Conheça Os Últimos Escolhidos do Futebol e seu EP de estreia

Conheça Os Últimos Escolhidos do Futebol e seu EP de estreia

Conversamos com os 5 amigos que, juntos, constroem a história d’Os Últimos Escolhidos do Futebol na cena autoral do interior paulista

A vida é feita de fases… um grande clichê, mas uma grande verdade. Partindo do senso comum, a maior parte dessas fases, que nos moldam como indivíduos, é vivida na escola. Um espaço essencial de formação, mas é onde a gente enxerga, pela primeira vez, que o natural da sociedade é se segregar. É onde a gente entende como as pessoas são rotuladas e como a popularidade é sempre tão almejada pela maioria. O tempo passa e o que fica da adolescência são as memórias. Quando se tem muita sorte, ficam também as amizades. Foi assim que nasceram Os Últimos Escolhidos do Futebol.

João Albino, Léo Pacheco, Paulo Nunes, Pedro Nunes e Sinuhe LP são quem fazem Os Últimos Escolhidos do Futebol acontecerem. A banda é um dos frutos de 5 histórias que começaram em Bauru, no ano de 1996, e no momento certo, se encontraram pela vida. Em 2009, a parceria foi além da amizade, quando deram início à Banda Larga, um projeto cover, especialmente de rock nacional. Com a Banda Larga, os músicos passaram a tocar em eventos, como casamentos, festas universitárias, e assim construíram mais de 10 anos de trajetória.

O fechamento de 1 década de projeto fortaleceu uma ideia que eles já tinham em mente, mas ainda não haviam concretizado. Sentiram que era a hora de elaborarem um trabalho diferente do que desenvolveram com a Banda Larga. Os Últimos Escolhidos do Futebol foi a oportunidade que tanto desejaram para apresentarem um som autoral e uma identidade exclusiva. Ambas as bandas estão na ativa, sendo assim, o público tem a oportunidade de conferir a arte dos jovens bauruenses de ângulos diversos.

Os últimos serão escolhidos

Não são só as características de som autoral que fazem com que a banda, como um todo, represente as histórias de cada um dos integrantes. O nome ‘Os Últimos Escolhidos do Futebol‘ remete à adolescência, quando João, Léo, Paulo, Pedro e Sinuhe eram colegas de escola. Sem muitas amizades e deslocados do grupo de pessoas consideradas queridas, os meninos do fundo da sala se conectaram de uma forma sincera, que não se limitava ao status e a qualquer tipo de popularidade. Esse afeto mútuo já era o bastante para fazer com que eles não se afastassem mais.

Nos treinos das aulas de Educação Física, os jovens eram mesmo os últimos escolhidos, mas essa lembrança que intitula a banda é uma reflexão muito mais extensa do que o fato de não fazerem parte de um time da escola. O conceito é sobre o sentimento de inadequação, e não sobre futebol, de maneira literal. João lembra que, uma vez, alguém disse a eles que ‘Os Últimos Escolhidos do Futebol‘ era um nome longo demais, nada resumido, coisa de “nome e sobrenome“. Esse alguém estava certo. ‘Os Últimos Escolhidos do Futebol‘ é um fruto gerado por uma família e seu título não poderia ser tão simbólico quanto.

Concepção do EP de estreia

Essa mais nova aventura começou em 2018 para 2019, com o início da produção do EP de estreia. Toda a experiência foi mesmo uma aventura. Os músicos viveram uma espécie de retiro – musical – espiritual na pré-produção do EP em um sítio no município paulista de Macatuba, no mês de maio de 2019. Depois, em junho, continuaram a imersão na Gargolândia, um estúdio super equipado e intimista, localizado em uma fazenda em Alambari, onde tudo foi gravado. O contato maior com a natureza deu um ânimo a mais a’Os Últimos Escolhidos, isso porque duas das cinco canções ganharam forma já durante esse processo, pouco tempo antes das gravações definitivas.

