MI INDICA: The 1975, de banda cover punk a headliner

MI INDICA: The 1975, de banda cover punk a headliner

De uma banda de escola até tocar para mais de 100.000 pessoas, conheça a história do The 1975, uma das principais bandas alternativas da década

Quando Matthew Healy, Adam Hann, Ross MacDonald e George Daniel se conheceram na Wilmslow High School e começaram a fazer cover de bandas punk em shows organizados pelo conselho local para adolescentes se divertirem, não sabiam que ali começava a história do The 1975.

De 2002 – começo da banda – até janeiro de 2012, a banda fez música sob os nomes de Me and You Versus Them, Forever Drawing Six, Talkhouse, the Slowdown, Bigsleep e Drive Like I Do. A última, uma entidade diferente do The 1975, de acordo com Matty Healy, frequentemente tem seu “retorno” questionado por fãs.

Quer ver os meninos novinhos? Separamos esse clipe de “Ghosts”, (quase) sucesso do Bigsleep. Sejamos sinceros: a gente conhece esses riffs!

OS PRIMEIROS EP’S DA HISTÓRIA DO THE 1975

A história do atual nome tem influência do consagrado On The Road, livro do escritor americano Jack Kerouac, que continha uma data “1 June, The 1975”. Já sob a nova alcunha, a história do The 1975 começa com o lançamento do EP Facedown em agosto de 2012, quando a música The City começou a tocar nas rádios britânicas. Mas é Sex, do EP de mesmo nome, o primeiro sucesso da banda, impulsionado com a ajuda do importante radialista e DJ Zane Lowe tocando a faixa na BBC Radio 1. Em entrevista para o GoldenPlec em 2012, a banda comentou sobre a recepção do Facedown:

Nós estamos fazendo música juntos por muitos anos então eu imagino que a nossa jornada criativa e como amigos tem sido bem longa e complexa. Mas nós só nos tornamos The 1975 em janeiro desse ano. Seis meses atrás a gente estava planejando soltar essas faixas com absolutamente nenhuma intenção de serem aceitas do jeito que estão sendo. Nós meio que nos acostumamos em ser uma banda underground – onde o mundo das grandes rádios e da mídia parece muito longe. (…) Nós nunca pensamos em estar na rádio, não parecia ser algo realista. É difícil explicar o quão estranho é saber que somos uma banda vendendo músicas e lotando shows. A gente fica feliz que as pessoas parecem se conectar com o que somos. O fato de tudo ter sido tão aceito catalisou um verdadeiro avanço no entendimento da nossa identidade.

O terceiro EP da história do The 1975, de nome Music for Cars, traz outro sucesso. Chocolate (que na verdade é sobre maconha) é a primeira música do grupo britânico a alcançar o top 100 da Billboard, na posição de número 80. Na Inglaterra, o single chegou à 20ª colocação nas paradas.

O PRIMEIRO ÁLBUM – THE 1975

Todo o hype criado pelos EPs anteriores criou uma expectativa também para o primeiro álbum da banda. O disco homônimo da banda é produzido por Mike Crossey, que já havia produzido nomes como Arctic Monkeys, Foals e Two Door Cinema Club, e traz consigo toda a identidade musical e estética da banda. Com os sucessos já conhecidos dos lançamentos anteriores e músicas como Settle Down e Girls, a história do The 1975 começa traduzindo todas as suas influências: um pop rock estético e comercial, cheio de referências do emo, do pop, do synth pop, do shoegaze e um aspecto cool e magnético personificado na melancolia e eletricidade de Matty Healy, o vocalista.

NEM OASIS E NEM ARCTIC MONKEYS

A necessidade da indústria e da mídia de comparar qualquer banda nova com tudo que já tá rolando chegou também no começo da história do The 1975. Como uma banda de Manchester, o quarteto britânico tinha de tudo para ser comparado com sucessos como Oasis e The Stone Roses. Sobre isso, Matty Healy disse:

Nós não nos importamos (com ser de Manchester) para ser honesto. Eu não gostaria de promover essa ideia de que toda música que sai de Manchester é só uma “saudade tribal” de bandas anteriores. Não é, tem muita música realmente relevante saindo de Manchester. Nós não vestimos a medalha de honra da “banda Manc”. Nossa localização geográfica nunca foi relevante ou inspirador para a gente. Nós realmente não curtimos a ideia de ser julgado pela cidade que viemos – ou a ideia de alguém ser julgado por isso, para ser sincero.

Além do pin no Google Maps, outra razão para compará-los era a época em que surgiram. No fim dos anos 2000 e começo dos anos 2010, muitas bandas indies produziram importantes álbuns, como Arctic Monkeys e The Killers. Se você conhece o vocalista do The 1975, sabe que ele também não gostou das comparações com essas bandas também, e falou para o Independent (isso sim, parece ser uma coisa bem da galera de Manchester!):

Quando você é um grupo de garotos brancos com guitarras, as pessoas vão te associar com outros garotos brancos com guitarras. No nosso primeiro álbum, nós fomos comparados com bandas como o Arctic Monkeys. Quer dizer, eu gosto deles… mas eu não poderia imaginar uma comparação menos desejada. Para mim é tão imprecisa. Nós sempre tivemos que lutar contra essa coisa do indie.

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O ÁLBUM COM 16 PALAVRAS NO TÍTULO E 17 MÚSICAS

Ok, se você não é fã, provavelmente não tem decorado o nome inteiro do segundo disco da história do The 1975: I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware of It. O nome, de acordo com Matty, é inspirado em algo que ele disse para uma namorada.

