Entrevista + faixa-a-faixa: The Snow Twins – “Some Action”

Segundo álbum do duo, The Snow Twins, traz inovação na sonoridade e nova formação.

O novo álbum da The Snow Twins, o “Some Action”, conta com 17 faixas inéditas e foi lançado hoje.

O duo de Osório/RS é atualmente formado por Luan Machado (guitarra e voz) e Clarissa Pinto (bateria). O som deles super crua e pesada. Contudo, encontramos uma fusão de diversos estilos. Dentre eles, o garage rock, o surf punk e o próprio indie.

Além disso, o The Snow Twins é responsável pela divisão gaúcha do projeto Vai Tomar no Cover – que acabou fazendo com que Luan e Clarissa produzissem shows em Osório, abrindo espaço para bandas autorais locais tocarem e ainda convidando artistas de fora para somarem a uma cena ainda emergente na cidade.

O último lançamento do duo foi o autointitulado EP de 2015. No entanto, vem realizando entrevistas e registros audiovisuais da cena gaúcha através da Snow Twins TV no Youtube, que já recebeu nomes como Erick Endres e Paquetá. O show de lançamento do novo trabalho acontece em Porto Alegre, no dia 30 de setembro, no OCulto. “Some Action” é uma parceria com o selo Ué Discos, e foi financiado coletivamente através do Catarse.

Nosso redator, Cainan Willy, conversou com o duo e durante a entrevista foram revelados alguns detalhes importantes sobre o processo de produção, além de contar com um faixa-a-faixa exclusivo. Confira:

MI – Vocês lançam hoje o disco “Some Action”, como surgiu o álbum?

The Snow Twins: A Snow Twins tinha entrado em hiato e nós queríamos tocar! Inicialmente estávamos tocando com um novo projeto chamado Cafeína Cítrica, mas logo nos demos conta que seria muito mais interessante dar continuidade ao trabalho da Snow e não jogar fora as composições, contatos, experiência e principalmente os fãs que já seguiam esse trabalho. Logo que começamos a trabalhar nesse projeto naturalmente queríamos dar continuidade ao que tinha ficado pausado: fazer clipes, gravar novas músicas e lançar um novo álbum. A partir desse ponto nos demos conta que tendo uma nova formação e principalmente uma nova sonoridade era necessário em primeiro lugar termos material atualizado antes de colocar qualquer plano em prática.

Já contávamos com uma fanbase legal e por esse motivo apostamos no financiamento coletivo pra fazer o álbum acontecer. Inicialmente seria chamado Armadillo  mas durante a produção do álbum optamos por assumir o nome Some Action cuja principal caraterística é esse clima de energia que as cores ilustram em oposição ao minimalismo preto e branco adotado no passado pelo duo.

Em estúdio Some Action nasceu como uma junção do EP regravado com a nova sonoridade, músicas inéditas, músicas que estavam em processo de produção e músicas do projeto Cafeína Cítrica.

MI – Quais bandas/artistas vocês ouviram para se inspirar a compor esse trabalho?

The Snow Twins: A sonoridade é sempre difícil de definir em um só gênero e o motivo pelo qual isso acontece é exatamente o fato de ouvirmos e absorvermos muitas influências diferentes. Duas influências muito relevantes pra nós são os álbuns antigos  do Ty Segall e Bass Drum of Death que tem essa característica lo-fi, barulhenta, enérgica e rápida que está na maioria das nossas músicas. The Wytches e Future Primitives também costumam estar nas nossas playlists. Por outro lado curtimos surf music e principalmente a roupagem menos tradicional dela como na sonoridade da Man or Astro-man. Dentre as influências que resultam especificamente a maneira que esse álbum soa é inevitável citar as bandas com as quais costumamos dividir palco e organizar eventos: Paquetá, Chá de Flor, Cattarse, Phantom Powers, Ziggy Ama Tom,  Siléste e muitas outras. Cada qual da sua maneira, bandas e pessoas nos influenciaram a soar como soamos hoje e desde que entramos em estúdio o objetivo foi: soar “ao vivo”.

