconfortante. Uma declaração de amor a todes que nos cercam por afinidades, e não por laço sanguíneo. – Duda Rocha
Azymuth – Marca Passo
O Azymuth está de volta com mais um disco pra lembrar porque eles são as lendas que são. É sutil e memorável na mesma medida, dando sequência à sonoridade icônica da banda: entre o jazz, o samba, a bossa nova e suas variações de grooves que pegam até os mais desavisados. É leve, mas ganha um peso emocional maior quando chega – quase ao final – em “Samba Pro Mamão”, faixa em homenagem ao baterista da banda, que faleceu em 2023. Bonito. É um disco de brilhos, pra refrescar no calor e lembrar que o Azymuth é sempre uma boa pedida. – Maria Luísa Rodrigues
Bad Bunny – Debí Tirar Más Fotos
Neste disco, o porto-riquenho redefine o conceito de “pop latino”, mergulhando em uma construção sonora carregada de memórias, vulnerabilidades e questões identitárias. Se em Un Verano Sin Ti (2022) ele já conquistou o mundo, agora Bad Bunny explora suas origens de forma confessional: afronta os Estados Unidos, lança indiretas para Kendall Jenner e relembra seus antigos amores, sempre revelando a intensa relação com sua terra natal: Porto Rico. Benito transita com naturalidade do reggaeton minimalista às influências eletrônicas, sem medo de incluir ritmos regionais como salsa e plena. Aqui, o coelho mais famoso do mundo entrega sua obra mais honesta até agora, na qual o ritmo é menos sobre a pista e mais sobre as rachaduras emocionais que surgem após noites intensas sob holofotes. – Duda Rocha
betcover!! – 勇気
O melhor disco que fugiu do radar de boa parte das listas por aí. A banda japonesa faz o equilíbrio dos sonhos entre rock alternativo e jazz, com músicas que batem, surpreendem, movimentam e consolam durante os 38 minutos de duração do álbum. É caoticamente organizado. Vale ver os vídeos dos shows recentes no YouTube também. Uma aula. Enquanto isso, seguiremos sonhando com um show no Brasil. – Maria Luísa Rodrigues
billy woods – GOLLIWOG
Billy Woods nunca vai te entregar algo que seja fácil ou simples de entender. São sempre trabalhos que te fazem ir além. Esse álbum traz algo muito mais profundo, horripilante e agonizante, fazendo a obra se destacar muito com seu flow e letras nesse intimismo dark e até apocalíptico. Esse disco é um mix do encontro do rap com o caos, com trilha sonora de filmes e sound design, mostrando que é possível juntar tudo isso e fazer um dos melhores discos do ano. – Alexandre Giglio
Black Country, New Road – Forever Howlong
Os viúvos da era Isaac Wood podem não ficar satisfeitos, mas o BC,NR provou que ainda tem muito a mostrar. O disco chega com o peso de ser o primeiro gravado depois da saída do compositor e vocalista da banda (não contamos o ao vivo Live at Bush Hall). Mas chega bem, com produção assinada pelo gigante James Ford e músicas mais teatrais e menos dramáticas. Destaque para Georgia, Tyler e May que revezam os vocais e dão um novo tom pra banda, sem perder o que fez o BC,NR a banda que é hoje: a excelência. – Maria Luísa Rodrigues
Blondshell – If You Asked For a Picture
O segundo álbum da Blondshell é uma continuação do seu primeiro (e ótimo) trabalho, ressaltando essa capacidade dela de evoluir um som mesmo sem grandes invenções ou surpresas. Quase sempre soa como algo que já estamos “acostumados” a ouvir. Ela é feliz no simples, mas brilha justamente aí. Se destacar fazendo algo óbvio não é fácil e, às vezes, até datado. Porém, ela quebra isso fazendo sua voz, letras e refrões viciantes serem o grande destaque de um álbum que mostra que Blondshell veio pra ficar e ser um dos principais nomes da indie rock desses últimos anos. – Alexandre Giglio
Ca7riel & Paco Amoroso – PAPOTA
A ousadia da nova geração de artistas latinos é hoje um dos maiores motores da conexão cultural na América Latina. Em Papota, o duo argentino Ca7riel e Paco Amoroso eleva esse espírito anárquico ao nível máximo. Amigos de infância, já davam o que falar em carreiras solo, mas foi unindo forças que atingiram em cheio a cena latina. Em cada faixa, misturam trap psicodélico, riffs distorcidos de guitarra e um eletrônico hipnótico que captura o espírito do underground portenho. O disco é caos, energia e provocação, traduzidos numa grande festa que afronta todas as convenções e conservadorismos. – Duda Rocha
