Entrevista: Kanduras comemora dois anos com show especial, saiba mais

Celebrando dois anos na ativa e também seu primeiro EP, a banda Kanduras conversou conosco sobre passado, presente e futuro.

Você consegue lembrar alguma coisa importante que tenha feito há dois anos atrás? O inicio de um namoro, a tão sonhada graduação ou quem sabe o primeiro passo de um projeto que mudaria sua vida até aqui. Bom, em 2016 a banda paulista Kanduras era ainda um embrião, que veio nascer definitivamente com o lançamento do EP “Caminhar”, ao vivo em noite inesquecível no Zé Presidente.

O tempo passou e a banda seguiu caminhando, entre substituições na formação e muitos shows pela cidade, eles conseguiram extrair da música combustível para financiar o seu segundo EP, “Seus Planos”. O álbum deu inicio a uma parceria com o selo Cavaca Records.

Kanduras. Foto: Geração Y.

Com saudade de um passado não muito distante, a Kanduras preparou um show especial para brindar os dois anos de seu primeiro registro em estúdio. As sete músicas de “Caminhar” ganharam novos arranjos e a banda chega ao Teatro Da Rotina em formato semiacústico e ainda promete novidades no setlist.

Conversamos com a banda para saber mais sobre esse momento especial, confira tudo agora, na íntegra:

MI – A banda está completando dois anos de atividade, nesse meio tempo como foi a evolução de vocês sobre o que é ser uma banda?

Kanduras: Pois é, dois anos de banda. Passa rápido, parece que foi ontem que nos reunimos, eu e Junior Breed, e começamos o projeto. Dois anos, a depender do raciocínio, é pouca coisa, mas a gente viveu muita coisa nesse fio de tempo, por isso tiramos muitas conclusões dessa jornada louca na qual estamos imersos. Ser uma banda é, acima de qualquer coisa, dividir as mazelas e alegrias do cotidiano com pessoas que a gente gosta e com pessoas que gostam da gente. E é aquela coisa, dois anos de trabalho e a gente sempre pensando no presente, esse é nosso método. Pensar no aqui, no agora. E o presente é um ponto improrrogável entre dois nadas: o passado que já não é, e o futuro que ainda não é. Então continuaremos sem saber pra onde iremos.

MI – Por quais experiências ruins e boas vocês passaram e acham que foram momentos essenciais para a evolução da Kanduras?

Kanduras: Todas as experiências, boas e ruins, foram importantes para a nossa evolução, inclusive como seres humanos. Nosso trabalho, afinal, é mais do que qualquer coisa observar o cotidiano e fazer reflexões. Dificuldades inúmeras até aqui, especialmente no primeiro ano de existência: os ensaios de madrugada, as divergências que sempre aparecem, os sacrifícios, os calotes de cachês em casas pela cidade, rs, tudo isso faz parte da cena independente. Aprendemos. A parte boa e que nos assusta é a liberdade que temos para dar o passo adiante. E é bom: a vertigem da liberdade é como uma droga, é preciso correr o risco, a escolha livre é aquela que coloca em risco nossa existência. Achamos que acertamos. Prova disso é que, sem falsa sinceridade, felizmente tivemos muitas experiências boas e muito surpreendentes em dois anos de trabalho. Quando montamos a Kanduras, não sabíamos o que seria, o que aconteceria. Pra nossa surpresa, o EP de estreia, “Caminhar”, dentro da nossa realidade, foi bem recebido, fizemos shows por diversos lugares de São Paulo, rodamos o cenário independente, vencemos o Stage Festival e lançamos nosso segundo EP, “Seus Planos”, pelo Selo Cavaca Records, que nos ajuda tanto. Esse ano, com a boa receptividade do público e o apoio do Selo Rockambole, fechamos viagens para o interior de Minas Gerais e São Paulo numa espécie de Turnê do EP Seus Planos. Esse, talvez, tenha sido um dos momentos mais interessantes de 2018, até agora. Poxa, passamos por algumas cidades, vimos muita gente cantando as músicas junto, foi tudo muito bonito. Tudo isso nos fortalece, é combustível.

MI – Junto desses dois anos de banda, comemoram também os dois anos do EP “Caminhar”. Como surgiu esse projeto?

