Os 10 melhores clipes de 2018

2018 foi um ano incrível para a música e o audiovisual se mantêm como um dos principais componentes de atração do público. Nessa era de ascensão do lançamento de singles em detrimento de álbuns completos ou até mesmo como um adiantamento de novos projetos, os clipes se tornaram ainda mais importantes para a divulgação e representação estética dos artistas.

Há muito tempo não estamos mais falando de um vídeo de banda tocando em um cenário comum, com foco nos instrumentos e no teor emocional dos integrantes. O hip-hop e o pop elevaram a produção e direção dos clipes e desafiaram os outros gêneros a inovar no mesmo nível. De “This Is America” a “Thank U, Next”, 2018 foi marcado por obras memoráveis nas telinhas do YouTube. Confira os 10 melhores clipes do ano:

Janelle Monáe – PYNK

Exaltando o feminino e apostando em uma estética moderna e conceitual, o clipe de “PYNK”, de Janelle Monáe, traz mulheres como protagonistas sob um ponto de vista que foge da perspectiva masculina sobre o corpo e beleza feminina, se destacando como um dos melhores de 2018.

Arctic Monkeys – Four Out Of Five

A nova sonoridade da banda Arctic Monkeys veio acompanhada de uma estética impecável. Com atmosfera espacial e um retrô moderno que lembra o verso “Dancing to electro-pop like a robot from 1984” do sucesso “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, ainda do primeiro disco, o clipe de “Four Out Of Five” é imersivo e atraente. Alex Turner interpreta dois personagens e abusa das influências de Stanley Kubrick em cenários maravilhosamente construídos. A relação do artista com os instrumentos musicais e as inspirações que deram vida ao polêmico disco Tranquility Base Hotel & Casino também são perceptíveis no vídeo.

Elza Soares e Pitty – Na Pele

O arrebatador clipe de “Na Pele”, parceria de Elza Soares com a rockeira Pitty, traz um retrato vívido e nostálgico da vivência dessas grandes artistas. Ambas percorreram caminhos desafiadores na trajetória musical, e juntas refletem o ardor e o impacto desse meio em suas próprias histórias.

Djonga – JUNHO DE 94

Djonga é protagonista no clipe autobiográfico de “Junho de 94”. Faixa do segundo álbum do rapper belo-horizontino, “O Menino Que Queria Ser Deus”, a música traz o forte discurso anti-racista e reforça a reafirmação do cantor como agente de seu próprio sucesso: um artista que foca no seu corre e não na crítica elitizada.

IZA – Ginga

IZA também marcou presença com o clipe de “Ginga”. Ao lado de Rincon Sapiência, o registro traz uma estética impecável e um som que coloca todo pra dançar, além de exaltar o empoderamento negro e fincar o potencial dessa grande artista na cena nacional.

A$AP Rocky – A$AP Forever ft. Moby

O hip-hop é o grande responsável pelos registros audiovisuais mais bem sucedidos da música contemporânea ao lado do pop. Crescente cada vez mais no gosto do público, o gênero é marcado por lançamentos de singles acompanhados de vídeos, que aproximam o espectador ao conteúdo e atraem ainda mais os novos ouvintes. O clipe de “A$AP Forever” sem dúvidas foi uma das grandes produções de 2018, trazendo uma fotografia exuberante e uma direção espetacular estrelada pelo rapper A$AP Rocky e seus parceiros.

Ariana Grande – thank u, next

Acho que pelo menos no audiovisual é possível dizer que Ariana Grande salvou o pop em 2018. Claro que não se compara aos grandiosos clipes que assistíamos na MTV desde 2007, como as inconfundíveis produções de Lady Gaga e os dançantes vídeos de Beyoncé, que ainda continua dominando a cena com o lançamento do álbum visual de “Lemonade”, em 2016. Mas o clipe do hit “thank u, next” conquistou o público com as referências a filmes adolescentes e o tom humorístico junto a uma estética bem construída, sendo um dos grandes destaques do ano.

Criolo – Boca de Lobo

Em um ano tão turbulento para o Brasil como 2018, parecia impossível representar tudo em um único registro. Mas Criolo chegou escancarando as mazelas do país com maestria no clipe de “Boca de Lobo”. O vídeo traz a mesma pegada caótica que vemos em “This Is America”, mas representa os graves problemas brasileiros como política, racismo, corrupção e as principais polêmicas do ano. Sem dúvida um dos mais memoráveis de 2018 na música nacional.

APESHIT – THE CARTERS

Quer poder maior do que alugar o Museu do Louvre, em Paris, para fazer um clipe? Beyoncé e Jay-Z mostraram mais uma vez que são dois dos maiores nomes da música, deixando todo mundo boquiaberto com a produção magnífica do clipe “APESHIT”. Esnobando luxo e comemorando as conquistas, os Carters mostraram o potencial de um casal negro que alcançou o sucesso mesmo em uma indústria musical ainda bastante racista, fazendo várias críticas por meio da estética e das obras presentes no museu.

Childish Gambino – This Is America

O clipe de “This Is America” foi o grande auge do audiovisual em 2018. O vídeo do ator, humorista e rapper americano Donald Glover, conhecido como Childish Gambino, retratou diversas questões raciais e atualidades com referências genialmente construídas. A música recebeu indicações ao Grammy nas categorias de gravação e música do ano, mas o maior impacto realmente foi no audiovisual, que também foi indicado como melhor clipe.

O vídeo foi dirigido pelo célebre Hiro Murai, que revelou em uma entrevista que uma de suas inspirações para criar a esfera caótica do clipe foi o filme brasileiro “Cidade de Deus”, uma referência que quase ninguém percebeu enquanto tentava captar todas as inspirações da obra. Tanto o clipe como a série refletem sobre a cultura negra e a linha tênue entre arte e entretenimento no hip-hop.

Recheado de surpresas e moldado por uma estética que prende o espectador do início ao fim, o vídeo de “This Is America” entrou para a história como um dos mais aclamados não só de 2018, mas de todo o audiovisual contemporâneo que já vem sendo renovado pelo hip-hop há algum tempo. Mas assim como apontou o Minuto Indie em sua estreia, a caça às referências no vídeo de “This is America” distancia o espectador de sua principal motivação. Para saber mais sobre a reflexão que esse vídeo propõe, confira a matéria completa:

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