Notes On A Conditional Form coloca o The 1975 entre os maiores da década

Notes On A Conditional Form coloca o The 1975 entre os maiores da década

Quatro álbum da banda fecha uma era

Finalmente! Depois de muitos adiamentos, o The 1975 lançou seu quarto álbum de estúdio: Notes On A Conditional Form. O disco, que havia sido anunciado em maio de 2018, fecha a era Music For Cars, que conta também com o álbum anterior A Brief Inquiry Into Online Relationship. O novo álbum tem 22 músicas e é uma experiência imersiva pelo universo – cheio de universos – de Matty Healy, que definiu o álbum como “mais íntimo, noturno e cinematográfico” que o ABIIOR.

Esse é certamente o meu álbum mais “não me importo” de todos. Não de um jeito nihilista, punk, adolescente, “melhor não se importar para não se machucar”, mas de um jeito adulto. Não há ego lá.

AS FAIXAS DO NOTES ON A CONDITIONAL FORM

Se a banda atrasou o álbum – que inicialmente era esperado para maio do ano passado -, o quarteto de Manchester compensou liberando 8 faixas como single. A música que abre o álbum, mantendo a tradição de ter o mesmo nome da banda, já era conhecida e conta com um monólogo da jovem líder Greta Thunberg, em mais uma aproximação do The 1975 com os problemas ambientais da atualidade.

People, a segunda música do NOACF, é como um chute no peito: seja pela melodia com referências punk, pelo vocal agressivo ou pela letra, um grito de socorro para que a geração acorde para os problemas da sociedade.

Wake up, wake up, wake up!
We are appalling and we need to stop just watching shit in bed
And I know it sounds boring and we like things that are funny
But we need to get this in our fucking heads

A estética cinematográfica desejada pelo grupo fica clara especialmente nas faixas instrumentais, como a The End (Music For Cars) e Streaming que alternam momentos calmos e de tensão, como em uma opera.

Frail State of Mind – um dos singles – é um dos pontos altos do Notes On A Conditional Form. A fragilidade emocional, tópico da música, é traduzida também na melodia bagunçada e cheia de elementos. A viagem aqui parece ser na complicada cabeça de Matty Healy – e, por vezes, de todos nós.

Oh, what’s the vibe?
I wouldn’t know, I’m normally in bed at this time
You guys, go do your thing
And I’ll just leave at nine

Don’t wanna bore you with my frail state of mind

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Outra faixa que já havia sido lançada, The Birthday Party também é um passeio pelos devaneios de um dos vocalistas mais importantes da geração e parece ganhar mais força no contexto do disco do que como single.

Yeah I Know e Having No Head mostram como o The 1975 é cada vez mais experimental e com menos preocupações em ser comercial, com elementos de computador e beats acelerados, uma das maiores diferenças comparando especialmente ao primeiro trabalho da banda. A experimentação está presente também em faixas como Tonight (I Wish I Was Your Boy), que conta com um sample modificado da clássica Just My Imagination (Running Away With Me), do grupo americano The Temptations.

Then Because She Goes é uma faixa romântica com uma vibe shoegaze que só tem um defeito: é curta demais. A conexão com a faixa que vem depois, Jesus Christ 2005 God Bless America, que trata de forma irônica o tema da religião e as contradições que Matty Healy enxerga, é um dos sinais de como o The 1975 enxerga a construção de um álbum e entrega uma produção coesa e com nuances claras das direções que querem levar.

O aspecto autobiográfico do disco aparece em forma de histórias de turnê, reflexões sobre a fama, arrependimentos e explicações, como na cativante Roadkill, desconstrução das próprias mentiras como na brilhante Nothing Revealed/Everything Denied e um monte de perguntas como “eu vou viver e morrer em uma banda?” na acústica Playing On My Mind.

Will I live and die in a band?
My consciousness controls my hand
She can’t swim very well (Oh, you wouldn’t be able to tell)
Let’s find something to watch then watch our phones for half the time
When we go for food, you have yours and I’ll have mine
It says, “Don’t take these pills if you’ve been drinking any wine”

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O The 1975 ainda tem tempo de voltar pra sua origem no synth pop na melhor faixa do NOACF: a já conhecida e aclamada If You’re Too Shy (Let Me Know), para você dançar sozinha ou sozinho no quarto. A letra é sobre ficar pelado online, não espere muita profundidade. Sobre o sucesso da faixa, Matty disse:

Tudo que eu não ignoro para meus outros artistas [Matty é o diretor criativo da gravadora Dirty Hit] eu ignoro para o The 1975: estatísticas, listas… Todo mundo está falando ‘Esse é o seu single de melhor desempenho nas listas’. Eu tive que perguntar para as pessoas qual era antes desse porque eu nem sabia. Essa merda não me interessa de verdade. Fingir que eu estou interessado me parece falso. Porque eu estaria constantemente tentando quantificar o que eu amo fazer.

O tom de despedida do álbum se dá com duas das melhores músicas do Notes On A Conditional Form: a super emocionante Don’t Worry, música escrita por Tim Healy, pai de Matty e com quem ele performa um lindíssimo dueto e Guys, uma nota de agradecimento de Matty Healy a George Daniel, Adam Hann e Ross MacDonald, seus companheiros de banda. Pode chorar sem problemas nessas, especialmente no refrão de Don’t Worry:

Don’t worry, darling ’cause I’m here with you
Don’t worry, darling, oh, don’t worry, darling
Don’t worry, darling, I’ll always love you

A era Music For Cars chega ao fim no momento mais amadurecido da produção do The 1975 e termina com dois discos que dizem muito sobre tudo: sobre líderes e panoramas políticos mundiais, nossos contrastes e incoerências, as mudanças das nossas relações interpessoais, sobre nosso ego, erros e acertos. Notes On A Conditional Form é um álbum que coloca o The 1975 entre as principais bandas que surgiram de 2010 para cá. Seja por seus elementos musicais que caminham entre o anarco-punk, música eletrônica, pop rock dos anos 2000, r&b e autotune ou seja por ter um vocalista e compositor dinâmico, destemido e muito identificável em traços da personalidade de uma geração.

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Giovane Codinhoto

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