Exclusivo: A Olívia lança “Jardineiros de Concreto”, confira!

Quarteto paulista, A Olívia divulga seu primeiro disco, “Jardineiros de Concreto”. Com exclusividade no Minuto Indie.

Foi no ano de 2013 que o Brasil reviveu, depois de muito tempo um momento de comoção nacional, sim, os protestos de julho fizeram este ano ficar marcado assim para muitas e muitas pessoas, deixando de lado, claro, diversos outros fatos importantes. Mas para a Luis Vidal, Mateus Albino, João Carvalho e Murilo Fedele o que marcou desse ano foi o nascimento de um projeto, uma banda, chamada A Olívia, que hoje divulga seu primeiro disco. Com exclusividade pelo Minuto Indie.

O quarteto paulista usou esse período compondo um disco divertido e cheio de histórias peculiares, “Jardineiros de Concreto” é um álbum “sobre brigas em bares, garotas e personagens inventados, mas jamais irreais”, comentam os próprios integrantes.

Você confere agora uma entrevista + faixa a faixa exclusivo, com a banda falando sobre cada uma das músicas:

Foto: Bruna Bento.

MI – Vocês se conheceram por volta de 2013, né? Como rolou de montar a banda?

A Olívia: Sim foi mais ou menos por aí. Eu  e o Mateus estudamos juntos desde a quinta série, mas só no último ano da escola, lá em Caieiras, decidimos montar uma banda. Então a gente vem tocando junto desde essa época. O Jhonny e o Murilo também são amigos de infância e tocaram juntos em outros projetos. Em 2013 tava todo mundo sem banda e foi quando a gente chamou o Johnny. O Murilo veio logo em seguida, fizemos um ensaio lá no Nimbus e pronto, formamos a banda! O Pedro eu conheci num dos projetos do Fábio Tagliaferri. Ele  quase tocou batera com a Olívia no começo, chegamos a fazer show junto e tudo. Acabou que só agora esse ano ele se juntou a nós na percussão e teclados.  Estreamos a nova formação no SESC Vila Mariana e foi bem massa!

MI – Como foi o processo de concepção do disco, nesse meio tempo vocês acabaram mudando muita coisa do que era a ideia inicial?

A Olívia: Foi um processo meio atípico. O disco foi coproduzido pelo Rodrigo de Castro Lopes e o Raphael Mancini. As primeiras músicas que gravamos foram com outra formação e tinha outro nome. Mas a banda não foi pra frente e as músicas ficaram paradas. Durante esse meio tempo que estávamos sem tocar eu fui compondo algumas coisas. Arruda acho que é dessa época.

A Olívia ficou sem um nome por um bom tempo e isso tem tudo a ver com a concepção do disco. Sempre gostei de músicas com personagem. A gente já tinha algumas. Então um dia eu fui conhecer a minha priminha recém chegada a esse mundo e foi simplesmente lindo assim…Colocaram a Olívia no meu colo e a gente ficou se olhando, tem uma foto muito bonita desse dia. Mexeu bastante comigo numa época em que as coisas não estavam muito fáceis. Eu fiquei matutando aquela experiência e pensei que aquilo queria dizer alguma coisa. Sugeri essa ideia pros meninos e pra minha surpresa todos gostaram.

Ali o conceito do álbum fazia todo o sentido. O foco das composições estava nas pessoas sabe… Personagens criados ou gente de verdade. Todas a músicas tem uma ou mais pessoas por trás como inspiração e também como uma homenagem.  Quando a ideia de “Jardineiros de Concreto” surgiu, achamos o personagem mais lúdico de todos e repleto de significados. Reunia um pouco de cada música e muito de nós mesmos. Quando eu contei toda essa história pro Lucas Tonon, designer que elaborou a identidade visual do álbum, ele se empolgou demais. e fez esse trampo tão caprichado que vocês estão conhecendo hoje. O lance do jardim, de adubar ideias, já era um conceito que ele tinha  também, muito por conta da Rádio MInhoca, nossa página de podcasts/QG e do Canteiro Marginal. O Lucão é um cara muito sonhador, batalhador e um grande artista. A capa tinha que ser feita por ele.

MI – Agora sobre apresentações ao vivo, de que maneira estão rolando os ensaios e quando pretendem começar a tocar por ai?

A Olívia: A gente ainda faz poucos shows. Já tocamos em várias casas legais por SP e região, mas tem um monte de lugar ainda que queremos tocar. O show no SESC próximo ao lançamento do álbum deu um ânimo muito bom pra banda. Temos a versão física em CD, então estamos ensaiando um show de lançamento bacana, com algumas coisas mais livres no meio, queremos fazê-lo em breve… Daí a ideia é sair tocando por todos os cantos possíveis. A gente sente que agora estamos estamos entrando no mapa sabe. É um processo muito louco no independente. As coisas levam tempo. A vontade de tocar é muita e esperamos conseguir abrir mais portas com o Jardineiros. Então assim, estamos atrás de shows gente, bora tocar junto aí?? rs

MI – Ouvindo o disco eu senti uma pegada pop rock nacional, tipo um Skank mais alternativo, sabe? Quando vocês entram em estúdio, pra criar, gravar ou ensaiar carregam esse procuração se encaixar em algum estilo musical?

A Olívia: A gente gosta muito de rock e pop rock nacional. Claro que nossas influências são várias, mas em geral os anos 80 com Paralamas, Titãs, Legião, Barão e etc…é mais forte.  A gente não procura se encaixar muito em estilo não…e na real acho que o Skank tem disso também mesmo. Eles tem coisas bem diferentes do início da banda até os dias de hoje. Quase sempre com um refrão de apelo POP, o que gostamos muito.