Uma fração do que Os Últimos Escolhidos do Futebol viveram está registrada e publicada na internet. São poucos minutos, mas que deixam a imaginação no ar sobre o quão felizes foram todas as etapas de construção do EP. É muito divertido criar com esses meninos. A gente dá risada o tempo todo, o tempo todo um zoando o outro, lembrando de coisas engraçadas que a gente já passou em shows… É um clima muito legal que a gente tem entre nós, e isso reflete nas composições, nas músicas, nas melodias“, expressou Léo.

A pré-produção do EP: Os Últimos em Macatuba

Os Últimos Escolhidos do Futebol: “um doc tão legal”

Um filme de Sinuhe LP gravado no estúdio Gargolândia

5 faixas, 5 histórias

O EP de estreia, que carrega o mesmo nome da banda, apresenta as faixas ‘Deixa‘, ‘Cordão‘, ‘Hoje Não‘, ‘Numa Tranquila‘ e ‘Tão Legal‘. Outra característica que deixa o trabalho ainda mais interessante é como eles exploram a capacidade única de cada um. Todos os integrantes tocam e compõem, então a obra tem a cara de todo mundo. Skank, Los Hermanos, Novos Baianos, Beatles e 5 a seco são influências diretas no som da banda, o que João chama de “denominadores comuns“. Além dessas, cada um tem suas inspirações mais pessoais, e essa diversidade é muito valorizada por eles.

Eu entendo que não há barreira pra influência. A gente foi criado nesse mundo de informação, e existem muitas bandas, muitos grupos, muitos cantores, cantoras, compositores, compositoras. E dá pra gente conhecer muita coisa. Acho que isso é o mais legal. E todo mundo tem sede de conhecer” – João Albino

A variedade de vozes e estilos de composição é um processo natural desenvolvido desde a época da Banda Larga. Por ser um trabalho colaborativo e confortável, os 5 músicos e amigos se sentem livres para opinarem e explorarem suas referências. A ideia é que cada um se mostre, coloque um pouco da sua personalidade, do seu DNA nesse caldeirão que a gente tá misturando e fazendo canções. Mas é muito legal, porque mesmo quando, por exemplo, o João traz uma canção, todo mundo dá um pouco de palpite e sugere arranjos diferentes, uma troca de letra, uma repetição de um trecho“, conta Pedro.

Para Paulo, as histórias das pessoas são a maior inspiração na hora de compor: “Vou me apoderar do que o cantor e compositor Dani Black disse uma vez, que todas as músicas que a gente faz – e eu me identifico com isso – são uma tradução do modo em que eu vejo o mundo. Então é como se eu estivesse assistindo à vida. Escrevo nas minhas letras como eu vejo a vida, qual é a percepção que eu tenho do mundo, seja nas relações humanas, num simples ato do cotidiano, num término, num casal apaixonado, numa briga. Eu me inspiro muito no que eu sinto quando eu vejo o mundo“.

A primeira faixa do EP foi apresentada ao grupo pelo Paulo. ‘Deixa‘ é uma canção animada sobre o desejo de viver um romance de momento, sem pensar no futuro. A segunda é ‘Cordão‘, composta por João. Sentimental de um jeito único, a faixa representa a dor do adeus e da saudade. A terceira é ‘Hoje Não‘, de autoria de Sinuhe e João. Mais uma que transmite uma mensagem bonita, honesta e muito sensível. Os solos de trombone e saxofone, apresentados por Thainan Augustinho e Lucas Rodrigues, dão um brilho a mais à obra, e essa magia também acontece nas outras canções, com a presença de Ruan Augustinho no trombonito.

A quarta faixa, ‘Numa Tranquila‘, nasceu de um riff de baixo do João, durante a experiência no sítio, mas ainda faltava concluir como seria a letra e a melodia da voz. Na véspera da gravação, já na Gargolândia, Sinuhe chegou com a letra pronta e assim ficou: uma canção feliz e contagiante sobre a vontade de viver sossegado e “ser rico em melodia“.

A princípio, ‘Tão Legal‘, a última faixa do EP, foi idealizada pelo Léo, ainda em 2013. Ele enviou a melodia ao Sinuhe e então eles guardaram a ideia para a primeira oportunidade que viesse. Anos depois, encontraram o registro e decidiram que era o momento de revitalizar a canção. A construção dela tem um pouquinho de todo mundo, já que aconteceu enquanto estavam hospedados no sítio da Gargolândia. A letra é particular, mas o sentimento de nostalgia é muito bem transmitido a quem a escuta.

