Exclusivo: Quasar lança primeiro disco, ouça “Coruja”!

Primeiro disco cheio da banda Quasar, “Coruja”, sai pelos selos Pessoa Que Voa e Banana Records. Ouça primeiro no Minuto Indie.

Foto: Carolina Brandão.

Foi em 2014 o surgimento da banda Quasar, na ocasião Caio Gonçalves (Bateria), Felipe Meneses (Baixo) e Guilherme França (Guitarra/Voz) uniram suas forças e habilidades musicais para criar um som novo, inspirado pela cena independente nacional que consome, e hoje faz parte. O primeiro registro veio a tona em 2016, “Enquanto o Futuro Não Vem” escancara o lo-fi e a força do DIY, características da banda.

Já em 2017, mirando o lançamento do primeiro disco cheio, a Quasar lançou em março seu primeiro single inédito, “Aurora”.  Pouco tempo depois, mais um single, “Nada de Novo Sob o Sol”. A primeira extremamente ecoada e psicodélica destoa da segunda, mais melancólica e sombria, o instrumental também aparece mais acelerado, enquanto o vocalista, apelidado carinhosamente como Guigas, lamenta desilusões.

Estas duas faixas  citadas serviram como amostra para o que viria em “Coruja”, o disco cheio de estreia da Quasar que sai agora pelos selos Pessoa Que Voa e Banana Records. Conversamos com a banda sobre a criação deste álbum e, como de costume, eles comentam faixa-a-faixa todas as músicas do disco. Confira:

MI – Vocês estão lançando hoje o primeiro disco cheio da carreira, como foi tomada a decisão de gravar um disco e não mais um EP, como muitas bandas costumam fazer?

Felipe: Sempre pensei que o EP fosse algo para uma apresentação de banda, uma amostra. Já o disco coisa mais completa das ideias do grupo e pá. A gente só seguiu o que era mais coerente.

Guilherme: O disco surgiu de maneira muito natural na real, a gente tem bastante música disponível e acabou escolhendo essas 10 porque fecham bem uma ideia. Também acho que o EP era só um cartão de visita, bem imaturo por sinal, o “Coruja” é a gente como banda mesmo.

Caio: Pra mim foi algo bem tranquilo, não sentamos e falamos “vamos fazer um disco cheio” ele simplesmente foi acontecendo e ainda temos uma música escrita pelo Felipe, acho isso massa.

MI – Como foi o processo de criação do disco? Vi que vocês mesmos fizeram as gravações…

F: O disco foi feito da forma mais básica possível: alguém tinha uma ideia (geralmente o Guilherme), ouvíamos, julgávamos se geral gostasse os arranjos eram inseridos e assim foi. O que tornava tudo complicado era a questão do tempo e a série de problemas técnicos que ocorriam.

G: E o que deixou tudo bem básico e natural foi a pré-produção. Passamos uns 3, 4 meses indo pra casa de alguém ficar pensando em tudo pra depois só treinar e gravar cada um na sua casa, com tranquilidade (com exceção de umas faixas que gravamos ao vivo nos ensaios), tudo isso ajudou bastante. Façam pré-produção Brasil.

C: Aprendemos com os erros então trabalhamos bem a pré do disco, mesmo com os problemas que surgiam.

MI – O que vocês ouviram para se inspirar nesse período?

F: Ouvia muita coisa pra inspirar a ser “baixista competente”. Gentle Giant, Rush, Kraftwerk, Pink Floyd. Também ouvia Vinicius Mendes, Ludovic e Theuzitz pra lembrar que sou do rolê.

G: Não ouvia nada pra me inspirar propositalmente, mas as músicas do disco carregam muito do que gosto. Strokes, Fábio de Carvalho, Bloc Party, Luziluzia, Ventre, Lupe de Lupe, gorduratrans, os dois primeiros do Tame Impala e Melody’s Echo Chamber, o “Total Life Forever” do Foals. Basicamente coisa guitarrenta e agitada (risos).

C: Nesse período eu ouvia muito Strokes, Toe, Luziluzia, Chico de barro, El Toro Fuerte, eliminadorzinho, gorduratrans, A página do relâmpago elétrico, Asian Kung Fu Generation, Radwimps, Kendrick Lamar, Bloc Party, KANA-BOON, MC Kekel, TH e João. Ando sempre ouvindo bastante coisa o dia todo, trabalho de fone então não dá pra citar tudo (risos).

MI – Uma coisa que me chamou atenção foi o nome “Coruja”, me remeteu imediatamente a inteligência e também a forma dilatada que os olhos ficam após usufruir de alguma droguinha ou outra, tem alguma relação com isso que citei?

G: Acho que abrange um monte de coisa. Fiz todas as minhas músicas do disco de madrugada, corujão mesmo (risos), também acho que a gente pode atribuir a sabedoria também, principalmente autoconhecimento, nos encontramos como banda nesse período de 2016-2017, me encontrei como pessoa também escrevendo essas canções, foi um ano difícil. No final das contas só queria um nome bem simples pra gerar essa discussão e deu certo.

