Resenha: MGMT – “Little Dark Age”

A pequena era sombria — retrô e sintetizada —

do MGMT.

Mesmo que você afirme não conhecer o duo americano, talvez os conheça: se não pelo nome, pelos três smash hits que os fizeram explodir no cenário alternativo e até mesmo emergir no mainstream ao fim dos anos 2000. Você dificilmente esteve imune a soltar o corpo ao som de “Kids” na balada, a viajar na psicodelia do vídeo clipe de “Time to Pretend” por recomendação de um amigo e ouvir incansavelmente “Electric Feel” tocar nas rádios.

O MGMT, porém, surpreendeu a todos ao deixar de lado os hits massivos do debute que os concedeu ascensão meteórica e focar no que Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden realmente queriam – abusar do weird, da psicodelia e criar músicas cada vez mais complicadas. O resultado disso veio em forma dos álbuns Congratulations, de 2010 e o auto-intitulado, de 2013. Ambos (principalmente o último) fizeram com que a parcela de fãs fiéis da banda diminuísse consideravelmente. Não pela qualidade, mas sim pelo direcionamento introspectivo e nada comercial.

Agora, em 2018, a banda está de volta com mais um registro de estúdio, cinco anos após o último.

Tivemos o primeiro vislumbre, o primeiro single do novo material em Outubro do ano passado. A faixa-título, que usa de sintetizadores para pincelar tons góticos em um quadro de expectativas e suspense que estoura nos últimos trinta segundos em dance puro para indicar a direção que o Little Dark Age iria seguir – o pop alternativo acessível do início da carreira da banda.

Com o quarto álbum de estúdio do MGMT na íntegra, é o que se pode afirmar com certeza.  Volta às origens, sim, porém ainda honesto por continuar de muitas formas estranho. E forte. A pequena era sombria do título também é a nossa – as letras, muito bem escritas, falam da ansiedade causada pela fixação em smartphones, das relações conflituosas resultado do excesso de trabalho, de crises criativas e, claro, Donald Trump.

O single seguinte, “When You Die”, ligeiramente mais orgânico, com guitarras executadas por Ariel Pink, é cheio de versos que grudam na cabeça por dias (Go f*ck yourself!). “Hand it Over”, o terceiro, é calmo, suave e remete ao Tame Imapala do Currents. Os sintetizadores como base voltam a dar as caras em “Me and Michael”, que evoca o ar dos anos 80 com tanta maestria, que se estivesse em uma das seleções populares de músicas da década (A.K.A Flashback), ninguém suspeitaria que a música é de 2018.

Pitadas Lo-Fi também estão presentes em faixas como “TSLAMP”, que possui um dos refrões mais divertidos do álbum e também em “James”, faixa composta em homenagem ao guitarrista que acompanha a banda nos shows ao vivo.

Em Little Dark Age o MGMT finalmente encontra o equilíbrio entre a música que gostam de fazer e a música que seus ouvintes mais antigos e despreocupados gostam de escutar. É synth, é smooth, é estranho e é muito bom.

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