Também produzido por Mike Crossey, o disco é uma aposta ainda maior nos sintetizadores anos 80 e tem claras influências do R&B. O álbum, com músicas como Love Me, The Sound e o maior sucesso da banda, Somebody Else, chega em 2016 e alcança a primeira colocação das paradas da Inglaterra e dos Estados Unidos -, consegue uma indicação para o Grammy e leva o The 1975 pela primeira vez a programas como o Saturday Night Live, The Tonight Show Starring Jimmy Fallon e outros talk shows.

O álbum tem músicas que refletem também sobre todo o processo de reconhecimento da banda. The Sound, uma das canções de maior sucesso do disco e da banda, tem em seu clipe uma série de críticas recebidas desde o começo da história do The 1975, e brinca com toda a exposição que o quarteto britânico começou a ter, estando presos dentro de uma caixa – calma, eles não foram capturados pelo Joe Goldberg – sendo analisados por todos ao redor.

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O RETÂNGULO

The 1975 - 'The 1975' & 'An Encounter' mashup - YouTube

O retângulo, símbolo maior da banda e tatuagem de uma série de fãs, é explicado pelo seu criador Matty Healy, que contou com a colaboração do artista Samuel Burgess-Johnson:

“Acho que a gente se inspirou na Chanel. Nós queríamos algo que parecesse mais com uma marca do que com uma banda”

O segundo álbum conta também com uma mudança na identidade visual da banda: o preto e branco dá espaço para tons de rosa e roxo, presentes já na capa do I Like It When You Sleep.

 

The 1975: The 1975 Album Review | PitchforkI Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware ...

A REABILITAÇÃO DE MATTY HEALY E O TERCEIRO DISCO

A história do The 1975 tinha mudado: de uma banda que demorou 10 anos para lançar seu primeiro disco a ser headliner em festivais. Era julho de 2017 quando eles fechavam o Latitude Festival, poucas horas depois do baterista George saber que Matty Healy estava envolvido com drogas de novo. Dois meses depois – em setembro – o vocalista, sob efeito de remédios, discursa depois do jantar sobre não precisar parar de usar drogas e que se todos quisessem fazer música, tinham que lidar com isso.

Arrependido, no dia seguinte ele toma uma importante decisão: ir para a reabilitação. Matty passou 7 semanas em uma clínica em Barbados entre novembro e dezembro e está limpo desde então.

Muitas são as músicas da história da banda que estão ligadas com o uso de drogas, inclusive no terceiro álbum. De acordo com ele, It’s Not Living (If It’s Not With You), um dos singles do A Brief Inquiry Into Online Relationships, fala sobre o uso de heroína. Sobre deixar isso claro, o vocalista explica para a Billboard:

Eu não tenho coisas que eu quero escrever sobre que não são exatamente como eu me sinto diariamente. O problema que eu tenho agora é que essa é a minha verdade, e eu sinto que não consigo negociar direito com o mundo se eu não disser a verdade

Na mesma entrevista, Matty fala sobre a aproximação que falar sobre temas como uso de drogas, ansiedade e depressão o conecta com a sua base de fãs:

A loucura parece ser algo fácil de se identificar, porque as pessoas sabem como é se sentir assim.

A PREOCUPAÇÃO SOCIAL DA ERA MUSIC FOR CARS

Primeiro é importante explicar. O rolo da era Music for Cars é grande – mas a gente já explicou aqui – e hoje consiste em dois álbuns: A Brief Inquiry Into Online Relationships, lançado no fim de 2018, e Notes on a Conditional Form, álbum previsto para o mês que vem.

A fase marca uma aproximação da banda com várias pautas: é possível encontrar músicas que falam sobre a identidade de uma geração e todas as suas contradições, como em Love It If We Made It, a questão armamentista, como em I Like America & America Likes Me e o ambientalismo, com o monólogo da jovem ativista Greta Thunberg que abre o Notes on a Conditional Form.

Musicalmente, a era apresenta de tudo um pouco: gritaria punk como em People, o uso de autotune com a influência do hip hop, músicas mais lentas como Be My Mistake, um mergulho no pop rock do início dos anos 2000 em Me & You Together Song e o sintetizador clássico da banda como em Frail State Of Mind.

E DEPOIS?

De acordo com o próprio vocalista, “não tem ninguém fazendo algo tão relevante quanto eles no momento” e “me mostre caras com guitarras que são mais relevantes para fazer isso”, se referindo a ser headliner no Reading Festival, um dos mais importantes do circuito mundial. Sobre ficar no topo do line-up no Glastonbury, festival assistindo por mais de 200.000 pessoas, Matty Healy diz que o The 1975 está pronto, mas apontando para a própria contradição do discurso inflado.

Eu acho que estamos prontos. Glastonbury, nos dê um ano. Reading vai ser amanhã. Será definitivamente um show muito humilde. Todo esse ego e confiança aqui provavelmente vai embora e vai ser algo tipo “Honestamente, pessoal, muito obrigado por terem vindo.”

O que vai acontecer ao fim da era Music For Cars ainda não é claro: pode ser um CD do Drive Like I Do, um hiato ou uma nova era logo em seguida. Certo é que podemos esperar coisas novas: o The 1975 não é do tipo que busca seguir alguma fórmula de sucesso. É dinâmico, agitado, movediço, enérgico, inquieto e vivo, como Matty e sua geração.

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Giovane Codinhoto

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