F: Sei lá, pra cada um tem um significado. Eu vejo que figura da coruja representa algo mais noturno e sombrio que habita madrugadas (assim como nossas neuroses), mas sei lá, pode ser algo que significa porra nenhuma.

C: Foi um parto para o Guigas me convencer de ser coruja, a princípio não gostava da ideia e batia na tecla que se fosse pra ser um pássaro, que fosse um corvo. Não entendia o motivo pra ser coruja mas como eu não conseguia pensar em nada melhor eu concordei desde que tivéssemos uma arte muito boa, deu certo (risos). Hoje curto o nome e saquei o porquê dele, fora a arte que tá linda.

MI – O álbum sai pelos selos Pessoa que Voa e também pelo Banana Records, este último que já havia lançado o EP “Enquanto o Futuro Não Vem”. Comentem sobre como funciona a parceria de vocês.

F: Nem sei, a gente só vai. Mas eles são muito gente boa, nunca bateram na gente.

G: Somos bem desenrolados em quase tudo na real, a gente só aciona os selos quando tamo com a corda no pescoço e precisamos de ajuda ou quando queremos/precisamos focar na música e eles fecham o resto das funções pra gente, o inverso também rola. É bem legal trabalhar com os amigos.

C: Admiro muito as pessoas da Banana, criamos uma amizade muito massa e gostosa. Já com a PQV éramos amigos antes mesmo do selo acontecer. Acho muito bom poder trabalhar com pessoas que gosto, ver todos evoluindo é bem doido.

MI – Vocês pretendem prensar cds? Investir em merch e vender nos shows pós lançamento?

G: Sim, tá tudo no papel já: Vamo levar camiseta, bottom, pôster e adesivos pro nosso próximo show (com a Tom Gangue dia 14/10 na Breve), também vai rolar loja online. Com o lucro disso tudo a gente vai tentar fazer uns cds. Não víamos muito sentido fazer cd porque não tem demanda, mas Carolina teve ideias sensacionais pro encarte, que traz um valor artístico que vai além do cd em si, tamo ansioso pra fazer.

C: Também compramos maquininha de cartão, que vai ajudar bastante pra vender. Eu era doido pra ter um cd, já tinha comentado com a Larissa Conforto (Ventre) e ela deu a dica pra vender algo que não é só um cd sabe? Bem massa que isso vai rolar pelas mãos da Carolina (Dantas).

MI – Agora comentem sobre as novidades (bandas, artistas…) que enxergam ter alguma relação com o trabalho novo da Quasar.

G: A Carolina foi fundamental pra esse trampo fazer mais sentido, a gente foi trabalhando junto e tudo foi ficando pronto ao mesmo tempo. Acho que temos uma linguagem muito parecida e isso fez o disco ir além das músicas. Também vejo nosso som se alinhando com o da eliminadorzinho ao longo dos meses, eles moram por perto e saímos bastante, faz sentido isso tudo rolar. Depois que o EP deles sair vamo tentar fazer uma tour juntos se a galera animar.

C: Creio que com o pessoal da Chico de barro temos uma relação bem massa, Aurora foi mixada pela Nathanne Rodrigues (vocal e guitarra) e troco bastante ideia com o Millecco (baterista), tiro dúvidas, peço dicas e tal, o mesmo acontece de lá pra cá, curto bastante isso.

F: O Theuzitz foi uma forte influência pra mim, diria até essencial para que houvesse uma faixa minha no disco. Nós discutimos sobre composição, tanto que tentei algo na prática e deu certo. Demorou mas foi.

Faixa-a-Faixa: “Coruja”

Capa: Carolina Dantas.

01 – “Aurora”:

G: Canção de amor bem simples na real, uma das únicas gravadas ao vivo no disco. Acho que a única coisa que se destaca nela é que pela primeira vez não me sinto brega fazendo uma letra desse tema, acho que pra dar certo tem que ter simplicidade mesmo.

F: Adoro como ela é fofa e barulhenta. E é poeticamente linda, além dela ser toda shoegaze. Um charme.

02 – “Termo”:

G: Não temos muito o que dizer dessa faixa, acho que ela é a mais auto explicativa de todas. Com o tempo foi virando uma espécie de antítese de Aurora, por isso esse nome.

F: Essa é pra chorar em locais públicos. Passa uma vibe de fundo de poço mas sem ser derrotista pelo lance da exigência da autoconfiança.

03- 珠   (Kizuna, “laços”, “vínculos” em japonês):

G: Gosto demais dessa. Da vibe, da duração, os timbres, da mensagem. Acho que gente precisa falar mais sobre esperança e a gente conseguiu dizer isso muito bem nesses quase dois minutos, inclusive o nome caiu que nem uma luva por causa disso: eu só tenho esperança por causa dos meus amigos mesmo.

C: Quando o Guigas me mostrou essa música só consegui pensar nesse nome, acho que casa muito com a letra.