caroline – caroline 2
Olha a melancolia passando e deixando resquícios. Difícil ouvir o caroline 2 e esquecer. O bandão inglês (literalmente, com oito integrantes) fez um dos álbuns que mais nos marcou esse semestre. A faixa de abertura, “Total Euphoria”, cumpre perfeitamente o papel de dar o tom, introduzindo um disco que parece gritar até nos momentos mais calmos. Meio emo, meio shoegaze, meio indie, meio folk. Não dá pra ignorar a presença do som. Nebuloso e dolorido, do jeito que o inverno pede. – Maria Luísa Rodrigues
Deap Sea Diver – Billboard Heart
Billboard Heart, o mais novo disco do Deap Sea Diver, faz uma das melhores misturas do indie rock com o grunge. A vocalista Jessica Dobson consegue fazer esse mix ir além com: 1) letras profundas e identificáveis; 2) seu jeito de cantar que parece ir mais profundo e entrar em você, como se ouvisse a voz dela e imaginasse um filme ou história sendo contada pela música. O disco é singular, com um storytelling ótimo pra ouvir do começo ao fim sem enjoar. Não é óbvio, é diferente e impactante, mesmo sendo um indie rock tradicional. – Alexandre Giglio
Don L – Caro Vapor II – qual a forma de pagamento?
Don L atinge um nível impressionante nesse aguardadíssimo disco, entregando um álbum que combina sofisticação sonora com crítica social afiada. O disco é coeso, ousado e profundamente brasileiro, trazendo samples que representam a diversidade sonora brasileira. Mais do que rimar bem, Don L cria imagens complexas, denuncia as contradições do capitalismo e da sociedade digital, tudo sem soar panfletário. É um álbum que exige atenção, mas recompensa cada escuta com camadas novas, tanto na produção quanto nas ideias. O rapper favorito do seu rapper favorito prova porque carrega esse título, um trabalho consistente e relevante do rap nacional contemporâneo. – João Pedro Cabral
Fernando Motta – Movimento Algum
Acima de tudo, viva os ruídos que preenchem cada canto desse disco do Fernando Motta. O artista mineiro fez tanto com esse lançamento que a imprensa pôde apenas se desdobrar pra tentar conceituar o que saiu daqui – um abraço pro ótimo termo “slowborges” do Bruno Capelas no Programa de Indie e a síntese do Alexandre Matias da cena “indie-come-quieto” de Belo Horizonte. Um álbum que te aterrissa e solta ao mesmo tempo, com um shoegaze que te faz, na verdade, querer olhar pro céu. – Maria Luísa Rodrigues
FKA twigs – EUSEXUA
Em janeiro, já era consenso que esse disco seria um dos melhores do ano. EUSEXUA é diferente de todos os outros trabalhos de twigs, mas também tão magnífico quanto eles. Sem nunca temer a estranheza, aqui, ela propõe quase um body horror musical, distorcendo a própria forma corporal por meio do som e da dança. Musicalmente, o lado A do disco segue um caminho frenético pelas batidas marcantes e simula cenários de uma pista de dança, enquanto o lado B percorre a introspecção e a posição do corpo ao avesso como auge da vulnerabilidade. A escuta começa com uma vontade de se mexer, e termina com uma vontade de flutuar, impulsionada pelos seus vocais impecáveis como sempre. – Rafinha Murad
Gabriel Ventura – Pra Me Lembrar de Insistir
Gabriel Ventura é um dos artistas que mais tem a capacidade de mexer com corações nesse Brasil. Mesmo sabendo disso, ainda dá pra se surpreender com a quantidade de emoção que cabe no seu novo disco. Na verdade, que o extrapola. Parece que a voz suave do Ventura e suas composições te arrancam pela garganta o que você nem sabia que estava lá. É uma carta de amor densa, tumultuosa (menos que de costume) e bonita. E ganha ainda mais peso ao vivo, não deixe passar a chance de ver. – Maria Luísa Rodrigues
Horsegirl – Phonetics On and On