Kanduras: O EP Caminhar foi o nosso pontapé inicial, nosso primeiro trabalho a ser lançado. Começou quando eu chamei o Breed pra mostrar umas músicas que eu tinha na gaveta, ele gostou, começamos a trabalhar juntos, ao lado de Guilherme Garelha e Jean Paz, que deixou o projeto no processo de mixagem e masterização, para dar lugar ao Marcelo Gasperin. Gravamos o EP na casa do Sami Orra, eterno companheiro e produtor, e buscamos uma sonoridade extremamente orgânica, principal característica do “Caminhar”. Foi um processo bem analógico e achamos que ficou bonito e deu certo porque o EP tinha uma cara autentica, uma identidade genuína. Lançamos o Caminhar no segundo semestre de 2016 e o show de lançamento foi na Vila Madalena, no Zé Presidente. Tava ‘cheião’, ali a gente viu que o caminho era esse mesmo, que não tinha como fugir daquilo que somos.

Flyer de divulgação – Bandas de Julho no Teatro da Rotina

MI – E pra celebrar tantas comemorações vocês prepararam um show especial para apresentar no Teatro da Rotina, falem mais sobre isso…

Kanduras: No dia 28 de julho vamos comemorar 2 anos desse ciclo e resolvemos fazer um show completamente diferente de tudo que já fizemos até hoje. Será inédito. Vamos deixar as guitarras em casa e vamos fazer um som semi-acústico, com violão e outros elementos de percussão, sintetizadores. A intenção é revisitar  o repertorio do EP Caminhar e tocar musicas novas, que estarão no nosso primeiro disco cheio. Vai ser um dia muito especial pra gente.

MI – Como tem sido revisitar o repertório do primeiro EP e transforma-lo em um semi-acústico?

Kanduras: É, acima de qualquer coisa, um exercício muito interessante. Nossa pretensão é modificar alguns arranjos, deixar tudo diferente, acho que algumas pessoas vão notar uma diferença grande na comparação com os shows plugados, será divertido analisar a reação do publico. Voltar ao repertorio do Caminhar é saudável pra gente, voltamos no pensamento ao modo de produção de 2016, quando começamos tudo isso, é uma nostalgia boa e nos coloca em sintonia com a realidade, nos faz refletir sobre nossos passos. Acertamos muito em escolher fazer as coisas sem pensar em consequência, prova definitiva disso é esse show de comemoração. O EP Caminhar abriu as portas do cenário alternativo paulistano para a Kanduras, saber que dois anos depois estamos fazendo uma festa em homenagem a esse trabalho é algo gratificante. Além disso, mostraremos algumas das novas músicas, acho que a disparidade entre os trabalhos pode ser também um ingrediente a mais desse show. Estamos ansiosos e acho que há gente ansiosa também. Isso que é intrigante.

MI – Agora falando de futuro, vocês estão preparando novidades?

Kanduras: Tiramos o primeiro semestre de 2018 pra duas coisas: viajar por Minas Gerais e São Paulo; trabalhar forte na produção do nosso primeiro disco cheio. Então, logicamente, estamos preparando muita musica nova, nosso primeiro disco cheio esta em fase de produção, tem muita coisa já bem encaminhada, muita coisa pouco encaminhada. O que podemos antecipar é que álbum terá a produção do André Bedurê, terá 10 musicas inéditas, antecipamos também que faremos um financiamento coletivo para que ele seja gravado, portanto precisaremos da força das pessoas que nos acompanham. No dia 28, no Teatro da Rotina, mostraremos um pouco desse trabalho. Quem quiser matar um pouquinho da curiosidade, é só passar la no Teatro da Rotina.

Serviço:

– Kanduras @ Teatro da Rotina em 28.7.2018 (sábado)

• Endereço: Rua Augusta, n° 912 – Centro (Metrô Consolação – Linha Verde)
• Abertura da casa: 20h
• Horário do show: 21h
• Ingressos a antecipados a 20 no site: https://www.sympla.com.br/kanduras__308697
*a 40 reais na porta
• Estacionamento não-conveniado a 20 reais
• Lotação: apenas 50 lugares
* O Teatro da Rotina aceita pagamentos em dinheiro, débito e crédito.

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