Os detalhes perdidos do festival Fora da Casinha 2017

Neste último final de semana ocorreu a 3ª edição do Festival Fora da Casinha. Com entrada totalmente gratuita e aberta ao público em geral, o evento foi produzido pela Casa do Mancha, que este ano comemora 10 anos de atividade.

Sábado acordou chuvoso com uma garoa contínua por boa parte da manhã e da tarde. Nossa equipe chegou ao local a tempo de acompanhar o finalzinho do show da Tatá Aeroplano + Bárbara Eugênia, que alegrava a pequena plateia em meio à fraca garoa que caía. Na sequência Vitreaux subiu no palco Macaulay, embora a chuva tenha apertado, isso não desanimou a galera presente que dançava, pulava, gritava e aplaudia com vontade a performance do grupo. Houve uma pequena falha técnica com uma corda estourada, que quase não se fez percebida. Vitreaux encerrou sua apresentação com muita maestria e empolgação, tanto da plateia, quanto da banda.

Giovani Cidreira fez uma forte e marcante apresentação. Com muita presença de palco e uma interação carismática com o público, soube do início ao término carregar suas canções e segurar a plateia presente para o show que viria a seguir. De todas as performances acompanhadas, Giovani foi certamente uma das melhores.

Na sequência ganhamos uma performance conjunta de Bratislava + Aloizio. Ganhamos? Certamente a junção dessas duas bandas foi quase um presente dos deuses. Ambas as bandas iam intercalando suas canções de uma maneira tão única e sincronizada, que não abria brecha para amadorismo. Era quase como se as duas fossem um grupo só. Não consigo definir de outra maneira a não ser usar a expressão “detonaram” no palco Macaulay! Sem mais delongas, partimos para a performance seguinte.

A essa altura, a garoa finalmente havia cedido e resolveu se esconder abrindo espaço para o público que ia em direção ao palco Tragédia curtir o som instrumental da Ema Stoned. Nesse momento, a multidão já começava a aumentar e a apresentação atraiu a atenção dos presentes que juntavam-se na frente do palco. Do início ao término, a presença de palco era virtuosa.

E por falar em presença de palco, Raça agitou muito o grande público que aparecia no Largo da Batata. Numa mistura de apreciadores da música independente, vendedores ambulantes e moradores de rua da região, ninguém ficava parado. A empolgação era tamanha que um fã da banda subiu ao palco e cantou a música de encerramento inteira com os membros.

Glue Trip teve a maior plateia do evento. E não foi a toa, sua apresentação foi excelente e muito empolgante. Do início ao fim conseguia-se notar toda a dedicação da banda com o festival. Dedicação essa que acabou estourando o tempo da banda. Por outro lado, a Casa da Mancha cedeu mais alguns minutos para os garotos finalizarem e agradecerem o carinho de todo o público presente.

O Tagore, por sua vez, esteve presente em todas as apresentações do dia. Vindo diretamente de Recife para o festival na cidade paulista, seu instrumental desenvolvia bem sua parte com muita destreza. Como esperado, conforme o evento chegava ao final, público começou a se dispersar pela região aos poucos. Sendo assim, coube ao Negro Leo fazer o encerramento do evento contando com muito envolvimento na questão plateia/artista.

O que deu errado?

Embora tenha sido um evento de médio porte, o policiamento estava escasso. O evento tinha seu número de seguranças distribuídos em locais estratégicos. Contudo, a polícia estava localizada numa extremidade do evento, ao lado do palco Tragédia. Deixando as outras regiões, como a dos banheiros químicos que estavam desertas, sem vigilância nenhuma. Assim como no palco Macaulay. Uma vez que a polícia estava muito atrás deste.

Tudo bem que ali pela região da Faria Lima tem muitos bares e botecos. Mas dentro do evento, especificamente no pátio onde ocorreram os shows, não havia nenhum lugar para comprar comida por boa parte da tarde. Quando anoiteceu apareceram mais vendedores ambulantes, dessa vez, vendendo comida. Seria interessante os organizadores chamarem carros ou barraquinhas de Food Truck para o pessoal não ter que se distanciar tanto das apresentações para se alimentar.

Outro ponto negativo foi o fato que durante qualquer apresentação que acontecia num palco, todos conseguiam ouvir a passagem de som que acontecia no outro (teste de som, etc.). Muita vezes a plateia perdia a atenção nisso achando que o show no outro palco estava iniciando. E por falar em som, durante algumas performances o volume estava estourando, como no show do Vitreaux, por exemplo, e no do Raça estava baixo.

Além disso, outro fato importante, que deve ser muito ressaltado e sempre relembrado, houve pouca presença feminina nos palcos.

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