Todo ano tem uma banda indie que destoa das outras com seu novo álbum. Horsegirl consegue fazer nesse projeto algo que nasceu no seu primeiro disco, mas que agora segue além, mais maduro e grandioso. Mistura introspecção, emoção, letras e riffs que ficam na cabeça e que te fazem cantar junto, ou no mínimo se deliciar com a música até o final. É um som de certa forma simples, mas com um diferencial principal de um som em conjunto em que tudo se complementa com a voz da vocalista. Detalhe para a cereja do bolo: produção de Cate Le Bon. – Alexandre Giglio
Irmãs de Pau – Gambiarra Chic Pt 2
As irmãs favoritas do Brasil chegaram com mais uma prática de seus estudos de Estéticas Sonoras e Visuais da Putaria Brasileira. Nesse casamento perfeito entre funk e música eletrônica, o disco é um trabalho de muitas mãos com alguns parceiros de longa data e outros colaboradores inéditos, todos ajudando na reimaginação da estética do funk aos olhos de corpos trans por meio do som e do visual. “Quem vê close, não vê corre”, mas aqui elas mostram muito do corre, dos perrengues e das gambiarras para alcançarem suas conquistas luxuosas, sempre confundindo e causando. – Rafinha Murad
Jadsa – BIG BURACO
Essa lista não é um ranking, mas se fosse… Jadsa abre BIG BURACO com um mantra quase universal, cravando de cara o desejo mor dessa vida: “indefinidamente, viver bem, comer bem, dormir bem, falar legal”. A artista baiana acalenta mais que qualquer coisa nesse disco em que celebra as diferentes fases do amor. Tem hit digno de trilha de novela das 21h, com “Sol na Pele”, e não tem caixa que segure quando Jadsa quer pensar fora dela, como na fantástica “1000 sensations”. Um álbum que não dá brecha pra você pular música. Buraco pra se jogar sem medo. – Maria Luísa Rodrigues
Jambu – MANAUERO
Não tem outra opção além de deslocar o eixo do indie pop brasileiro se você não quiser perder discos divertidos como este. Dá pra notar a evolução da banda: tocando e compondo melhor, com visual mais profissa e, o mais legal, envolvendo fácil durante o disco todo. É refrão chiclete atrás de refrão chiclete. Em MANAUERO, a Jambu soa abrangente o suficiente pra ganhar o palcos dos pequenos e grandes festivais, mas sem abrir mão da personalidade que a diferencia das poucas bandas-pop que ainda resistem no país. – Maria Luísa Rodrigues
Japanese Breakfast – For Melancholy Brunettes (& sad women)
O nome do disco já entrega o caminho melancólico e sentimental percorrido por Japanese Breakfast. Diferente de seus trabalhos anteriores mais puxados para o indie rock, ela agora explora uma atmosfera onírica construída por instrumentos de sopro e cordas em arranjos orquestrais, junto à sua voz encaixada em um registro delicadíssimo. Somamos isso aos elementos líricos de imagens naturais e histórias míticas e temos, durante toda a escuta, a sensação de estar sonhando. – Rafinha Murad
Joaquim – Varanda dos Palpites
Um álbum que te leva de volta aos anos 70, mas ao mesmo tempo é moderno, lindo, profundo e eclético. Transitando por diversos gêneros ao longo do álbum inteiro, a conexão é estabelecida faixa a faixa mas que, apesar de serem separadas, às vezes parecem ser uma unidade. Dá pra ver que é um disco repleto de referências, mas Joaquim consegue colocar todas num disco marcado por sua cara e sua voz. – Alexandre Giglio
John Glacier – Like A Ribbon
A mistura do drill do Reino Unido, com um pouco de artpop, rock alternativo e grime, faz o álbum da John Glacier ser um diferencial gigante no meio desses 300000 mil lançamentos que temos diariamente. Já no seu álbum de estreia, a rapper consegue fazer um trabalho minimalista, que traz intimidade nas composições, mas também com a sua voz impactante, além dos beats que te pegam logo. Um disco subestimado. – Alexandre Giglio
Julien Baker, TORRES – Send A Prayer My Way
A era country chega para todos. Julien Baker não conseguiu escapar, depois de um convite feito pela TORRES, e ganhamos um álbum de estreia introspectivo da dupla, que explora camadas vocais, arrisca em algumas pegadas de humor e vai fundo nas declarações de amor, quase sempre com um banjo no fundo. Como é de se esperar de um álbum desse estilo, as composições também resgatam temáticas relacionadas às suas raízes, nesse caso de terem crescido no Sul dos EUA, então surgem letras nostálgicas que abordam família, religião e aceitação de sexualidade, acompanhadas de harmonias deliciosas. – Rafinha Murad