Bazim, o último escolhido

A preocupação e o cuidado com a estética das obras que entregam ao público é mais um ponto admirável d’Os Últimos Escolhidos do Futebol. O processo de idealização da capa do EP foi longo, pois eles estavam à procura de algo que materializasse, visualmente, as histórias das canções. No momento certo, os 5 integrantes chegaram ao consenso de criarem um personagem para representar o último escolhido. Foi aí que surgiu o Bazim, uma escultura que ganhou vida pelas mãos da artista visual Yolana Bianchi.

A existência de Bazim tem o objetivo de personificar exatamente como seria o “último escolhido“, um alguém único, diferente, fora dos padrões formal e tradicional. Além de Yolana, o fotógrafo Eric Solon e o designer Matheus Bianchi também foram essenciais. Matheus foi responsável por colocar Bazim em uma caixa, representando um objeto esquecido que finalmente foi notado. Todo o processo criativo da capa, desde a ilustração até a versão final, pode ser assistido no canal da banda no YouTube.

O palco: “onde tudo começa e onde tudo termina”

2020 é o ano em que Os Últimos Escolhidos do Futebol firmam os pés na cena autoral do interior paulista e do Brasil inteiro. Mas o problema é que esse também é um ano de caos, em vários sentidos. Devido à pandemia da Covid-19, planos precisaram ser adiados e a cultura foi um dos âmbitos que tiveram que se reinventar. São tempos em que a maior saudade é do calor humano. Os artistas da música, em especial, sofrem pela falta da sensação que apenas o palco oferece. Afinal, “o palco é onde tudo começa e onde tudo termina“, como disse Sinuhe.

A saudade do palco nesse momento é, ao mesmo tempo, o que nos deixa aflito, querendo voltar, mas também é, principalmente, a vontade e o desejo que nos mantêm “vivos”… pra compor mais, projetar clipe, trabalhar pela banda na expectativa de retornar aos palcos o quanto antes” – Sinuhe LP

Enquanto os encontros ainda não são possíveis, a nostalgia do que já foi vivido é realmente um combustível para a alma e para o corpo superarem essa fase complicada. Os Últimos Escolhidos puderam fazer um show de estreia do EP, em março, no Teatro Municipal de Bauru. Tudo foi gravado e está sendo disponibilizado nas redes sociais da banda.

No segundo semestre de 2020, um novo single deve sair, além de clipes e composições que estão sendo planejados aos poucos. 2021 pode ser o ano do primeiro álbum cheio. A torcida é que os tempos difíceis passem logo e que a gente ainda tenha mais oportunidades de escolher sentir de perto a energia d’Os Últimos Escolhidos do Futebol.

Ouça o EP de estreia d’Os Últimos Escolhidos do Futebol

Voz, piano elétrico, percussão e bateria: Paulo Nunes
Voz, piano elétrico e baixo elétrico: João Albino
Voz, guitarra base e violão de aço: Pedro Nunes
Voz, guitarra base e violão de aço: Sinuhe LP
Guitarra solo: Léo Pacheco
Saxofone: Lucas Rodrigues
Trombone: Thainan Augustinho
Trombonito: Ruan Augustinho

Gravado em junho de 2019 no estúdio Gargolândia em Alambari, São Paulo, Brasil.

Concepção e direção artística: Os Últimos
Produção musical: Os Últimos
Co-produção musical: Thiago Baggio
Arranjo de metais: Thainan Augustinho e Ruan Augustinho
Gravação e mixagem: Thiago Baggio
Masterizado por Maurício Gargel na Maurício Gargel Audio Mastering (SP)
Produção operacional: Thales Coelho
Escultura da capa: Yolana Bianchi
Foto da capa: Eric Solon
Pós-produção da capa: Matheus Bianchi

Clique aqui para ouvir o EP no YouTube.

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Sabryna Moreno

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