Trilha Sonora de Séries na Netflix: Gypsy

Explorando o catálogo na Netflix, o Minuto Indie decidiu resgatar o melhor da trilha sonora de algumas séries, começando pela envolvente “Gypsy”

Nada melhor para um fã de música do que conhecer novos sons em situações que não estava esperando. Você chega do trabalho, come alguma coisa, assiste uma série e de repente… “Pô, mano, que sonzasso, o que é isso aí?”. Algumas canções clicam exatamente com a trama, e alguns espectadores nem percebem a importância de se escolher uma sequência coerente de músicas para desenvolver o enredo.

Geralmente, prestamos mais atenção na trilha sonora de filmes, até porque essa categoria está sempre presente em grandes premiações do cinema. Mas as séries também têm muito a oferecer musicalmente. Exploramos a trilha de algumas delas presentes no catálogo da Netflix, e, pra iniciar nossa conversa, vamos falar de Gypsy. Dê o play na música e na série e vem com a gente!

“Gypsy” é um drama psicológico sobre uma terapeuta, Jean Halloway, interpretada pela incrível Naomi Watts, que se envolve demais com os casos de seus pacientes. Imagine: você desabafa sobre um romance mal resolvido, e sua psiquiatra/psicóloga começa a se envolver com a pessoa que você descreveu para ela. Sim, é isso mesmo. Nunca tinha visto nada do tipo em alguma série antes, e foi essa trama que me envolveu do início ao fim. Apesar de o final não trazer nenhuma explicação, e a série não ser renovada pela Netflix, não é um drama descartável. Nos faz refletir sobre a proximidade à nossa volta, nossas inseguranças e, claro, sobre os limites de intromissão na vida um do outro, algo bem além de ética profissional. Confira o trailer oficial:

Mas estamos aqui para falar de música. Desde a abertura já nos surpreendemos com uma versão da canção “Gypsy”, do Fleetwood Mac (ouça aqui), regravada por Stevie Nicks e produzida por Greg Kurstin. Essa música é tão importante para a série, que ela quase não teria existido se sua criadora, Lisa Rubin, não a tivesse ouvido enquanto escrevia o projeto. E, de fato, a canção combinou perfeitamente com a abertura e o desenvolvimento da trama.

No segundo episódio, o destaque vai para “Francine”, de Esmé Patterson. Esmé é uma música americana de Denver, Colorado, que anteriormente era membro da banda de folk indie Paper Bird. “Francine” é fruto de seu último álbum, We Were Wild (2016). Essa música é questão chave na narrativa: a terapeuta Jean começa a se aproximar de Sidney Pierce (Sophie Cookson), a ex-namorada de um de seus pacientes. Na trama, ela integra uma banda chamada The Vagabond Hotel, gravando uma versão de “Francine” que deixa Jean ainda mais interessada em Sidney. Ao longo da série, toda vez que Jean lê o nome da canção ou a ouve, lembra de seus momentos com Sidney.

Interessante observar como uma artista totalmente fora do mainstream, como Esmé Patterson, ganha voz na trama a partir de uma canção indie, já que, geralmente, músicas mais envolventes e minimalistas com uma pegada mais pop ou eletrônica são utilizadas para o mesmo objetivo. O episódio termina com “This Is Love”, da PJ Harvey, um dos ícones da década de 90 que vale a pena conhecer se você ainda não escutou.

Ao longo da série, observamos uma trilha sonora rica, mais apegada ao sensualismo minimalista, que prende a trama ao espectador tanto pelas cenas quanto pela musicalidade. Passeamos por faixas mais populares, como “Lips” da banda britânica The xx, e “Don’t Let Me Be Misunderstood”, da lenda Cyndi Lauper, e por canções de artistas menos conhecidos como “Cast a Shadow”, da banda Coves, que mistura o indie alternativo com pegadas mais pop psicodélicas, uma nova banda pra quem curte o famoso rock indie versão garagem.

O auge da trilha sonora chega no sétimo episódio. Quando finalmente Jean e Sidney se envolvem em um clima intimista, revelando seus segredos e arriscando um pouco mais na sensualidade, ouvimos “Girl”, uma canção do grupo californiano The Internet com participação do DJ KAYTRANADA. A banda de trip hop liderada pela vocalista Syd se une ao DJ KAYTRANADA em uma composição de instrumentalidade profundamente cativante.

É impossível não se deixar levar pela atmosfera sonora da música enquanto as cenas de Jean e Sidney sozinhas passam em nossa tela. Quem viu com certeza adicionou a canção às suas playlists mais sensuais ou àquelas feitas para pensar no ou na crush. Simplesmente irresistível. E para quem ainda não ouviu The Internet, fica aí mais uma fica valiosíssima, esse grupo está dominando a cena com uma banda de um potencial ímpar e acabou de lançar um novo álbum, o aclamado “Hive Mind”.

É também fruto do sétimo episódio a deliciosa “Nothing’s Gonna Hurt You Baby”, da banda Cigarettes After Sex. A banda foi fundada no Texas, por Greg Gonzalez, e une muita poesia com temas de romance a uma musicalidade etérea. A voz quase arrastada de Greg deixa todas as canções com um astral suave, como se fossem feitas para ouvir junto de alguém muito especial em um clima íntimo, não necessariamente sensual, apesar do nome da banda, mas com uma atmosfera de troca e envolvimento, sempre nutrida pela poesia. É como se a banda tivesse o propósito de realmente fazer o ouvinte se deixar levar pela música, tanto pela letra quando pela sonoridade. Mais uma dica para quem ainda não conferiu um novo som como esse.

Esses foram os destaques apontados pelo Minuto Indie sobre a trilha sonora de Gypsy, série da Netflix. Se você pensa em assistir, vou logo pedindo desculpas pelo final decepcionante, mas ainda acho que vale acompanhar todo o desenvolvimento da trama ao som de ótimas músicas. Garanto que a trilha sonora não vai te decepcionar:  a playlist com as faixas no Spotify tem quase 5 mil seguidores e reúne os destaques e demais canções que envolvem os dez episódios de Gypsy. Ouça aqui. Você também pode conferir alguns desses sons nessa playlist da trilha que achamos no YouTube:

E aí, vale a pena ver séries pela trilha sonora? As músicas realmente interferem na dinâmica das cenas e no desenvolvimento das personagens? Conta pra gente qual série você deseja ver por aqui no Minuto Indie, vamos analisar a trilha sonora, seu impacto para a trama e os novos artistas e sons que estão surgindo por aí nas telinhas.

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