Kevin Abstract – Blush
O Brockhampton quase renasceu com esse lançamento do Kevin Abstract. Tem tudo o que a gente amava no grupo: beats bons, composições marcantes, o processo colaborativo arquitetado pelo Kevin que faz todo mundo brilhar mais… e tem o Ameer Van (que foi expulso do grupo durante o maior momento da banda, pós Saturation, por acusações de assédio). Disco para ouvir várias vezes sem cansar. É uma celebração do que formou a identidade do Kevin – e de quebra a nossa, que viveu com os sons dele como trilha. – Maria Luísa Rodrigues
Lambrini Girls – Who Let The Dogs Out
No álbum de estreia dessa dupla que já vinha fazendo muito barulho, elas produzem uma sonoridade frenética e raivosa que reflete adequadamente a essência do punk contemporâneo, mas ainda repleto de toques de originalidade. São faixas curtas e acordes repetidos, mas Phoebe Lunny e Lily Macieira fazem uso do espaço lírico de suas canções para denunciar e debochar de problemáticas sociais atuais, tornando o gênero atual, divertido e irreverente. Elas não têm medo algum de dizer o que querem dizer: suas letras são afiadas e cruas, sem meias palavras. – Rafinha Murad
Little Simz – Lotus
Poucos têm a caneta tão afiada quanto ela. Little Simz deu o nome mais uma vez, agora num tom confessional em meio ao contexto de luto pelo fim de uma amizade. O disco é tão complexo quanto esse processo emocional, e com isso passeia por reflexões de todas as fases, indo da raiva à superação, e encerrando de forma bonita se erguendo por meio do amor próprio. Das faixas mais agressivas às mais contemplativas, com o toque da vulnerabilidade áspera e quase irremediável, é visível como ela não poupou ninguém, nem mesmo seus próprios sentimentos. Com suas habilidades incontestáveis de rima aliadas a colaborações valorosas, Lotus pavimenta o caminho de Simz até se tornar uma das grandes estrelas do rap. – Rafinha Murad
Lonnie Holley – Tonky
Avant-garde é pouco pra explicar este aqui. Lonnie Holley conta sua história e experiência com um disco que, com a palavra falada, te prende do começo ao fim. Você fica ouvindo e esperando cada palavra, cada nuance. Não é um disco pra passar o tempo, vale prestar atenção. Um álbum que mescla o melhor do experimental, da música ambiente, do soul… Tudo como um testamento de como ele enxerga a música. Fora participações ilustres, como do billy woods (que também está nessa lista). Mais um disco subestimado. – Alexandre Giglio
Luedji Luna – Um Mar Pra Cada Um
Demorou, mas ela se encontrou. Depois de aventuras por diferentes possibilidades, parece que Luedji Luna descobriu seu pertencimento definitivo ao jazz, e entregou um trabalho fruto de suas investigações profundas sobre o amor com uma execução instrumental elegante e finíssima. Ela mesma destaca a presença massiva de sopros neste trabalho como forma de ilustrar a busca pelo divino e pelo supremo no amor, e finaliza com prestígio a trilha iniciada em 2020 com “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água”. – Rafinha Murad
Marie Davidson – City of Clowns
Se for pela Marie Davidson, vale a pena aguentar um disco em que o vilão são os avanços tecnológicos. Nada de novo, seja no discurso ou no som, porém o de sempre bem executado. Tirando completamente de contexto, ela avisa: “I do what I do, and I do it well” na ótima Demolition. E tem Soulwax coproduzindo. É isso: disco de dance que realmente te faz querer dançar. O álbum perfeito pro DJ set como aquele do Yung Lean no Boiler Room, só dando play no seu streaming preferido e vibing. – Maria Luísa Rodrigues
Marina Sena – Coisas Naturais
Coisas Naturais é uma celebração da música brasileira em sua diversidade e vitalidade. Marina Sena percorre ritmos marcantes da nossa cultura, do pop ao funk, do funk ao reggae, e assim faz com naturalidade e carinho, sem nunca soar forçada ou caricata. As letras giram em torno do amor e de tudo que ele movimenta: o desejo, a dúvida, a entrega. No entanto, Marina trata esses temas com uma leveza que é só dela, encontrando beleza no cotidiano e na emoção simples. É um disco que valoriza o Brasil musical, diferente de qualquer obra já apresentada por ela, sem nostalgia, olhando para frente com autenticidade. – João Pedro Cabral