F: Good vibes demais, lembra muito abertura de anime, talvez até perfeita para AMVs. É a canção pra todo mundo cantar fazendo arminha com o dedo e gritando.

04 – “Desalento”:

G: Essa foi a última que escrevi antes de começarmos a pré-produção, tava com medo de parecer tapa buraco pra ter 10 músicas no disco mas no final das contas acabou entrando na proposta do álbum e hoje é uma das minhas favoritas.

C: Gosto dessa porque posso tocar rápido.

F: Divide meu coração junto com a última faixa. Nunca imaginei que ia gostar tanto dela. A canção pra escutar fazendo air guitar fingindo ser roquista muito louco.

05 – “Mudança”:

G: Acho que Mudança resume muito bem a mensagem do disco: pode acontecer o que for na sua vida, mas não tem como aproveitar isso 100% se você não se amar. A produção dela meio que estabeleceu a filosofia de gravação também: quanto mais urgente melhor, escrevi a música em 10 minutos no máximo, os meninos deram um toque de personalidade depois e ficou assim.

F: Sem dúvida é a mais expressiva do disco por declarações como “não aguento mais, meu corpo pede calma”. Acho que grande maioria vai se identificar, junto com Desalento. Essa é pra galera que chora de raiva.

C: Ou mandar o passinho.

06 – Nada de Novo Sob o Sol:

G: Essa música surgiu de uma maneira engraçada. Tava brincando com um pedal e saiu o riff, cheguei no Caio dizendo que parecia Bloc Party e comecei a improvisar uma letra (bem parecida com a final), o resto foi aparecendo pouco tempo depois. Bem espontânea.

C: Ela começou a ganhar corpo durante a produção e foi engraçado ver a evolução dela.

F: Concordo, tanto que só entendi a canção quando tudo ficou pronto.

Foto: Ana Claudia Caixeta.

07 – “O Que Escrevi Atrás da Sua Foto”:

G: Entrou por um triz no disco. Era um áudio de celular que tinha desde 2015 e achei na época que fomos escolher as faixas que iam entrar pro tracklist. Queria ter colocado um nome mais divertido nela, mas tudo bem. Um comentário bonito dessa faixa foi o Lvcasu me dizendo que parece que as guitarras tão dançando uma com a outra.

F: Também fico feliz que consegui adicionar muitas das minhas influências nela, foi difícil pensar em algo.

08 – Contido:

G: Crespo (Felipe) me mandou uma versão voz e baixo por áudio de whatsapp depois que a gente já tinha escolhido as dez faixas do disco, gostei tanto dela que pirei na ideia de fazer tudo do zero ao invés de outra música que acabou saindo da versão final do álbum. Ainda bem que insisti bastante pq o resultado ficou massa.

F: Sei lá, é meio que uma primeira experiência de composição. Juntando tristeza pessoais com um pouco de influências ocasionais.

C: É massa ver que estão tendo outras composições, espero chegar num nível de conseguir fazer as minhas também (risos) foi bem complicado criar algo pra ela mas deu pra mandar algo gostoso de tocar

09 – Covarde:

G: Acho que é nossa música mais agressiva, com certeza a mais barulhenta. Sempre falo pros meus amigos que sou um cara com muitos medos, mas tento encarar todos, e na minha cabeça isso sim é ser corajoso. Às vezes a gente tem que bater no peito e falar que é covarde pra poder tirar certas coisas do caminho.

F: Mal posso esperar pra poder ver um bate cabeça dela nos shows. Gosto dela por ser muito similar a bandas que adoro: Grupo Porco, Ludovic e qualquer metal punk pauleira do começo dos anos 90.

10 – “Quando o Mar Não dá Mais Pé”:

G: Essa música fecha tudo muito bem pq mostra todo nosso entrosamento e o jeito de cada um tocar. É a única faixa que não fui produtor, os meninos foram eles mesmos e eu também. Um fato divertido é que usamos a gravação de bateria do nosso show em São Carlos, a galera de lá é muito acolhedora e apaixonada pelo rolê, fico feliz de ter um pedacinho deles no disco.

F: “Mar” explora todo conhecimento individual da banda. Chega a ser única pois une nossas influências mais distintas. O que me faz gostar dela é seu ar cinematográfico, traz uma atmosfera diria até demoníaca, afinal ela começa com uma dor meio contida em meio a calma e termina melancolia sufocante. É lindo cara, umas das coisas que me orgulho da Quasar até então.

C: Uma das minhas favoritas, mostra diversas fases e da uma sensação boa de ouvir, do meio pro fim me dá vontade de deitar e abrir os braços como se estivesse boiando no mar mesmo. Foi bem complicado criar essa música, mas acabou virando uma das minhas melhores baterias, é uma sensação ótima.

Serviço:

PQV #3 – Tom Gangue e Quasar na Breve

Breve | Rua Clélia, 470
Abertura da casa às 19h
Valor: R$ 15

https://www.facebook.com/events/274057429758679

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