Wiseman lança seu primeiro álbum: Mind Blown

Depois de dois EPs, a banda paulistana traz em seu primeiro Full Album letras consistentes e sonoridade bem definida.

O disco de 10 faixas possui uma sonoridade que nos remete à meados dos anos de 80 e 90, transitando entre o post-hardcore e grunge de bandas como “Fugazi”, “Nirvana”, “Mudhoney”, “Quicksand” entre outros. O trabalho contou com a produção e gravação de Thiago Babalu & Ali Zaher Jr (que também fez a mixagem), ambos ex-companheiros na banda “Reffer” (banda fundada por Phil Fargnoli ex-“Dead Fish” e atual“CPM22”). A masterização foi feita em Los Angeles (Califórnia) por Nick Townsend, baterista da banda “Fireburn”, banda esta que conta com Israel Joseph II, ex-vocalista da lendária banda de hardcore “Bad Brains”, Nick já masterizou bandas como Paramore, Pearl Jam, Thrice e Alice In Chains. Integram a banda Fábio Nasci no baixo, Luiz Chagas na bateria e Thiagones na voz/guitarra que juntos já possuem certa visibilidade dentro do cenário hardcore melódico/post hardcore e é uma das bandas que farão parte dos shows de abertura da turnê do Circa Survive no Brasil.

O CD começa com a música Weight que aborda muito bem o tema “felicidade”, sobre o quanto as pessoas se esforçam pra ter coisas que nem sempre vão lhe trazer felicidade e é bem enfático quando diz “A happy ending is far away” (O final feliz está longe). Ainda há uma introdução “and now allow your eyes to close as as you imagine that you are outdoors in a very quiet peaceful safe place” que faz parte do documentário Games Children Play [1990] sobre crianças que estariam “largando a mão de Deus” vivendo numa cultura de massa que estariam surrupiando seus valores (claro que a banda não tem nada de cristã, e a crítica vale para as duas partes). A música é bem quebrada e com refrão forte, pra quem gosta de “dançar”, já é um ótimo começo de álbum.

Betrayal vem em sequência e já é mais pedrada, direta e quebra apenas no refrão, a letra fala sobre traições, uma referência dessa música é o livro “A revolução dos bichos” de George Orwell, ou seja, não são apenas traições amorosas e sim num geral onde é difícil confiar nas pessoas “Whatever goes upon two legs in an enemy” (Tudo o que caminha sobre duas pernas é um inimigo), retrata bem o conceito do livro e do enfoque que a letra traz.

Factory Floor é sobre o cotidiano de quem precisa sair cedo de casa, enfrentar horas de transporte público e ir para o trabalho, voltar pra casa e tentar se sentir feliz com o pouco de vida que resta, a falta de felicidade também é vista nessa letra e mostra o quanto as pessoas podem se tornar corruptíveis e se orgulharem por serem facilmente escravizados tudo em prol do sonho de uma vida melhor.

Eu particularmente tenho como música favorita do álbum Shut Up and Listen!, que é, além de um soco no estomago, um grito de libertação quando você se sente aprisionado ou quando alguém faz questão de te colocar pra baixo (muitos relacionamentos abusivos se encaixam nessa letra). Essa música é mais calma e melódica, porém com solo bem agressivo e com uma certa dose de raiva, o que condiz muito com a “explosão” que muitos tem quando despertam e colocam um ponto final no que faz mal. É uma letra pra quem está reaprendendo a seguir em frente sozinho, afinal, quem gosta de conviver com o que te faz mal?

Be Natural é a “balada” do CD, se é que podemos chamar assim, né? Com refrão bem marcado e muitos backing vocals, em melodias é a mais “limpa” e contrata bem com o restante do álbum, a letra ainda traz as angustias do cotidiano das pessoas que observam o mundo ao redor e não conseguem compreender o porquê de muitas coisas, mesmo assim precisando “ser naturais” quanto a isso, pois quanto mais nos preocupamos com as coisas ao redor, mais nos sentimos sufocados e perdemos o controle.

Iron Trees já é um grito de revolta contra a música anterior, no quanto “achar tudo normal” é revoltante, e como não conseguir achar comum as coisas que acontecem causam julgamentos e falta de compreensão. A música não é agressiva só no vocal e na letra, como também na melodia suja e rasgada, com maior velocidade. Pra quem procura escapatória da vida medíocre, essa música é uma ótima pedida para a “sessão descarrego”.

Fast + Short já é mais pesada, com a linha de baixo marcante do começo ao fim, lembra algo próximo ao que o nirvana fazia em seus lados B ou demos nunca lançadas. A música parece ser enfiada goela a baixo de quem ouve, e pro ouvinte pouco resta de reação, versos curtos definem bem a pegada a canção que não deixa as pessoas respirarem durante muito tempo e o recado passado é bem simples: faça o que acha que deve ser feito, sem receio, sem acreditar em dogmas, seja livre.

Prowling é mais cadenciada em sua introdução, mas logo pega ritmo e volta a ser um tiro no peito, é uma música que fala sobre a vida profissional, o quanto você precisa se vender pra fazer parte da empresa, como as pessoas no ambiente de trabalho podem ser falsas e falar de você pelas costas e como é foda as “puxadas” de tapete que levamos sempre, pois a vida corporativa nos ensinou a pisar em cabeças.

Against é talvez uma das músicas com temáticas mais sérias e pesadas, fala sobre o preconceito contra negros, mulheres e a comunidade LGBT, como essas pessoas se sentem num mundo em que são constantemente julgados e discriminados por serem quem são. A melodia junto com a letra faz você querer canta-las junto, na mesma tonalidade, na mesma pegada e sair destruindo tudo. A letra mostra o quanta a falta de empatia das pessoas deixam outras mal e as vezes não percebemos isso, deixamos de lado ou banalizamos essas atitudes.

E por fim Mud, que igual a todo o CD, soa ríspida falando sobre pessoas que tentam ser perfeitas, sobre pessoas que procuram heróis pra depositar sua fé e como isso não deveria fazer parte da sociedade. A música também é rápida e mostra como pessoas vazias tem cada vez mais visibilidade, fazendo com que outras pessoas também se tornem vazias. Todo o álbum é um apanhado de alertas sobre a vida cotidiana e foi feito mesmo para pensar e entender a vida, fazer uma autorreflexão do dia a dia pra percebermos que existem coisas que achamos normais, mas que não são tão normais assim.

A crítica do álbum para melhor entende-lo é que a banda conseguiu unir letras diretas e sentimentos que todos temos como angústia, raiva e decepção a melodias que transmitem todos esses sentimentos, as músicas são gritos entalados na garganta que todos temos e que precisam sair mais cedo ou mais tarde, porque perder o controle não está nos planos de ninguém.

Procure a banda e conheça o som através dos links abaixo:

Official Site:  www.wisemanband.com
Bandcamp:  www.wiserock.bandcamp.com 

Spotify: MindBlown_Spotify
Deezer: MindBlown_Deezer
Itunes Store: MindBlown_Itunes
Google Play: MindBlown_GooglePlay

* MIND BLOWN Também disponível em CD & edição limitada em Cassete.

Veja a live sessions feita pela banda:

 

 

Confira o último vídeo do canal Minuto Indie:

 

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