Marshall Allen – New Dawn
Imagina lançar o seu primeiro álbum oficial com mais de 100 anos de idade. Sim, foi isso que fez o Marshall Allen. Ele é um daqueles músicos lendários, um saxofonista que trabalhou por anos com Sun Ra. E aqui está seu primeiro registro gravado oficialmente: um álbum bonito, um jazz que emociona, trazendo uma pegada até meio que espiritual. É um daqueles que vai ficar marcado na história da música. – Alexandre Giglio
Maruja – Tír na nÓg
Maruja é daqueles experimentos que te puxam para dentro como um sonho febril: escuro, envolvente e totalmente livre. Mesmo sendo fruto de uma jam session, o EP soa incrivelmente coeso, com momentos em que o sax assume um protagonismo quase vocal, conduzindo as faixas como se estivesse contando uma história sem palavras. Gosto de como o Maruja aposta na tensão, nunca previsíveis, dando a sensação de que algo está prestes a explodir o tempo inteiro. É um trabalho que desafia a estrutura tradicional da música, e justamente por isso, não é pra qualquer ouvido. Mas pra quem topa a viagem, é uma experiência imersiva, densa e lindamente inquieta. – João Pedro Cabral
Men I Trust – Equus Caballus
Dos dois discos lançados pela banda em 2025, o Equus Caballus é o que mais se destacou e mostra uma faceta mais ousada e eletrônica do Men I Trust, que se afasta um pouco da suavidade melódica e do groove que marcaram seus trabalhos anteriores. Senti que o álbum traz uma energia diferente, com camadas sonoras mais densas e uma produção mais experimental, o que pode dividir quem esperava o som clássico da banda. Ainda assim, admiro como eles mantêm uma identidade delicada, mesmo navegando por esses novos territórios. É um disco que pede escuta atenta para revelar seus detalhes e que mostra a coragem do Men I Trust em não ficar preso ao conforto do que já funciona. – João Pedro Cabral
Menores Atos – FIM DO MUNDO
A banda carioca Menores Atos traz algo diferente pro novo disco, conseguindo misturar mundos que não necessariamente estavam tão conectados neste momento. Eles trazem o que já fazem de melhor há mais de duas décadas, letras profundas, melancolia e som pesado, e somam ao dream pop, post-punk e até um pouco de stoner. É dessa salada mista que eles fizeram um dos melhores discos nacionais do ano. – Alexandre Giglio
Mogwai – The Bad Fire
Mogwai é Mogwai. Não é fácil chegar no seu 11º álbum e ainda chegar bem, fazendo jus à jornada da banda, mas ainda se abrindo pra sons novos. Diante do fim do mundo, parece que logo de cara, em God Gets You Back, a banda abre uma porta pra escapar daqui – ou voltar pra um lugar melhor, vai saber. Soa esperançoso do começo ao fim, mesmo nos momentos mais caóticos. É um bom lembrete. – Maria Luísa Rodrigues
Nyron higor – Nyron Higor
Esse disco foi uma descoberta por acaso, vi em algum Stories e me pegou logo de cara. A capa convenceu, dei play e pronto, viciei. É bonito, leve e emociona de cara. O Nyron é um multiinstrumentista de Manaus e conta com uma galera boa nesse trabalho também, como o Bruno Berle. Espere samba e MPB que poderia ser trilha de videogame ou de novela. Um daqueles trabalhos que tocam fundo, sem precisar dizer muito. Lindo. – Alexandre Giglio
oklou – choke enough
A francesa oklou lançou um álbum tão suave que te suspende. Entre os lados mais leves da Drain Gang e os mais dançantes da Erika de Casier, o som do disco ganha força e preenche justamente com o minimalismo. Apesar de já ter feito barulho com EPs, mixtape e singles anteriores, o disco de estreia coloca a oklou no patamar que já dava pistas de merecer, entre a realeza desse soft dreamy pop. Dica: tão bom quanto ouvir o disco todo, é ver a session que ela gravou numa pista de gelo com a NTS Radio. – Maria Luísa Rodrigues
Panchiko – Gingko
