Seungri, ex-cantor de K-pop, é acusado de organizar rede de prostituição

Seungri

Não é a única acusação contra o ex-BigBang, que está afastado da indústria musical desde março de 2019, quando as investigações se intensificaram

Seungri, ex-integrante do grupo de K-pop BigBang, foi oficialmente indiciado nesta sexta-feira (31) por organizar uma rede de prostituição, participar de jogos de azar e trocar moeda estrangeira ilegalmente. A informação foi confirmada pela promotoria de Seul, capital de Coreia do Sul, e repassada pela CNN.

A confusão na carreira do cantor não é de hoje. Foi em março de 2019 que veio à público a notícia de que Seungri estava sendo investigado por organização de prostituição. A reação da sociedade coreana fez com que, no dia seguinte, ele anunciasse seu afastamento da indústria musical e, consequentemente, o fechamento de um ciclo dele como um dos grandes astros do K-pop. Sua despedida foi feita por meio de um texto compartilhado na conta do Instagram de Seungri.

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승리입니다 제가 이시점에서 연예계를 은퇴를하는것이 좋을거같습니다. 사회적 물의를 일으킨 사안이 너무나 커 연예계 은퇴를 결심했습니다 수사중인 사안에 있어서는 성실하게 조사를 받아 쌓인 모든 의혹을 밝히도록 하겠습니다. 지난 한달반동안 국민들로부터 질타받고 미움받고 지금 국내 모든 수사기관들이 저를 조사하고 있는 상황에서 국민역적 으로까지 몰리는 상황인데 저 하나 살자고 주변 모두에게 피해주는일은 도저히 제스스로가 용납이 안됩니다 지난 10여 년간 많은 사랑을 베풀어준 국내외 많은 팬분들께 모든 진심을 다해 감사드리며 와이지와 빅뱅 명예를 위해서라도 저는 여기까지인거같습니다 다시한번 죄송하고 또 죄송합니다 그동안 모든분들께 감사했습니다

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“Acho que é bom eu me aposentar da indústria do entretenimento neste momento. Decidi me aposentar porque as questões que causam controvérsia social são muito grandes e relevarei todas as suspeitas sendo investigadas depois que a investigação se encerrar. No último mês eu fui criticado e odiado pelas pessoas e agora estou sendo investigado e rejeitado. Eu não posso tolerar viver sozinho, distante de todos ao meu redor. Sou muito grato a todos os fãs na Coreia e no exterior por todo o amor que recebi nos últimos 10 anos. Estou aqui pelo carinho e honra do BigBang.”

As autoridades informaram que Lee Seung-hyun – como é seu nome de registro – agia em favor de investidores estrangeiros, negociando o fornecimento de prostitutas para eles. Por meio de um aplicativo de troca de mensagens, os homens poderosos entravam em contato com ele pedindo que intermediasse o contato com as mulheres.

As investigações também mostraram que o cantor coreano cometia o ato ilegal na boate da qual ele é um dos proprietários, a “Burning Sun“, que fica no bairro de Gangnam, na capital da Coreia do Sul. A imprensa do país, inclusive, chama o caso de “escândalo da Burning Sun“.

A verdade é que, nesta boate, homens já tinham o costume de gravar vídeos e tirar fotos de mulheres sem o consentimento delas, o que se trata de nada menos do que uma exploração sexual. Além de intermediar o contato dos investidores estrangeiros com as prostitutas, Seungri era um dos participantes do grupo onde os arquivos de foto e vídeo eram compartilhados.

Apesar das evidências colhidas pelas autoridades que investigam o caso, o ex-BigBang nega até hoje qualquer envolvimento seu em qualquer atividade ilegal. Encontraram conversas reais dele com os homens que queriam negociar garotas de programa, mas o cantor desconhece que as mensagens tenham sido enviadas por ele, dizendo que os textos foram fabricados.

Até onde vai a idolatria?

É fato que os fandoms seguem à risca a ideia de que os ídolos estão aí para serem enaltecidos mesmo, custe o que custar. E a realidade é que, é isso mesmo. Afinal, quem nunca defendeu um artista que gostava, que atire a primeira pedra. Mas, até onde vai essa ideia? Um grande filósofo, conhecido por ter fundado a ciência moderna, fundou também uma reflexão extensa acerca dos ídolos. Mesmo que sua abordagem tenha um sentido diferente do que queremos falar agora a respeito de artistas do K-pop, é possível que a referência faça sentido. Até quando a imagem de um artista deve ser venerada?

Para Francis Bacon – o filósofo que nos referimos agora – para que a sociedade fosse justa, era necessário destruir os ídolos, sendo os culturais, de ritos, símbolos e por aí vai. É claro que, em pleno século 21, ninguém vai ser tão literal assim sobre o que pensadores diziam há 400 anos. Mas partindo pelas premissas de que, a ideia de que os ídolos devem ser sempre idolatrados é fruto de um modelo irracional do pensamento, nem sempre o posicionamento de uma figura cultural deve ser defendido, não é?

