Entrevista + faixa-a-faixa: Viktor Murer – “Verdades Cítricas”

Viktor Murer acaba de lançar o EP “Verdades Cítricas”, seu primeiro registro em carreira solo.

Viktor Murer apareceu pela primeira vez aqui no blog do Minuto Indie com o single “Sai da Frente”, material que ele divulgou com a banda Trankera. Agora o cantor e compositor se entrega de braços abertos a uma carreira solo, Murer nos apresenta uma faceta completamente diferente daquele som – com pegada Charlie Brown Jr e influencias do gênero – que conhecemos outrora. Deixe-se surpreender com “Verdades Cítricas”, um registro sentimental que transforma questões pessoas em composições de tirar o fôlego, acompanhadas de uma sonoridade criativa, atual e impressiona pela singularidade dentro de um cenário cada vez mais uniforme.

De acordo com o artista, “Verdades Cítricas”, EP que saiu pelo selo paulistano Eu Te Amo Records é “um pequeno disco de rock orientado para adultos e semi adultos”. Isso se torna evidente logo na primeira faixa, “Raíz”, uma reflexão sobre os primeiros sentimentos vividos em um relacionamento amoroso que aos poucos promete florir lindas rosas, algo parecido com o que Djavan canta na faixa “Um Amor Puro”.

As duas faixas seguintes, “Vida Longa” e “Enjaulados em Si” são consideradas por Viktor músicas irmãs e abordam com acidez temas mais cítricos das relações humanas: a velocidade transformativa do universo e as responsabilidades que adquirimos por desejo, consequência ou coisa parecida.

Viktor Murer. Foto: Deborah Moreno

Entrevista

Conversamos com Viktor Murer sobre esta nova fase e a estreia de sua carreira solo, confira agora:

MI – “Verdades Cítricas” é seu primeiro EP em carreira solo, o trampo é bem diferente do que a gente estava acostumado a ver você produzindo com o Trankera, como foi transitar por esses dois universos tão distintos?

Viktor Murer: Foi bem natural. As músicas que fazem parte do EP transparecem o modo o qual eu gosto de escrever as minhas canções, “Raiz” e “Vida Longa” mudaram muito pouco desde o dia em que as compus, meio que bate a inspiração e rola grande parte da coisa tudo de uma vez, depois disso eu trabalhei elas em estúdio com o Gabriel pra incluir a bateria e baixo. A grande diferença desse processo pras composições das músicas do Trankera é a naturalidade do processo e a fonte de inspiração, as músicas do “Verdades Cítricas” nascem instantâneas do meu coração, e as letras que compus pro Trankera nascem da tentativa de escrever sobre algo ou alguma situação, isso somado a mais cabeças pra compor o instrumental.

MI – O registro é bem curtinho, apenas três musicas compõem o EP. Escolher quais músicas apareceriam nesse primeiro momento foi um árduo trabalho?

Viktor Murer: Se eu falar que foi fácil vou estar mentindo. Devido as minhas composições serem muito pessoais, todas inspiradas por situações que eu vivi, fica difícil de continuar cantando o que você não acredita mais, ou achar que aquela mensagem era pra um outro momento, um outro tempo que já passou. Era pro EP ser maior, mas minha cabeça acabou limando uma coisa ou outra. De 5 músicas ele passou pra 4, e de 4 pras 3 faixas que compões o EP, eu acho que é suficiente pra mensagem que eu quis passar com as músicas.

MI – O selo Eu Te Amo Records foi seu parceiro nesse lançamento, fale sobre essa parceria e os frutos que ela ainda pode render.

Viktor Murer: Eu conheci a Eu Te Amo quando fui fazer uma participação no show do O Grande Babaca, num evento produzidos por eles na Sim SP. Quando o EP ficou pronto comecei a pensar em pra onde ia mandar, e acabei enviando pra eles, fizemos uma reunião e o santo bateu. Boto fé no trabalho dos caras, com certeza terão muitas conquistas no futuro.

MI – Quais artistas e bandas você destacaria como influencias diretas na concepção de “Verdades Cítricas”?

Viktor Murer: Acredito que o “Cedo ou Tarde” do Cassiano foi o disco que mais me influenciou a fazer esse projeto acontecer.