Ginkgo soa como um renascimento tranquilo, quase tímido, mas cheio de significado. O que é mais fascinante é o contexto: o Panchiko foi uma banda que ficou esquecida, mas, de forma inesperada, ganhou status cult depois que um fã encontrou um disco e fez post no 4chan. Isso já seria suficiente para que qualquer retorno soasse meio forçado, mas aqui é diferente. O que eles trazem em Ginkgo é genuíno e delicado, como alguém que teve muito tempo para pensar e agora escolhe cada som com carinho. Parece que eles voltaram não só como músicos melhores, mas como pessoas mais conscientes. Escutar Ginkgo é um pouco como entrar em uma casa antiga onde alguém acendeu todas as luzes pela primeira vez. – João Pedro Cabral
Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs – Death Hilarious
Delícia x7. É sempre uma barulheira nova com o Pigs x7. Pode até não ser tão diferente de qualquer coisa que a banda fez antes, mas é igualmente irresistível. É agressivo com precisão – nunca soando alto demais, solto demais. Espere faixas de 2 a 8 minutos, mas que raramente fogem muito de si. Metal precioso, como eles mesmos dizem. Dá pra ouvir indo na padaria se sentindo protagonista de desenho animado prestes a encarar aí o maior obstáculo da sua vida, mas recomendaria a imersão num sonzão. – Maria Luísa Rodrigues
Pinkpantheress – Fancy That
Frenética e inconfundível, a princesinha do electropop deu as caras mais uma vez nessa mixtape que vai muito além das convenções óbvias de uma estética Y2K. O disco já começa acelerado com a faixa “Illegal”, e Pink não demonstra nenhuma intenção de desacelerar, fazendo um convite singelo e irrecusável aos ouvintes para serem sua companhia nessa jornada dançante e até mesmo ofegante. Em 20 minutos, ela condensa a urgência romântica de um espírito hedonista, marcada pelo drum n’ bass mas sem medo de se arriscar pelo garage e pelo jungle. Assim, sua forma de encarar os deboches por suas faixas extremamente curtas se torna a entrega de um disco extremamente coeso e autossuficiente nesse pouco tempo. – Rafinha Murad
Santiago Motorizado – El retorno
Não existe falar em indie argentino sem mencionar Santiago Motorizado, uma das maiores figuras do gênero em toda a América Latina. Neste segundo disco solo, o vocalista do Él Mató entrega mais uma vez sua sensibilidade inata em canções que transbordam memórias afetivas e refletem a nova fase que a Argentina vive. Com letras poéticas — sua marca registrada — e guitarras belíssimas que dialogam com a música contemporânea, Santiago constrói um álbum que é pura melancolia portenha, embalado ainda por videoclipes que aproximam novas gerações do seu universo. Destaque para “La revolución” e “Google Maps”. Amor, nostalgia e recomeços… impossível ser mais Buenos Aires do que isso em 2025. – Duda Rocha
Saya Gray – SAYA
É questão de tempo até Saya Gray virar a queridinha das alternativas. Nesse disco brilhoso, se instaura uma atmosfera surrealista por meio da exploração de efeitos sonoros borbulhantes com pingos eletrônicos, e Saya vai lentamente se colocando como nova estrela do artpop. Seus vocais sutis, aliados à forte presença do violão, trazem uma leve aproximação com o folk e ainda ressaltam um talento pra lá de único como compositora, nessa abordagem não tão convencional e bastante vulnerável de um término de relacionamento. Depois de aparecer no Tiny Desk como baixista do Daniel Caesar, ela voltou para o programa se reintroduzindo com o SAYA, numa apresentação na NPR que conta com arranjos emocionantes. – Rafinha Murad
Squid – Cowards
O pianinho que começa esse terceiro álbum do Squid é brincadeira, não te deixa dúvida pra continuar ali. Cowards tem uma coisa boa: a banda expande um pouco mais para além dos pares que sempre foram comparados, como Black Midi, Black Country, New Road, King Gizzard & The Lizard Wizard (e outras 30 bandas que amamos rs). Eles voltaram mais relaxados nos arranjos, mas com temas igualmente densos e, por vezes, políticos. Foi um salto na discografia. Se é na direção que a maioria dos fãs vão gostar, já é outra história. Nada covarde da parte deles. – Maria Luísa Rodrigues
Tennis – Face Down in the Garden
