ENTREVISTA: Conheça o som relaxante da banda Post-Modern Connection

ENTREVISTA: Conheça o som relaxante da banda Post-Modern Connection

Conversamos com o vocalista Tega sobre inspirações, processo criativo e a trajetória da Post-Modern Connection

A Post-Modern Connection é uma banda que respira arte e não se limita a rótulos. Apesar de ainda não ter lançado nenhum álbum ou EP, a sonoridade do grupo já é muito bem construída: quanto mais mistura, melhor. Fundada no Canadá, a PMC é composta por músicos de 4 países diferentes, o que deixa bem claro que a característica de diversidade não se limita aos elementos musicais. Tega (vocal principal e guitarra) é da Nigéria; Georges (guitarra principal) é do Líbano; Steven (baixo) é de Taiwan, e Cam (bateria) e Mitch (teclado e sintetizador) são do Canadá.

Quem acompanhou a programação do Global Music Fest – festival online e beneficente, organizado pela Brain Productions e pelo Minuto Indie, que rolou em abril deste ano -, teve o prazer de conhecer a Post-Modern Connection. O som, inspirado em inumeráveis elementos que viajam do indie rock ao r&b, se combina com a voz suave de Tega, e assim, toda essa mistura se transforma em um antídoto pra alma. O último single lançado, ‘Drowning‘, evidencia isso muito bem.

Reconhecendo o valor que é compartilhar o trabalho dessa banda, nós batemos um papo com o vocalista Tega e, agora, você pode conferir a íntegra dessa conversa.

ENTREVISTA – Post-Modern Connection

MI – Como vocês se conheceram e decidiram fazer a banda Post-Modern Connection acontecer?

Tega Então, nós nos conhecemos na UBCO (Universidade da Colúmbia Britânica). Georges e eu nos conhecemos em uma festa, mais ou menos um ano antes que começamos a PMC [Post-Modern Connection]. Nós fizemos muitos open mics [uma espécie de show ao vivo em espaços como pubs, em que qualquer pessoa pode se apresentar] e shows acústicos. Depois, no final de 2016, sentimos vontade de crescermos com nosso som e sentimos que poderíamos ser melhor como banda, então nós procuramos por outros membros. Nós conhecemos Steve na UBCO também. Na verdade, um amigo pegou o baixo do Steven emprestado para tocar em um show com a gente, e depois que ele não pôde continuar com a banda, em vez disso nós decidimos convidar Steve! (risos). Nós conhecemos o Mitch enquanto procurávamos um tecladista, no início de 2019. Tocamos alguns shows com ele e, finalmente, pedimos para ele se juntasse à banda, no fim de 2019. E nós conhecemos o Cam este ano [2020], ele entrou para substituir nosso antigo baterista.

MI – A Post-Modern Connection é uma banda canadense, mas o mais legal é que as pessoas que fazem esse projeto acontecer são de vários lugares diferentes. Tega é da Nigéria, Georges do Líbano, Steven de Taiwan, e Cam e Mitch do Canadá. Vocês acreditam que essa mistura de culturas contribui para a diversidade do som da Post-Modern?

TSim, definitivamente. Como nós não crescemos juntos, na mesma cultura ou no mesmo país, nós não temos uma cultura musical dominante que todos nós dividimos. Então nem todos nós crescemos ouvindo indie-rock ou folk ou algo assim. Por exemplo, muitas bandas da nossa cidade crescem ouvindo rock clássico, folk e blues, e essa é a música que domina nossa cena. No nosso caso, nossos diferentes contextos se traduzem nos nossos diferentes gostos musicais, e nós trazemos isso para o som da PMC. Por exemplo, Mitch traz muito do indie folk no violino, mas também um som clássico, e isso combina com o jazz-R&B, a vibe indie soul que transmitimos.

MI – Te pergunto isso porque eu vejo que o som da banda explora muitos gêneros e estilos, e assim vocês constroem a própria identidade como grupo, mas cheia de referências. Vocês conseguem citar quem são as grandes inspirações para vocês?

TÉ uma pergunta interessante, principalmente porque nós criamos músicas com base em outras músicas. O que quer dizer que não há um único som ou uma única banda que nós nos inspiramos. Em vez disso, nós misturamos um monte de bandas diferentes por música. Então, nós fazemos as canções com base em canções que nós gostamos. Mas eu acho que posso dizer que Hippocampus, The Districts, King Krule, Cosmo Pyke, No Vacation, Two Door Cinema Club e Alabama Shakes foram grandes inspirações quando nós começamos. Mas agora isso se expandiu muito, então podemos incluir artistas como Leon Bridges, Trudy and The Romance, Blah Blah Blah, Hyukoh, Crumb, Summer Salt e, honestamente, muitas outras… na real, nós temos uma playlist (risos). Nós poderíamos continuar a lista para sempre. No caso de nossas músicas, ‘Little Things’ foi inspirada em ‘Old Friends’, do Pinegrove, e em The Districts. ‘Drowning’ em Trudy and The Romance, ‘Gutter Girl’ em Hot Flash Heat Wave, ‘Wavy Gravy’ em Okey Dokey, ‘You were my girl’ em Palmas e ‘Believe’ em Benjamin Booker.