MI – Esse é o segundo registro da The Snow Twins, de que maneira percebem as mudanças que o tempo impôs a vocês nesse período de gravações?

The Snow Twins: Existe um fato muito relevante a ser citado aqui: o álbum foi gravado, mixado e masterizado exatamente no mesmo estúdio e pela mesma pessoa que o fez no EP. E o resultado é absurdamente diferente! Após alguns anos com o EP circulando por aí fomos nos dando conta, tocando ao vivo e conhecendo pessoas e bandas, que gostávamos de soar mais sujos que o primeiro registro de estúdio. Tendo isso em vista entramos em estúdio muito mais decididos de como queríamos (ou ao menos de como não queríamos) soar. o Diego Voges do Estúdio UFO de Capão da Canoa atendeu a todos nossas solicitações e durante a mixagem (a parte mais demorada de todo o processo do álbum) trocamos muitas ideias até chegar na sonoridade final. Pra quem acompanha a banda há mais tempo sabe que a principal diferença da sonoridade está no vocal que agora está sempre imerso em delays e reverbs (tanto a voz principal quanto backing vocal) e o theremin também entrou oficialmente. A bateria não é mais “o mínimo” possível assim como as estruturas das músicas deixaram de ser extremamente minimalistas.
Embora o “simples” e o “mínimo” ainda façam parte das composições como elementos não são mais o foco da banda. A ideia é soar enérgico e nos doarmos completamente pra música que estamos executando, seja ao vivo ou em estúdio.
De maneira geral foi muito interessante regravar músicas antigas. Depois de executá-las ao vivo nessa nova formação naturalmente acabaram soando como a banda soa agora e as novas composições estavam em primeiro plano o tempo todo assumindo posição de “modelo” (de sonoridade e timbragem) para o restante.

MI – “Some Action” foi financiado via Crowdfunding, a campanha durou quanto tempo? Como foi a captação das contribuições?

The Snow Twins: Fizemos nosso financiamento coletivo através do site Catarse. Nos inspiramos no financiamento da Musa Híbrida feito nessa mesma plataforma. Demos nosso toque visual com as ilustrações digitais da baterista Clarissa Pinto. Ficamos muito felizes e surpresos com a participação dos contribuintes. Ainda não entregamos todas as recompensas da campanha, mas agora já estamos com praticamente todos produtos finalizados (curtimos muito a ideia do DIY e com exceção do álbum em si praticamente todo resto é produzido por nós direta ou indiretamente: camisetas, ilustrações, cerveja, etc.)

MI – Uma parada instigante são as bexigas da capa, causando um mistério de maneira sombria. O que há por trás disso?

The Snow Twins: Ficamos surpresos com essa tua percepção do “sombrio” dessa ideia, Cainan! Inicialmente as cores, cujo elemento escolhido pra compor a capa foram balões, foram introduzidas pra contrapor com a ideia antiga do minimalismo monocromático. Além das cores, eles também trazem consigo uma ideia festiva e divertida. E é bem isso que a banda significa pra nós: a gente se diverte e doa toda energia pra coisa acontecer. Voltando à tua reação, nos chamou a atenção pelo fato de haver, dentro das letras, muitos temas pesados (e sombrios) que de uma forma estão também ilustrados pelo fator “mistério” na capa. Embora poucas pessoas ainda tenham visto, foste o primeiro a comentar isso conosco. Massa demais! A ideia inicial com balões foi dada pela Clarissa e jogamos pra Lawrin Ritter e Ed Oliveira, ambos fotógrafos do coletivo Colarte de Tramandaí, que executaram dando o toque deles.

MI – A The Snow Twins é parceira do selo Ué Discos, comentem como funciona a parceria de vocês.

