FAIXA A FAIXA: Anticlimax, CD da banda Blackjaw

Banda fará parte do Oxigênio Festival que rola em setembro em São Paulo

A Blackjaw é uma banda de Santos/São Vicente que foi formada em 2009, e fortemente influenciada pelas bandas dos anos 80/90 do punk e hardcore, lançou em 2017 seu 3º trabalho de estúdio, intitulado Anticlimax. Ouso dizer que foi um dos melhores álbuns lançados no ano passado no gênero e foi bem recebido pelo público que segue as bandas em seus shows e pelas redes sociais, logo, merecia um faixa a faixa mostrando o quão intenso esse álbum é.

Você pode acompanhar esta resenha ouvindo a banda no link: https://blackjawdancers.bandcamp.com/album/anticlimax

O CD começa com a faixa Reverie que conta com a participação especial da cantora Karen Dió que hoje faz parte da banda Violet Soda e a música por mais calma que possa parecer, começa com um verso gritado num sentimento de angustia de alguém que faz parte da nossa vida e que é preciso esquecer para que a vida possa prosseguir novamente. Com riff marcante, a música é uma reflexão de algo que acabou e o quanto é dolorido ver o fim daquilo que mais gostamos e desejamos que se mantivesse firme como sempre foi.

Time To Unlearn já é mais rápida, mesmo assim a letra mantem-se como forma de reflexão e busca dizer a alguém que ainda existe dor, por mais que seja necessário, seguir em frente é bem complicado. É transmitido a quem ouve uma vontade de explodir a qualquer instante e pode ser bastante útil a quem está passando por momentos difíceis, pois você se sente dividindo o peso de se reerguer com alguém que parece passar pelos mesmos momentos.

Only Happy When It Hurts tem um tom mais crítico, pois fala sobre privilégios e preconceitos que fazem parte do dia a dia, infelizmente, das pessoas em todos os âmbitos. Além disso também aponta o dedo na cara do quanto isso cresce pelo fato de que pessoas com maiores privilégios raramente sofrem questionamentos quando utilizam sua fala para atacar os outros e o quão fácil é justificar o que é dito para sair ileso. A música também destaca a força das palavras e o quanto elas podem ferir e machucar outras pessoas. A banda tem como um dos seus maiores destaques o modo no qual as vozes de seus integrantes se revezam nas músicas sem que isso crie um incômodo ou se que seja agressivo, tudo é bem suave e muitas vezes imperceptível.

A quarta faixa do álbum é Find A Name That Perfectly Fits, que mesmo sendo uma música também sobre dores e momentos difíceis, traz uma maior motivação, e dizer que a dor não durará para sempre e que as boas memórias sempre virão quando as coisas ficarem obscuras, trazem grande força pra quem ouve, o CD todo é bem reflexivo na questão cotidiana e no quanto cada pessoa tem suas particularidades nos problemas da vida, cada uma reage de um jeito e se motiva de diferentes formas. A música é mais calma e embalada de uma forma mais dançante, o que reforça a pegada do “levante e ande”.

Em seguida vem Drowning, que tem uma letra mais próxima a um fim de relacionamento, quando você não é exatamente a parte que pediu o fim. Depressão, angústia, falta de ar e sensação de afogamentos fazem parte dessa música que transmite bem o que se sente quando somos deixados por alguém que amamos. Se botar todos os sentimentos pra fora ajuda, faça-o acompanhado desta música que dá vontade de cantar cada verso e seu refrão com vozes misturadas é ótimo pra isso, você pode escolher quem seguir pra cantar.

Off The Track já é uma música que fala sobre pessoas frias e sem empatia que demonstram ser algo que no fundo não são, que transformam tudo em trivialidades e que são muito egoístas na verdade. Pessoas que se utilizam de outras para conseguirem o que querem sem pestanejar muito e que no final são totalmente mortas de sentimentos. O som mais direto dá ênfase no dedo apontado na cara e no “soco” que é a letra.

Sovereignty é outra música crítica, porém agora na parte dos dogmas e crenças pessoais, quando saem do controle e a pessoa acredita que todas as outras devem pensar igual, agir igual, praticar os mesmos costumes e não respeitam a liberdade pessoal de cada um, afetando o convívio social de todos. Essa música é pra aquele seu amigo religioso que não consegue guardar a religiosidade pra sí e quer te converter a qualquer custo, não respeitando suas origens e seus pensamentos.

Fear The Dawn é sobre a cobrança de tomar decisões rápidas por pressão dos outros e o quanto isso faz mal, por muitas vezes não decidir o que nos faz bem diante de tanta gente em cima de você querendo o “seu melhor”. É incrível como a gente se sente sozinho com muita gente cobrando que você sempre tenha a melhor escolha. A música também fala sobre sentimentos antes fortes e que agora vão se esvaindo conforme o tempo passa. A melodia varia entre a calmaria e o nervosismo, a raiva e o sereno, mostrando as várias mudanças de humor do dia a dia.

Distance volta a velocidade e traz uma letra diferente de todas as outras, como se a pessoa que fala fosse de certa forma culpada por causar mal de certa forma a outra, mesmo que essa não seja a sua intenção. É aquela pessoa que termina com você expondo tudo o que ela sente, pra deixar de uma forma mais clara e simples de entender, é o outro lado da moeda, a segunda parte da história, essa música é ótima pra quem está na fase do “por que você fez isso comigo?”.

Eclipse é a penúltima música que começa com um solo bem definido e já vira numa canção rápida como um tiro, a segunda parte do álbum é uma virada de jogo, a segunda parte da história que quase sempre esquecemos de ouvir ou que não acreditamos o suficiente. Essa é a hora da pessoa pensar e decidir o que ela quer pro futuro, o que ela quer expor ou manter guardado pra ela. A quebra de ritmo da música também mostra uma parte tentando se defender pra não estagnar e poder também seguir em frente, sem maiores dores ou sofrimento.

O CD termina com Ghosts, uma canção bem calma e beira a sensação de estar sentado em frente ao mar ou a um rio, momento que se fecha os olhos pra pensar em tudo o que está acontecendo. É uma conversa no qual tudo deverá ser pensado e dito, ambas as partes se conhecem e precisam definir seu futuro. Parece um som de reconciliamento, mas na verdade é algo que parece se silenciar de vez pra deixar certas coisas pra trás, algo triste, mas necessário.

São 26min de reencontro consigo mesmo, letras fortes, músicas que variam bastante entre a calmaria e a velocidade, com melodias bem trabalhadas, ótimos arranjos e uma gravação impecável.

 

Conheça a banda:

 

 

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