MI – E o nome “Post-Modern Connection”? De onde vem? Tem algo a ver com a “conexão” entre as culturas de vocês?

TÉ uma boa pergunta também (risos)! O nome tem mais a ver com a “conexão” com a ideia do Pós-Modernismo a partir de uma perspectiva artística. O movimento Pós-Modernista tem como base a ideia de rejeitar aos pensamentos antigos e questionar as regras, os limites e os rótulos que eles criaram. Foi tipo um momento “vale tudo”. E essa é a ideia que nós temos no nosso trabalho, tanto dentro quanto fora da música. Atualmente nós estamos trabalhando em um projeto, que não tem relação direta com a música, que nós lançaremos no próximo mês. Mas nós focamos nessa ideia do “vale tudo” e tentamos não nos limitar ao que fazemos e ao som que tocamos. Por exemplo, nós temos um som Swing e Doo-wop, estilo trap, com o tripé de chimbal, e uma outra canção quase toda 808 e sintetizada, bem estilo Tame Impala.

MI – Recentemente, vocês lançaram o single ‘Drowning’ com um clipe. A canção é uma mistura maravilhosa de sons, muito envolvente. Faz você querer ouvir sozinho, refletindo e, quem sabe, dançando em um grande salão vazio com alguém que você gosta… que pode ser você mesmo. Como foi o processo criativo de ‘Drowning’ e o que você acha que ela pode representar para as pessoas nesse momento tão complicado que o mundo está vivendo?

T – Obrigado. Basicamente, eu estava ouvindo muitas músicas inspiradas no Doo-wop e músicas com essa vibe em particular, como eu disse que Gutter Girl é uma grande inspiração. Eu apenas me conectei com aquela sensação e quis fazer algo assim. Então foi assim que começou. Eu brinquei com os acordes que eu gostei e me veio a ideia de fazer uma música baseada no Doo Wop. Eu mostrei para o Georges e ele veio com algumas guitarras. Depois de tocar em alguns shows, nós trouxemos o Mitch e ele e eu fizemos algumas mudanças na estrutura da música. Mitch adicionou o violino e os sintetizadores. ‘Drowning’ é nosso primeiro trabalho de verdade já com nossos novos membros. Eu tive a ideia inicial, mas os outros contribuíram muito para ela. Nós vamos precisar dissecá-la um dia para conseguir dizer tudo sobre como cada ideia foi construída e por quem (risos). Mas tem muitos pequenos detalhes. 

Agora falando sobre a representação da música, nós achamos que ela se encaixa nesse momento em que há muita coisa acontecendo no mundo e como isso tudo pode nos esmagar. ‘Drowning’ é exatamente sobre isso. Essa sensação de ter muita coisa em mente, muita coisa para lidar na vida e o desejo de desistir de tudo. É apenas uma música para dizer que nós passamos por isso. E nós sabemos como é.

MI – E você acredita que a música, de forma geral, pode salvar as pessoas que se sentem na beira de um ‘abismo social’?

TPara ser sincero, eu não sei. Eu acho que ela pode ser um ótimo mecanismo de enfrentamento, mas acho que só as pessoas podem ‘salvar’ a si mesmas. A música pode ajudar, mas no fim do dia, essa decisão é individual.

MI – E o videoclipe? Há algum conceito específico por trás dele?

TNa realidade, não há (risos). É uma compilação de cenas impactantes, mas há um enigma que, quando você notá-lo, vai entender o clipe. Repare nas interações entre os dois personagens e você vai entender.

MI – Mas qual mensagem vocês querem passar ao público através da música? Digo, não só em ‘Drowning’. 

TNão temos grandes mensagens (risos). Nós fazemos nossa música para nós mesmos, é como uma forma de nos expressar. É um jeito muito bom de expressar as emoções e as coisas que não podemos dizer propriamente. Nós simplesmente queremos que as pessoas escutem e se relacionem com a nossa música… queremos que elas saibam que nós também estivemos lá. Sabemos como você se sente, você não está sozinho, nós te entendemos.

MI – Nesse momento em que ficar em casa é prevenção, vocês participaram do Global Music Fest, um festival online e beneficente que o Minuto Indie sustentou junto com a Brain Productions. O público brasileiro amou a vibe de vocês! Quando isso tudo passar, vocês pretendem vir e conhecer nosso país?

TSim! Nós amaríamos! Na verdade nós já estamos planejando isso (risos)! Conversamos com a Brain Productions sobre a possibilidade de uma turnê quando a epidemia acabar! Estamos muito muito ansiosos e esperamos visitá-los no próximo verão!

MI – E é claro que, durante a pandemia, muitos planos de vocês tiveram que se ajustar. Mas o que vocês fazendo agora? O público pode esperar pelo lançamento de um álbum para um futuro próximo?

TNo momento, nós estamos finalizando nossas demos (risos), organizando algumas coisas juntos para fazer nosso EP que esperamos que seja preparado esse ano e lançado no próximo. Estamos praticando muito também, acabamos de conseguir um novo baterista então nós estamos integrando-o. Estamos trabalhando em um pequeno projeto para o próximo mês, mas nosso próximo grande projeto é nosso EP e uma linha de merch!

Ouça a PMC no Spotify

Post-Modern Connection no Global Music Fest

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Sabryna Moreno

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