The Snow Twins: É uma história curiosa! Desde o lançamento da primeira demo e após isso o EP. O Marcus Manzoni, responsável pelo selo, nos contatou via Soundcloud e desde 2013 trocamos mensagens e ideias musicais. Anos depois reatamos contato mais efetivamente e em 2016 fomos conhecer essa criatura pessoalmente. Com os planos da Snow voltar a ativa e o financiamento coletivo já em andamento nos tornamos parte do cast oficial da Ué. A experiência de trabalhar com a Ué Discos é incrível porque existe um senso de coletividade muito confortável e amigável. Além da distribuição física que vamos ter com eles também contamos com divulgação e assessoria especializada.

MI – O show de lançamento acontece em Porto Alegre dia 30, o que estão preparando para esta apresentação?

The Snow Twins: O que estamos pensando em fazer ao vivo vamos manter segredo e convidar quem está lendo essa entrevista pra aparecer lá e conferir ao vivo! Mas já adiantamos que as duas bandas parceiras que estão fazendo esse rolê com a gente são confirmadíssimas e de altíssimo nível (Ziggy Ama Tom e Paquetá). Vai ser muito divertido lançar e festejar com a galera que está do nosso lado desde sempre. E lá no Oculto levarmos a nossa nova lojinha de merchan oficial com o disco físico pela primeira vez!

MI – Por falar em show, recentemente vocês foram confirmados como atração do festival Morrostock, como está a expectativa/ansiedade pra esse rolê?

The Snow Twins: SIM! Ficamos muito mas muito felizes com a notícia e com o fato de estarmos representando a região litoral norte aqui do RS nesse festival! Não conheço uma banda autoral que nunca tenha dito que sempre quis tocar lá e obviamente não somos diferentes. Além disso várias bandas parceiras que dividimos palco e também bandas que admiramos estarão lá então será um grande prazer fazer parte do rolê todo. Até dezembro ainda tem muita coisa pra rolar mas com certeza vamos fechar o ano com chave de ouro: voltando à ativa, lançando álbum e tocando no Morrostock!

MI – Vocês tem planos de fazer uma tour pelo país?

The Snow Twins: Voltamos essa semana do Distrito Federal na nossa segunda mini-tour por lá e embora ainda não tenhamos nada concreto marcado é o que estamos planejando fazer pra dar continuidade ao lançamento do álbum. Provavelmente iremos circular dentro do estado primeiro pra depois dar esse giro mas só o tempo dirá como as coisas vão acontecer! Nossa relação com outros estados se dá também através da plataforma interestadual Vai Tomar no Cover (originalmente de Brasília), cuja coordenação aqui no Rio Grande do Sul está em nossas mãos. Sendo assim nada impede que um convite ou uma tour alheia sirva como um catalisador pra um giro nosso pelo Brasil também!

Faixa a Faixa: The Snow Twins – “Some Action”

Confira o álbum completo listado através do YouTube.

1. Some Action: Sendo essa a faixa que dá nome ao álbum é inevitável citar que carrega em si a síntese do que esse segundo trabalho de estúdio representa pra banda em termos de mudança, nova fase, mistura de influências e resultado final! Já nos chamaram de “banda de rock pilhadeira” e acho que essa música carrega na sua essência o que isso significa pra nós. Tocada no estúdio com o mesmo sangue nos olhos que ao vivo a ideia (que se aplica ao disco todo) foi não economizar na intensidade que as cordas da guitarra foram acertadas e as peles da bateria foram espancadas durante a gravação. Em termos de sonoridade é também a faixa que melhor ilustra a nossa transição entre estilos musicais, começa com uma bateria retona e guitarra alternando entre power chord abafado com altos e baixos de fuzz e logo em seguida a bateria surf assume juntamente com a melodia grudenta do refrão.

A letra reporta a sensação que ficamos com esse novo trabalho: “this time I’m waiting for some action” e durante o último minuto da música quando a fuzz pesa com oitavador e a bateria alterna quebradinhas estratégicas é hora da galera invadir o palco e dividir conosco essa sensação energética de tocar e participar do que curtimos fazer. Na versão de estúdio o theremin ficou de fora no final da faixa mas ao vivo é o momento tradicional do público tocar com a gente. Merecidamente primeira faixa do álbum e por esse motivo dá nome a ele!