Pois é, e foi assim que a imagem da indústria do K-pop começou a se arruinar da pior forma. O movimento #MeToo já existia, mas se intensificou na Coreia do Sul em 2018, após uma promotora do Ministério Público de Changwon ter acusado seu supervisor sênior de assédio. Em 2019, se intensificou ainda mais quando a decepção de fãs do trabalho dos chamados astros do K-pop se tornou mútua.

A fim de boicotar as atitudes machistas de determinados artistas, mais de 200.000 pessoas assinaram petição exigindo ao gabinete da presidência da Coreia do Sul que a investigação dos casos fosse minuciosa. O #MeToo, hoje, é uma luta feminista e necessária contra o assédio e a agressão sexual no mundo inteiro e, principalmente, em combate à ideia de que os grandes artistas admirados não são capazes de nenhuma barbárie.

O propósito de desmanchar a concepção de que os garotos dos grupos de K-pop são amáveis em 100% do tempo é mais difícil ainda de ser feita devido a um motivo em especial: a força da indústria de entretenimento. Por trás de toda essa onda do estilo musical, que mais se tornou uma cultura de massa, estão as empresas.

Quando o K-pop – vindo do que era o pop sul-coreano – surgiu nos anos 90, o propósito era de que ele alavancasse o setor cultural do país e, consequentemente, o econômico, devido a crise que afetava os Tigres Asiáticos. A partir daí, as empresas de entretenimento surgiram para tomar conta dos grupos musicais que iam sendo fundados. O sucesso foi promissor.

A questão em pauta é que as agências precisam tomar conta da venda dos produtos, que são, exatamente, os grupos. Garotos ou garotas que cantam e dançam e precisam agradar o público a todo o momento. Nesse sentido, o ramo do entretenimento coreano envolve a vida pessoal dos artistas, muito mais do que a gente vê por aqui. E isso inclui, também, o esforço sem medidas para que os ídolos da Coreia do Sul tenham cara de ídolos. Nada de imperfeição!

Uma das provas disso foi o caso de HyunA e E’Dawn, quando foram demitidos da Cube Entertainment por terem assumido o namoro. As cláusulas proibindo relacionamentos ainda são comuns em contratos de estrelas do K-pop, já que os empresários acreditam que romances podem estragar o fascínio das fãs (destaque para o artigo feminino, já que a grande massa dos fandoms de K-pop são meninas adolescentes), principalmente pelos artistas homens, no caso de E’Dawn.

Devido a essa realidade já bem evidenciada das agências de entretenimento coreano, não foi uma surpresa o afastamento de Seungri logo após as acusações terem passado do “limite”. As ações da YG Entertainment, responsável por ele, caíram 16% depois que ele foi acusado de se envolver em um esquema de prostituição. Quando tudo ainda não passava de rumores, a empresa até tentou defender seu “produto” e dizer que a informação era falsa. Mas não deu.

Seungri e mais astros que ajudam a manchar a imagem do K-pop com “escândalos sexuais”

O tal escândalo que, hoje chamam de “Burning Sun” – apesar de não se tratar apenas da investigação na boate – envolve o nome de mais ídolos, além de Seungri. Ao levar o celular para o conserto, as sujeiras de Jung Joonyoung foram descobertas. O ex-astro do K-pop gravava e compartilhava vídeos de garotas aparentemente inconscientes e, em mensagens de texto, zombava de casos de estupros, incentivando o ato de drogar e abusar de mulheres.

Roy Kim é outro cantor coreano que foi preso acusado de compartilhar fotos explícitas. Além desses, nomes como Yong Junhyun, Lee Jonghyun e Choi Jonghoon aparecem como investigados. O diretor executivo da YG Entertainment, agência de Seungri, renunciou ao cargo em julho de 2019 pedindo desculpas aos fãs após ter sido acusado de encobrir acusações contra artistas da gravadora. E para dificultar ainda mais as investigações, um policial de Seul foi acusado de receber propina do mesmo ex-BigBang.

Apesar de ser ilegal e difícil acesso, a pornografia coreana existe. Mas, para além dela, existem casos como os dos artistas que mencionamos aqui, e que não são isolados, mostrando que os sites proibidos não são a única maneira de cometer crimes contra a imagem da mulher. Apesar de entrar em choque com casos de negociação de prostitutas, a sociedade sul-coreana ainda é predominantemente machista. A cultura do estupro se faz presente se evidencia em notícias como a de que, em uma semana, registraram cerca de 1600 casos de câmeras espiãs em motéis no país.

Mesmo que a visão masculina de que a mulher é um objeto sexual seja comum, não é normal e nem deve ser considerada como. Por isso, movimentos como o #MeToo são significantes, afinal, quem você idolatra?

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