Face Down in the Garden soa como uma carta de despedida escrita com calma, beleza e um toque de tristeza contida. A sonoridade do Tennis continua fiel ao que a dupla sempre soube fazer de melhor: canções com textura suave, melodias nostálgicas e produção refinada, que lembra um pôr do sol que você quer que dure mais um pouco. É um disco bem curto, quase modesto, mas com alma. Ao mesmo tempo, confesso que senti falta de algo mais arriscado, mais fora da curva, já que se trata do possível último trabalho deles. Ainda assim, é um encerramento bonito e coerente. – João Pedro Cabral
Terno Rei – Nenhuma Estrela
Difícil alguém argumentar que esse não é o melhor trabalho da carreira do Terno Rei até aqui. Com a caneta mais certeira que nunca, as composições do Ale Sater – com colaborações pontuais dos outros integrantes – acompanham o som que transborda a maturidade de uma banda que toca junto há mais de uma década. Uma leva de Canções com C maiúsculo, daquelas que dão vontade de cantar berrando. Nenhuma Estrela é a confirmação de que o Terno Rei é uma das maiores bandas alternativas do Brasil hoje – se não a maior. Quando liberarem bandas como figuras pop de novo (se acontecer), eles estão prontos como primeiros da fila pra assumir esse papel. – Maria Luísa Rodrigues
terraplana – natural
Natural mostra uma Terraplana mais consciente do próprio som, mas sem medo de arriscar. Em uma entrevista realizada com nossa equipe, a banda já dizia flertar com outras sonoridades em seu novo disco, e esse é o resultado. O disco soa como um passo à frente: as guitarras continuam criando aquele ambiente etéreo e distorcido típico do shoegaze, mas agora com mais clareza e direção. Gosto de como eles equilibram peso e melodia; é um disco que vibra vulnerabilidade e entrega, e que confirma a terraplana como uma das bandas mais interessantes do shoegaze brasileiro atual. – João Pedro Cabral
Viagra Boys – viagr aboys
Como um soco suado na cara, o Viagra Boys chega mais bruto, mais debochado e, ao mesmo tempo, mais sensível do que nunca. A impressão que dá é que a banda passou a limpo todos os absurdos da vida moderna e destilou isso em forma de música: suja, irônica, absurda e com momentos inesperadamente tocantes. Faixas como “Man Made of Meat” gritam testosterona e caos, enquanto “Medicine for Horses” surge como um respiro estranho e bonito, meio torto, mas real. Essa mistura de humor grotesco com lampejos de sinceridade emocional cria uma tensão constante, como se o disco nunca quisesse te deixar confortável. É escancarado, teatral e sincero, um dos trabalhos mais completos e contraditórios da banda. E é justamente essa contradição que o torna tão bom. – João Pedro Cabral
Youth Lagoon – Rarely Do I Dream
Não vou ser hipócrita, sou um grande fã deste trabalho. O último álbum do Youth Lagoon, Heaven Is a Junkyard, de 2023, foi algo que nunca vou esquecer, o impacto que teve em mim foi enorme. Fiquei um pouco surpreso por ele ter lançado outro álbum tão cedo, mas esse tem um impacto diferente. Menos sombrio e melancólico, mais leve e feliz do que o anterior. Enquanto o anterior parecia um renascimento carregado de dor, já esse eu sinto algo mais como “vamos aproveitar”. Tem um caminho de reconstrução pessoal nas faixas. Ainda é muito bonito, melancólico de uma forma diferente. Amo Youth Lagoon e espero que esteja bem. Se você ler mais sobre o último álbum, vai entender por que ele é tão sombrio. – Alexandre Giglio
zzzahara – Spiral Your Way Out
Esse álbum é um presente pros fãs do indie californiano ensolarado dignos de trilha sonora de filmes e séries coming of age. Mais um! Curtinho, com 10 faixas distribuídas em 30 minutos, mas muitíssimo bem executado. Apesar de ser um trabalho sobre corações partidos, Spiral Your Wait Out é um álbum perfeito pra ouvir quando quer fazer o dia sentir mais leve. Faixas ótimas pra gente imaginar como seriam ao vivo num fim de tarde em Interlagos (infelizmente) – como Bruised e It Didn’t Mean Nothing. Tá na lista pra lembrar que ainda tem espaço pro indie-indie em 2025 e nos nossos corações. – Maria Luísa Rodrigues