2. Amnesia: “Festa Jovem” é a essência dessa faixa que mais uma vez reforça toda energia e gás que todas essas cores e balões ilustram visualmente no álbum novo. A letra foi inicialmente pensada como um diálogo entre duas pessoas que adentram, uma em cada extremidade, um labirinto e cantam sobre o fato de estarem (possivelmente) se aproximando um do outro ao percorrer corredores misteriosos e que ao mesmo tempo não os deixam cientes da real distância que os separam e por isso comentam sobre as vozes que ouvem sem saber ao certo se são reais. O clima da música, de qualquer maneira, é super pra cima e feito pra cantar junto!

3. Pawn Shop Killer: Uma curiosidade é que esse era o nome da banda até nos darmos conta que as pessoas que não soubessem a pronúncia exata acabariam zoando com o nome e tiraria todo foco do climão que esse nome incita (risos). Voltou como nome de música! Após a contagem propositalmente carregada de delay na voz, entra rasgando com um riff totalmente mal intencionado e maldoso que alterna com uma guitarra surf limpona twang que sobrepõe-se em si mesma com oitavadores e culmina num clima festa mais uma vez e transita nesses diferentes moods durante a faixa. O disco todo foi gravado sem metrônomo mas essa faixa em especial tem 3 mudanças de tempo todas seguradas no feeling e na coragem de executar a coisa da maneira mais crua e ao vivo possível! Vocais dobrados por mim e Clarissa chamam a galera pra participar de novo e a letra descreve algo que possivelmente se refere a um “umbiguismo” exacerbado cuja aversão é transmitida através dessas mudanças de mood e tempo.

4. Bianco Fuzz: Com os dois pés no peito! Essa faixa é o supra sumo do que gravar sem metrônomo em um estúdio pode ser e trazer como experiência. Alterna entre as partes onde a guitarra e bateria habitam as ondas e outra a voz, carregada de efeitos soando junto com microfonias e contagens nervosas para um próximo verso. Nessa faixa o oitavador foi deixado de fora e só a garageira lo-fi consequente e inconsequente de acordes arrastados pelo braço da guitarra fazem parte da obra. Rápida e rasteira a letra foi concebida de última hora fazendo referência e sátira com o fato da previsibilidade da sequência sendo executada.

5. You Can’t Deny: Você não pode negar que essa é a faixa mais pop, grudenta, apelativa e radiofônica do álbum! Embora carregue esse aspecto popular e dançante a letra pesa ao descrever a falta de comunicação e/ou conexão entre duas pessoas cuja relação deteriorou-se a ponto de não ser mais possível distinguir a convivência do comodismo e da falta de interesse que habita essa relação. Os backing vocals ilustram o dualismo desinteressado ilustrado na letra.

6. From Above: Abrupta e esquisita! Essa faixa foi umas daquelas que ao finalizar a pré-produção a gente ficou tipo: é isso? Mas a ideia da mudança radical de tempo casa perfeitamente com a vibe esquisitona e complementa a letra mais esquisita ainda sobre afogamento e o desespero que ele causa a uma vítima. Fica no ar se é cantada pela vítima ou pelo afogador. A inversão de ritmos e tempos incita diferentes momentos desse incidente mas deixamos para os ouvintes interpretarem como quiserem. O engraçado é que os temas sombrios pras letras nem sempre são premeditados mas na produção individual das faixas acabam aparecendo. O final dessa faixa tem uma “quebrada” pesadíssima que juntamente com a faixa “Some Action” e “What If” formam uma tríade patrola desse disco.

