Entrevista + faixa-a-faixa: Mari Romano – “Romance Modelo”

Artista carioca, Mari Romano acaba de divulgar seu primeiro trabalho como artista solo. Confira “Romance Modelo”.

Foto: Divulgação.

Carioca boa praça, dessas que em cinco minutos de conversa já demonstra te conhecer há 30 anos, Mari Romano acaba de lançar seu primeiro disco como artista solo, “Romance Modelo” sai em parceria com o selo RISCO e conta com a participação especial de Pedro Pastoriz (Mustache e os Apaches).

Mari, além de cantar e compor também é artista plástica e, na música integra um supergrupo feminista, o Xanaxou, projeto que mulheres instrumentistas – Bel Baroni, Ana Cláudia Lomelino, Rafaela Prestes, Laura Lavieri, Júlia Drumond e Camila Costa –.

Conversamos com ela sobre as gravações de seu trabalho solo e o lançamento pelo RISCO. Como é de costume aqui no Minuto Indie, Mari Romano comenta faixa-a-faixa “Romance Modelo”.

Capa do disco “Romance Modelo” – Mari Romano. Foto: Divulgação.

MI – Você acabou de lançar seu primeiro trampo solo, o disco “Romance Modelo”. Esse disco saiu pelo selo Risco, como surgiu a parceria e como tem funcionado?

Mari Romano: Tá lindo, é uma surpresa tanto pra mim quanto pra eles estar trabalhando em outro Estado. Eles têm sido maravilhosos, e é uma honra sinistra estar num catálogo daqueles. São também amigos. Juro que não estou rasgando seda.

MI – As dez faixas surgiram num mesmo período? Elas parecem ter uma unidade sonora e funcionam muito bem na sequência que estão.

Mari Romano: Sim! Engraçado você comentar isso. Elas têm uma unidade por terem sido feitas bem pertinho uma da outra. Inicialmente, com essa história de primeiro disco, eu havia considerado duas músicas de outros momentos que eu gostava. Mas algo parecia não encaixar. Quando retirei essas a coisa fez um clic, entendi a unidade.

MI – Assisti ao show de estreia do disco lá na Casa do Mancha e me lembro de duas participações incríveis, Pedro Pastoriz e Luiza Lian, ambos também do Risco. Vocês se conheceram por causa do selo?

Mari Romano: Um sim e outro não! O Pedro é meu amigo de adolescência, passamos muitas fases da noia musical juntos, conversando sobre isso. A Luiza conheci num show dela, achei incrível e a abordei meio tipo “Vamo se juntar! Quero que você me dê um help com letras”. Mas acabou sendo por culpa do selo RISCO, porque quem me levou no show foi o Pedro e Talita (Hoffmann), que estavam no Rio.

MI – E o Pedro ainda participa do disco cantando ao seu lado na faixa “Um Ar”. Comente um pouco sobre como foi o processo de gravação do disco.

Mari Romano: Esses vocais dele, sinto estragar alguma expectativa, foram gravados por ele mesmo dentro de um armário. A faixa tava quase pronta e enfiei essa ideia na cabeça, de alguém cantar comigo uma parte até maior que a minha. Pensei no Pedro porque ele tem um jeito muito original de cantar, e também porque o disco estava com a energia da amizade. O processo do disco foi todo calcado nisso, no processo, nos tempos mais orgânicos. Marcelo Callado, Gustavo Benjão e Pedro Carneiro foram peças-chave, apesar de eu ter a visão e a direção na mão, sem o conhecimento deles nada teria se concretizado.

MI – Mari, antes de partir pro faixa a faixa, você pode nos falar o quais bandas, artistas, discos ouviu muito durante a concepção do disco? E também quais as novidades que você indica pra galera escutar?

Mari Romano: Durante o disco eu lembro que estava escutando muita coisa aqui do Rio, tipo Meia Banda, Mãeana, Alberto Continentino, Cometa. Indo nesses shows, furando o CD. Já nem lembro direito, fora isso. Porque a experiência de ter escutado esses discos indo nos shows foi bem marcante.

Faixa-a-Faixa: Mari Romano – “Romance Modelo”

Convidamos a Mari Romano para comentar algumas curiosidades, histórias, significados e o que você mais ela quisesse de todas as faixas do “Romance Modelo”.

01 – “Apetite #1”: Ansiedade. Rolar na cama sem conseguir dormir. Saber que isso, em certa medida, é normal. A simbologia da letra passa por aí, pra mim. Ela é tipo um medley de duas músicas, sendo a segunda, instrumental, quase um surf rock, que eu já tinha há anos e anos. Bota aí uns 9, eu tava saindo da escola. Ambas compostas como linhas de baixo.

02 – “Suquinho de Suor”: Obsessão, bruxaria e a piada de como enxergamos a mulher apaixonada, histérica. É a fala de uma mulher que aprisiona o suor do amado e controla esse líquido como se fosse o próprio em pessoa. Meio jazz porrada.

03 – “Um Ar” (feat. Pedro Pastoriz): Essa música é sobre como todo o som é, essencialmente, ar. Nasceu de uma viagem dessas que a gente tem e se acha genial por um segundo. Um lembrete leve de que nada tem tanta importância assim.

04 – “Apetite #2”: Reformulação dos 7 acordes que compõe a ponte do samba “Aprenda Eu” (faixa 6). Nasceu de um improviso no estúdio, e depois chamei o Thiago Nassif para gravar um over de guitarra.

05 – “Basta”: Quando se quer terminar uma relação, e aí? A música fala sobre como sim, pode ser sofridinho, mas passa. Que vale a pena passar por esse período, sabendo que uma hora acaba, e que do outro lado tem outro momento da vida. “Não me custa nada umas noites sem dormir, dar-me umas semanas para chorar por você”. Isso me deixa mais tranquila.

Foto: Maria Isabel Oliveira.

06 – “Aprenda Eu”: Biográfico. Um samba, né? Fiz ele a partir da ponte pro refrão, compus no violão. Não sei que tenho mais o que dizer sobre ela, porque tá tudo ali. Mas é uma música muito importante pra mim.

07 – “Sexta-Feira”: Instrumental, quis fazer uma melodia que começasse com um intervalo de sexta. “Ué, mas não começa…” psst, ele tá ali!

08 – “Besouros”: O tempo é uma coisa estranha né? A gente não entende muito, nem sabe se ele existe mesmo. A música fala sobre como o distanciamento das experiências no tempo geram outras visões sobre esses acontecimentos. Vai citando eles, e no refrão conclui o pensamento. Enxergo ela bem azul.

09 – “Amélie”: Minha afilhada se chama Amélie. A musica nao tem nadaver com o filme. É uma música para todas as crianças.

10 – “Ainda de Pijama”: Há vida após a depressão. Adicionei depois de já estar gravando o disco.

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