Resenha: O primeiro dia de Festivália – o festival dos festivais

Texto: Maria Luísa Rodrigues

A reunião de festivais independentes aconteceu durante os dois últimos dias de Rio Creative Conference

Durante os dias 3 a 8 de abril, a Cidade das Artes no Rio de Janeiro foi ocupada pela Rio Creative Conference (Rio2C): um evento que com palestras, rodadas de negócios, pitchings e experiências interativas acomodou profissionais do mercado da inovação, audiovisual e música durante a semana; e com shows, realidade virtual e encontros com personalidades do audiovisual abrigou o público geral no fim de semana.

O setor musical foi muito bem representado durante a semana com atrações internacionais como Geoff Emerick, engenheiro de som dos Beatles, e Bob Lefsetz, crítico musical americano, e com palestras sobre tendências da música e o mercado de shows e  festivais. Além de pitchings de shows com artistas brasileiros, em sua maioria cariocas.

Durante o fim de semana oito shows selecionados por festivais independentes brasileiros tomaram a Rio2C. Em um palco externo, o Festivália começou na tarde do sábado com a Plutão Já Foi Planeta representando o Festival DoSol, do Rio Grande do Norte. O horário em conflito com uma palestra do Porta dos Fundos, assim como o calor do Rio de Janeiro, fez com que o show não estivesse tão cheio. Os que estavam presentes se mantinham na sombra mais afastada, exceto os fãs mais dedicados que permaneceram na grade. Mesmo assim, a banda agradou àqueles presentes com o setlist baseado no seus dois álbuns e novo single, além de um cover de Envolvimento da MC Loma e invasão de palco de membros da Francisco El Hombre e amigos da banda.

O segundo show do dia foi do coletivo A Nova Cena Pernambucana representando o Festival de Inverno de Garanhuns, de Pernambuco. Os artistas Martins, Amaro Freitas, Aninha Martins, Flaira Ferro, Isadora Melo, Juliano Holanda, Isaar, Romero Ferro e Almério passearam por composições de cada um enquanto colaboraram e se revezavam no palco. Um show de reafirmação da cultura pernambucana que encantou um público maior que parou para assistir a apresentação. Não podendo ignorar o momento político, a apresentação teve sua carga de conscientização com menções à vereadora carioca Marielle e ao ex presidente Lula.

O cunho político também apareceu no terceiro show da noite com o festival catarinense Psicodália apresentando a Francisco, El Hombre. Além de um discurso do baterista Sebástian e da intensa “Triste, Louca ou Má”, a mensagem “Há casos em que a sentença já está escrita antes do crime” foi exibida no telão enquanto acompanhada por cartazes de “Lula Livre” carregado por outros artistas que tocaram no evento e amigos. Além de fazer pensar, a banda fez todo mundo dançar ao som de músicas como “Calor da Rua” e “Bolso Nada”, além do surgimento de uma roda durante um cover de “O Meu Sangue Ferve Por Você” do Sidney Magal. A banda encerrou a apresentação tocando uma música nova e ao som de aplausos.

A última apresentação foi do rapper paulistano Emicida representando o festival MIMO, do Rio de Janeiro. O show encerra a turnê do álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…” de 2015. Misturando músicas antigas da carreira até seu último single “Pantera Negra” e um cover de “Marinheiro Só” de Clementina de Jesus, Emicida reuniu o maior público da noite. Ensinou coreografias, contou histórias de infância e da sua visita à África, questionou o momento político do país e conquistou o público.

Ainda que com tristeza pelas notícias externas ao festival, a plateia vivenciou e reafirmou a música como forma de resistência.

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