Quando fazemos os arranjos das música procuramos não delinear muito as composições. Normalmente dividimos em parte A, parte B, C, Refrão, mas de repente a parte B vira A, a C pode virar um instrumental e o refrão a gente põe em outra hora de um outro jeito com outra pegada. Os ritmos variam bastante. Um pouco de samba, um pouco de funk, um pouco de ska, mpb, mas o que predomina mais é o rock ou o rock alternativo assim por dizer.

MI – Quais as novidades que vocês estão ouvindo no momento?

Murilo: The war on drugs, Alt J, Dinosaur Pile-Up, badbadnotgood;
Johnny: Far From Alaska, Alabamas Shakes;
Mateus: Homeshake, Sales, Yellow Days;
Luis: The Baggios, Goldenloki, Dingo Bells, Maglore, Paulo Miklos, Foo Fighters; e
Pedro: Mastodon, Flaming Lips, Gorillaz e Lorde.

Foto: Bruna Bento.

Faixa a Faixa: “Jardineiros de Concreto”

1 – Jardineiros de Concreto é a faixa que dá o título ao nosso álbum de lançamento e apresenta o conceito que permeia boa parte das canções. Consideramos a faixa que melhor traduz o sentimento de fazer música, seguir os seus sonhos e adubar ideias em meio a tantas dificuldades.

2 – Arruda, uma das mais intimistas do disco, relata altos e baixos, amores e desamores, micro capítulos de uma história envolvendo diversos personagens. Tem 3 partes bastante distintas. Uma mais puxada para o samba, a segunda com acordes dissonantes, acompanhando a letra mais introspectiva e o final fechando com acordes naturais  e memórias pulsantes.

3 – A mais abstrata das nossas canções é Carne Crua. Ela traz diversas analogias sintetizadas em um refrão simples e direto. A guitarra tem uma levada bem tranquila, quase acústica, e a batera e o baixo conduzem o groove até os momentos de pico. Talvez seja a nossa música mais “pop”, o que dá um contraste interessante com o tema mais esfumaçado.

4 – Moicanos é uma daquelas ideias que surgem enquanto você tá andando na rua. Mais especificamente fazendo a baldeação entre a Paulista e a Consolação. É uma homenagem ao pessoal do “rolê” e tem várias referências de outras músicas. Muito boa de tocar ao vivo. Tem um punch que se destaca entre as nossas outras músicas.

5 – Até agora tivemos os Jardineiros de Concreto, os Moicanos e vários personagens narrados num conjunto de situações. Dorinha ganhou uma música só dela. O verso é mais quebrado e tem um riff de guitarra que aparenta contar uma história, junto com a letra, a história da Dora… O refrão trabalha com efeitos de reverb e delay na guitarra, deixando a música mais lírica para falar dessa menina que  “veio ao mundo com a fome de um avestruz “.

6 – Baby Não me Leve a Mal, mas essa é uma música simplesmente pra dizer que está tudo muito confuso. Não deixa de ser uma crítica a essa tal era da exposição, mas é mais uma constatação de fatos repleta de ironia. Tem momentos engraçados em que banda e letra conversam com pausas, tons e semitons acentuando o “cômico”… mas o refrão é bem melancólico e o final ainda mais, com teclado e tudo.

Capa do disco “Jardineiros de Concreto” – A Olívia. Por: Lucas Tonon.

7 – Macaco é pra cima. Não podia ser diferente né? É pra pular, se divertir, balançar a cabeça e tudo o mais. O tema é meio ambientalista, fala da expansão urbana e a vida difícil de um macaco e sua família. Foi composta no meio do mato mesmo. A gente gosta de aproximar o verde e a cidade. A banda toca ela pegada do início ao final.

8 – Festa de Merda também é bastante irônica considerando o jogo entre a letra e o arranjo. Nos versos tem um groove pegajoso e pesado enquanto descrevemos a festa. Essa parte é contraposta com o refrão, que vai para um lado muito mais pop com vocal leve e guita chorada, porém a letra fala diretamente que a festa está uma merda.

9 – Briga de Bar vem logo na sequência aproveitando esse clima noturno, boêmio e já chama no solo. Ela cresce tranquila como uma crônica e trata de situações pouco elegantes. É mais uma farra pra ouvir no churrasco, no bar no show e cantar os falsetes do refrão. Sem treta por favor. A cozinha é puro rock and roll.

10 – Bartolomeu, ou Barto para os íntimos. A exemplo de Dorinha mereceu uma música inteira. Tem o sax e as pestanas puxadas pra cima bem típico do ska. Fala desse garoto peculiar que faz alguns desabafos, mas não abre a mão de ser quem ele é. Temos um carinho especial por essa música. Funciona muito bem nas rodinhas de violão e normalmente acabam o dia trocando nossos nomes por “ô Bartolomeu, chega mais…”

11 – Por fim, mas sem jamais dizer adeus, Nunca Mais expressa aqueles sentimentos delicados que crescem e não parecem ter fim. Baquetas simultâneas, palhetadas secas, até que chega hora, você vira e diz …“nunca mais é exagero”. Aí a música muda junto com você numa convenção que transforma tudo e o disco termina com uma mensagem positiva. “Divertido é cantar o que for”.

Chega de papo, ouça “Jardineiros de Concreto” na íntegra:


Comenta com a gente: O que você achou de esse trampo? Deixa sua mensagem ai pra eles e também o nome das bandas/artistas que você quer ver dando entrevista aqui no blog do Minuto Indie.

Acesse outros lançamentos exclusivos que sairam pelo MI: Os Chás / Supervibe.

Minuto Indie no YouTube:

Deixe uma resposta