7. Shark Attack: Conforme o título sugere chegamos aqui ao surrrrf feelings do álbum e da banda. Com influências obviamente mais praianas nessa faixa as mudanças de tempo, ritmo e oitavadores continuam presentes e a mistura resulta nessa faixa cuja letra trata de um amadurecimento e uma consequente tomada de decisão. Nessa faixa o terceiro integrante do duo se faz presente de maneira mais evidente! Nosso querido theremin atuando em primeiro plano no final da faixa é a cerejinha do cupcake de mistureba musical. Os backing vocals da Clarissa dão um toque de suavidade durante os versos da faixa que contrapõem o restante do instrumental tocado com muita vontade!

8. What If: Em termos de composição essa é a faixa mais complexa do álbum. Mas pra um duo minimalista complexo nada mais é que algumas paradinhas planejadas e batidas no contratempo. Na pré-produção simplesmente juntamos três ideias diferentes e foi feita a colcha de retalhos What If. Nessa faixa a gente abusou do peso que o oitavador na guitarra proporciona e do theremin atuando na linha de frente pra coisa ficar agressiva e grave. A letra desenrola um monólogo todo segmentado por orações condicionais como se a pressuposição de respostas e reações desse continuidade ao “diálogo”. Por outro lado a melodia feliz e pra cima do refrão acrescenta o elemento “deixa estar” que comumente existe em relacionamentos desse tipo. Adoro a maneira como o delay da voz “sobra” no final de cada parada abrupta não só nessa como em todas faixas, mas nessa deixa um clima de cliffhanger muito massa assim como o diálogo na letra e nas vozes alternadas na última parte da música.

9. Over The Line: ​Assim como “Amnesia” essa faixa foi importada do primeiro EP da banda e repaginada com a atual pegada e sonoridade do duo. O massa dela sempre foi a diferença gritante de surfzinho-festa pra guitarra-grotescamente-grave-tipo-trator e essa oposição acontecendo durante a faixa. Mais uma vez a falta de comunicação ou a maneira ineficiente que essa acontece entre pessoas torna-se tema da letra e as mudanças de mood ilustram as diferentes abordagens sobre o mesmo tema. Novamente deixamos pra subjetividade do ouvinte criar o contexto.

10. Get Away: A rítmica robótica e travada dessa música é o elemento mais marcante e como já era de se esperar um segundo mood na música é exatamente o oposto: alongado e mais fluído. Na gravação das guitarras dá pra ouvir direitinho o quanto a vontade de tocar o mais ao vivo possível ficou evidente: no final da faixa dá pra ouvir uma desafinação lindona na guitarra toda que acabou com duas cordas a menos. O fuzz come solto e a Clarissa solta o braço na bateria. Novamente os vocais dialogam como na faixa “What If” e montam de fato o que a letra sugere: um diálogo pré partida.

11. Multicolored Lies: O que acontece se juntar muito fuzz + bateria pegada + vocais swingado hip hop + backing vocals femininos + sotaque britânico? Multicolored Lies! Importada também do primeiro EP, ela ficou mais enxuta e compacta indo direto ao ponto e dando no meio. A letra descreve de maneira metafórica os feitos de uma figura feminina e suas aventuras por um ambiente de jogatina. As influências pra chegar a tal resultado transitam desde os imaginários de Twins Peaks até camadas de oitavador com fuzz de bandas de Stoner. Novamente: mistureba! No final das contas, nessa nova versão ela ficou muito fluída e extremamente divertida de executar! Fluidez essa que só é possível porque a Clarissa assumiu os vocais do refrão e dá um momento de fôlego pra mim. Mesmo sem ter planejado o elemento “multicolor” caiu dentro desse novo álbum que tem como elemento principal as cores.

12. You: Eu e a Clarissa chegamos a ter um projeto chamado Cafeína Cítrica antes de reativarmos a Snow e essa música vem de lá: devidamente registrada bonitinha. Saindo um pouco do padrão rápido e rasteiro essa faixa é um pouco mais arrastada mas continua trabalhando com os mesmo elementos do restante do álbum inclusive com um “solo” do theremin muito massa. A temática da faixa “You” (palavra que nem está na letra) é exatamente atacar o ouvinte com uma descrição de egoísmo e indiferença que as pessoas costumam ter em relação ao mundo e ao outro. O vocal da Clarissa está presente em primeiro plano e embora o andamento seja mais lento, fuzz e oitavador estão presentes pra fazer a zoeira acontecer.

