Review: Trench é o novo álbum do Twenty One Pilots

Tem ligação com o último trabalho?

A banda Twenty One Pilots lançou na última sexta-feira (05) o seu novo álbum de estúdio. Intitulado Trench, esse é o quinto disco lançado pelo duo e sucede o Blurryface, que foi lançado em 2015. A expectativa gerada em torno do novo álbum era enorme diante de um cenário de três anos sem novidade. E, apesar de seguir a vibe do lançamento anterior, o Trench mostra um outro lado de Tyler JosephJosh Dun. Para ilustrar isso, preparei uma breve review sobre as ideias e impressões pessoais do álbum.

  • Jumpsuit:

O primeiro single da era Trench segue a ideia do Blurryface, como uma espécie de transição para o novo álbum. As batidas e arranjos são semelhantes ao da música HeavyDirtySoul, que inclusive é representada pelo carro queimando que aparece no começo do clipe de Jumpsuit, porém com o acréscimo de sintetizadores fortes.

  • Levitate:

Outro single do álbum, em LevitateTwenty One Pilots está mais apta a mostrar o seu universo fictício. Há teorias que esse universo é anterior ao mostrado ao longo da divulgação do álbum Blurryface, mas nada confirmado. A ideia tanto do clipe dessa música tanto quanto da anterior me lembra bastante a ideia das temporadas 3 e 4 da série The 100, pois há uma espécie de tribo caracterizada como Banditos. Há uma continuação, pois o final está totalmente em aberto após o sequestro de Tyler.

A sonoridade é um pouco diferente da anterior e soa como aquelas músicas de filmes de luta ou aventura protagonizados pelo Sylvester Stallone. O uso de sintetizadores apenas em pontos-alto da música é a principal diferença.

  • Morph:

A terceira música do álbum já está em outro mundo, embora lembre Stressed Out na composição da letra+melodia. Conforme vão passando os segundos, Morph traz consigo mais sintetizadores, batidas mais rápidas e é perceptível o uso de instrumentos característicos como gaita. Sua letra é a mais pesada até então, questionando o que são as pessoas após a morte.

  • My Blood:

O clipe de My Blood em especial tem gerado diversas teorias, porém a que mais me chama a atenção é a que fala que a ideia do vídeo é mostrar a perspectiva do irmão de Tyler, Zach. Além da letra forte pedindo para ficar junto (ou ao lado), a referência de bastão usado no clipe para bater no grupo de jogadores é captada quando lembramos da capa do álbum Regional at Best, de 2011.

Explorando mais os instrumentos usados até aqui, a melodia lembra bastante o último álbum do Foster the People.

  • Chlorine:

A maior mistureba que a banda fez até então, Chlorine é uma música sobre tentativa de suicídio na intenção de se limpar com cloro. Apesar dessa primeira teoria, a ideia de que “beber cloro” é apenas uma metáfora usada para a tentativa de se livrar de pensamentos ou sentimentos ruins também pode ser aceita. Apesar de ter uma batida semelhante à de Fairy Local, a letra liga essa à canção anterior, My Blood.

  • Smithereens:

Assim como em todos os álbuns, em Trench também há uma canção de amor, e para Jenna Joseph, esposa de Tyler. Em meio a tanta melancolia e letras sobre problemas relacionados à depressão, é em Smithereens que a paz parece reinar para os pilotos.

  • Neon Gravestones:

A mais pesada letra do álbum até então, Neon Gravestones fala abertamente sobre suicídio. De forma metafórica, a música fala sobre como as lápides às vezes chamam atenção de pessoas que estão sofrendo por alguma razão. A depressão, auto-mutilação, tentativa de suicídio, ansiedade, etc., são coisas que só parecem ter solução (fim) estando embaixo da terra, sob uma lápide brilhante, assim como são letreiros de cassino.

A melodia da música é basicamente construída a partir de uma sonata famosa de Beethoven.

  • The Hype:

O nome da música sugere o tema. Talvez. The Hype é contada do ponto de vista de um Tyler Joseph mais novo, que é orientado pelo mais velho e recebe um norte para seguir em frente e continuar sua vida mesmo com todos os seus problemas de ansiedade. Viver é superestimado.

  • Nico and The Niners:

Nico and The Niners traz uma melodia mais próxima do que estamos acostumados a ouvir da Twenty One Pilots. Outra música que tem clipe, essa traz diversas referências à era Blurryface: tem o gorro e o handshake apresentado em Stressed Out, além do ukulele e a camisa florida de Ride. A história contada no clipe é basicamente a Dema representando a depressão e os bispos representando soldados que não deixam você escapar desse mal. Pesado.

  • Cut My Lip:

Seguindo a faixa anterior, porém com uma vibe mais “praiana”, Cut My Lip fala sobre como escapar da Dema. A letra explica que é possível, mas não sem se ferir ao longo do caminho. Quando Tyler diz “cortei meu lábio”, ele se refere a um corte causado por um líquido classificado como a liberdade, porém na borda do recipiente tem ferrugem, o que machuca.

  • Bandito:

De volta à melancolia, a música que fala sobre os Banditos da cidade distópica Dema mostra a aceitação da personagem de Tyler quanto ao seu papel lá. Ele se dá conta que criou o mundo fictício para fugir de todos os seus problemas. Quando aceita sua situação no local, ele começa a reconhecer os perigos que terá de enfrentar até atingir a liberdade.

  • Pet Cheetah:

Outra que lembra Fairy LocalPet Cheetah pode ter ligação com a rapidez ou a falta dela para criar uma fuga da Demo. A melhor forma de fugir, provavelmente, é escrevendo canções, e é aí que o tal mamífero que Tyler tem de estimação parece para ajudar em seu processo de criação.

  • Legend:

Mais uma referência aos trabalhos antigos, Legend é sobre o avô de Tyler Joseph que aparece na capa do Vessel (2013). Robert Joseph morreu de alzheimer quando Trench estava em processo de gravação.

  • Leave The City:

A última música do álbum, Leave The City é a liberdade. A letra diz “por agora, vou ficar vivo”, o que significa que a Demo (depressão) não irá levá-lo desta vez. Há toda uma projeção futura de espera pela próxima era. Um pouco melancólica com a presença parte forte do piano e percussão leve, a música mostra o sentimento de contenção de Tyler ao deixar a cidade.

As diversas referências à si mesmos são muito evidentes em cada clipe apresentado na nova era. Todos os artifícios usados para a construção do mundo Blurryface volta à tona nos clipes do Trench, o que mostra que eles não irão abandonar essas características apesar do novo trabalho. Sonoramente falando, a vibe é outra. O som pesado do álbum anterior é substituído por melodias criadas pelo uso de bateria, baixo e sintetizadores, dando outra cara ao mesmo do Twenty One Pilots.

Ouça abaixo:

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****Texto escrito com base nas descrições do site Genius e opinião pessoal.

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