Resenha: The Vaccines — “Combat Sports”

Um soco no Power Pop

Em 2015, o The Vaccines colocou no mundo o álbum mais inventivo, original e inusitado dentro da sua discografia. Assim como o Arctic Monkeys fez em 2013 com o AM, a banda de Justin Young uniu ao seu indie rock tanto elementos extremamente contemporâneos quanto clássicos do gênero. English Graffiti, no entanto, desagradou grande parte dos fãs. Não por ser ruim, o disco é indiscutivelmente bom, conquistou a crítica. Mas por não soar como o The Vaccines de sempre — rápido, certeiro e familiar. Talvez se lançado através de um projeto paralelo ou tivesse o apelo pop e visual do AM, o resultado seria diferente. Dessa forma, a recepção morna influenciou diretamente o novo registro de estúdio da banda inglesa, o Combat Sports.

Para este, a banda decidiu retornar às suas propostas iniciais de celebrar o movimento indie rock dos anos 2000 (e que se estendeu um pouquinho até 2012). Dessa vez colocando o power pop em primeiro plano e deixando um pouco mais de lado a agressividade pós punk do debute. Pequenas mudanças estruturais, mas sem dúvidas o The Vaccines “raiz”.

Suspiro de alívio também ao perceber, logo na primeira faixa, “Put It On a T-Shirt”, é que as sacadas sagazes e maliciosas de Justin ainda fazem parte da sua escrita:

“They tried to tell me you were cold
And you’re impossible to hurt
Now I’ve heard that said about the both of us
They should put it on a T-shirt”

Os dois primeiros singles, “I Can’t Quit” e “Nightclub” são hits instantâneos para os fãs e são os momentos que mais remetem o What Did You Expect From The Vaccines?. Faixas com riffs cativantes que foram criadas para atingir seu potencial máximo ao vivo, em festivais e que funcionam bem melhor dessa forma. Assim como “Surfing in the Sky”, que pelo vigor provavelmente marcará presença fixa no setlist dessa turnê.

“Your Love Is My Favourite Band”, de alguma forma, poderia facilmente ser uma música das HAIM. “Maybe” ficaria em algum lugar entre o First Impressions of Earth e o Angles dos Strokes.

A curta “Young American” tem o posto de faixa mais bonita do disco, com uma porção de versos a serem dedicados. “Take It Easy” a mais divertida, desde o teclado ensolarado até a composição (literalmente) despreocupada de Young.

Tendo essas regressões em vista, a banda poderia facilmente ser acusada de nostalgia apenas forçada. Mas não é esse o caso. Se o debute agregou influências de bandas como Arctic Monkeys, The Strokes, Franz Ferdinand e muitas outras que até então faziam um som mais cru, Combat Sports filtra também o que veio depois disso — como, por exemplo, Two Door Cinema Club. Sendo mais uma continuação direta que um revival.
Essa preocupação, inclusive, é externada em “Out On the Street”:

“You called me a broken record
But I’ll, but I’ll never be
I am trying to be honest
If I end up sounding cold
It’s the middle of the winter”

O quarto registro de estúdio do The Vaccines dificilmente figurará listas de melhores do ano, talvez nem mesmo alcance muitas pessoas além dos fãs, mas este é um abraço nostálgico e extremamente satisfatório para quem viveu o auge e infelizmente viu esse movimento perder as forças.

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