MI – Domingão (14/04) “Verdades Cítricas” estreia com show na Casa do Mancha, como foi selecionar a galera que vai se apresentar contigo nesse evento?

Viktor Murer: Foi difícil por que graças a sei lá o que tenho muitos amigos talentosos. O Rubens Adati (Meu Nome não é portugas) e eu já dividimos alguns palcos juntos, com a Trankera e Vladvostock, e ele acompanhou bastante do processo de criação desse EP e isso deu abertura a uma parceria que estamos fazendo para um projeto novo. Vi então a oportunidade para ele apresentar o Portugas, projeto que gosto muito, nesse dia tão especial.

Eu conheci o som da Leto no show de lançamento do disco do Bruno Bruni. Foi um role muito massa e o show me chamou a atenção pela presença de palco, passado algum tempo vi que ela continuava no corre e não hesitei em convida lá pra somar nesse show de estreia.

Faixa-a-faixa: Viktor Murer – “Verdades Cítricas”

“Verdades Cítricas” é um registro muito sentimental, a impressão que temos ao ouvir as três faixas que compõem o registro é de que Vikor Murer está compartilhando conosco um pouco de sua intimidade em momentos de extrema sensibilidade emotiva e também reflexões do cotidiano. Por isso pedimos para que ele comentasse um pouco mais sobre cada uma das músicas que está lançando agora.

Confira o faixa a faixa exclusivo para o blog do Minuto Indie!

“Raiz”
“Raiz” é uma canção que escrevi em 2017, quando dividia o apartamento com uma amiga na Praça Roosevelt. Eu conheci a minha namorada nessa época, tanto que compus a letra e a melodia depois de um dos primeiros encontros que tivemos. Me lembro que quando terminei fui direto para a sala mostrar para a minha amiga e ficou do jeito que está até hoje. Quando decidi montar o ‘Verdades Cítricas’ comecei a jogar ela para o piano, e acabaram saindo algumas coisas, como a segunda parte da música que vem após a contagem do chimbal. Acho que “Raiz” retrata aquela coisa que acontece quando você percebe que se apaixonou. Aquela coisa de sentir profundamente cada detalhe do que acontece no ambiente, como o verso “Lembro do teu rosto em meu pescoço / Da tua mão pelo meu tronco”, e ver a “janela” que normalmente já é tão bela mas de repente a paixão endeusa qualquer coisa que esteja em volta de quem causa essa paixão.

“Vida Longa”
Eu compus “Vida Longa” primeiramente só com o violão e voz. Depois que mostrei as músicas para o Gabriel (Olivieri), ele me pediu para desenvolver mais a ideia, e voltei com uma demo com guitarra e algumas teclas. O instrumental foi gravado ao vivo no Cavalo Estúdio, a banda foi composta por Lou Alves (Walfredo em Busca da Simbiose), Thiago Barros (Raça/Ombu) e João Viegas (Raca/Ombu). Essa música retrata a minha aflição perante aos abusos nocivos que eu e pessoas próximas a mim mantemos ou mantínhamos, uma aflição que basicamente vem da velocidade em que anda o mundo, da quantidade de decisões que tomamos por estarmos o tempo inteiro ligados e como isso acaba afetando nosso caminho; também da ideia que colocamos em nossa cabeça de que a vida é curta, que passa rápido, quando na verdade ela tem tudo pra ser uma longa jornada com inúmeras quedas e voltas por cima.

“Enjaulados em Si”
“Enjaulados em Si” é uma música irmã de “Vida Longa”, é o mesmo universo de sentimento, mas em casos mais críticos. Apesar dela ser mais suingada e alegre, carrega uma “dura” muito mais forte que em “Vida Longa”. Aquela coisa de perder a paciência com alguém que você vai botando fé e as decepções continuam. Sendo outro ponto de vista, outro estado de espirito, perante a mesma situação.

Capa do ep “Verdades Cítricas” – Viktor Murer.

• SERVIÇO •
Viktor Murer + Leto + Meu nome não é Portugas na Casa do Mancha
Data: Domingo, 14 de abril de 2019
Bilheteria: R$20 dinheiro/débito
Casa do Mancha: R. Felipe de Alcaçova, 89 – Vila Madalena, São Paulo – SP

Cainan Willy é editor do site Pacóvios e também atua com o selo Cavaca Records.

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