13. Baby’s Gone: Importada do EP essa é uma faixa que sempre causa estranheza nas primeiras audições do povo. Ela é toda travada e fluída ao mesmo tempo deixando umas lacunas que deixam o ouvinte num lapso super rápido de não saber o que vem a seguir. A sonoridade da guitarra tá sujona e bem direta. Nessa faixa não tem espaço pra oitavador nem theremin mas tem um berro lá na segunda e última parte que foi completamente aleatório e espontâneo na gravação das vozes que por si só preencheu a lacuna de esquisitices que cada faixa parece precisar ter.

14. Why: Muita meia lua e técnicas acrobáticas (com baqueta na boca e meia lua na mão) pra executar essa faixa. Novamente importada da Cafeína Cítrica a velocidade da execução é menor mas os elementos vocais e diferentões tomam lugar do garage rock festivo e deixam brecha pra uma coisa mais arrastada enquanto a letra é uma declaração repetitiva de idolatria desmedida e insistente que parece não ter um motivo aparente. O oitavador pulsante que dá o clima pra música e transforma basicamente duas notas em uma música inteira.

15. Yeah: Odisséia no espaço/invasão alienígena/clima pós apocalíptico Mad Max? Seja o que for que dá essa sonoridade “cenas de ação” a letra trata de um monólogo sobre fugir de casa e logo em seguida a continuidade desse monólogo sobre estar longe de casa pós-fuga e arrependimento. O sincronismo da guitarra e bateria dão uma energia muito massa pra faixa enquanto o vocal desesperador carregado de delay retrata esse clima de insatisfação com o comodismo. Lá pelas tantas tem uma parada completamente aleatória e sem planejamento que ainda vai gerar um clipe muito louco. É uma faixa cheia de exageros sistemáticos que causam uma sensação de euforia.

16. Jet Set Go: ​Como fazer a primeira faixa do Ep e das aberturas de show soar diferente nesse álbum? Cowbell foi acrescentado nas paradas, theremin enfeita os barulhos oitavados e a sonoridade da guitarra engordou muito. Essa faixa soa praticamente como uma aula de Inglês pra quem ouve a primeira vez e de fato não há letra alguma além do título da faixa sendo soletrado e depois cantado sem que uma tradução ou sentido algum precise existir para que a voz seja usada como parte melódica da composição. Ela é e permanece tendo o clima intro e pilhadeira pra galera entrar no clima mas aqui foi empurrada lá pro fim do disco para ser intro apenas da “Armadillo” e não do álbum todo.​ Os vocais da Clarissa gritando “go!”  também acrescentam mais energia pra faixa e complementam a mudança abrupta de ritmo. Curiosidade da faixa: ela foi feita pra ser a “música de passar som” e muita gente simpatizou demais e gosta dela como música.

17. Armadillo: Durante o financiamento coletivo anunciamos que o álbum se chamaria “Armadillo” mas durante a produção dele decidimos não bater na mesma tecla e por esse motivo o “Some Action” tomou lugar. Essa faixa é extremamente sangue no olho e tudo soa exagerado e agressivo com uma parada muito inesperada onde só vocal e bateria ocupam as ondas. Armadillo teve o título inspirado em Red Dead Redemption e todo aquele clima desértico texano que é complementado também pela imagem do tatu e sua carapaça cuja referência metafórica para uma armadura social vestida pelas pessoas está presente na letra. Clarissa acrescentou vocais dobrados pra deixar a coisa ainda mais enérgica e usamos ela pra encerrar o álbum em grande estilo e deixar um gostinho de quero mais.

Confira a do página do Vai Tomar No Cover.

Confira o making of da foto da capa aqui.

Confira outros faixa-a-faixa: ABC LoveCalvin Voichicoski, A Olívia e Macaco Bong.

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