Entrevista + Faixa-a-Faixa: ABC Love e o Álbum do Prazer

A banda misteriosa ABC Love acaba de lançar seu primeiro disco, conversamos com eles. Confira.

Imagem: Divulgação.

A ABC Love acaba de lançar o seu primeiro disco, o sexy (sem medo de ser vulgar) “ABC Love e o Álbum do Prazer” cria um canal de conversa entre o imaginário coletivo, um senhor de 70 anos que se esconde atrás de suas velhice para falar sobre tesão, prazer e amor em músicas com sonoridade completamente alternativa.

Conversamos com Gevard DuLove, a figura principal por trás do ABC Love, ele falou, com exclusividade ao MI, sobre a criação do disco, a parceria com o Balaclava Records também entrou pra pauta, isso sem falar no faixa a faixa, comentando todas as músicas do disco.

Confira agora:

MI – Fala, Gevard! Tudo bem? Legal poder conversar contigo sobre o disco de estreia do ABC Love, que tal começar a entrevista justamente falando sobre o processo de composição do álbum? Conta pra gente quais foram os desafios, as curiosidades e peculiaridades que envolveram a concepção do “ABC Love e o Álbum do Prazer”?

Gevard DuLove: Muito bom conversar com vocês também MT, sempre bom poder contar mais de quem sou eu e o abc.

No passado toquei em outras bandas e trabalhar com mais pessoas é bom por muitos lados, mas também a democracia faz com que uma ideia essencialmente boa perca sua força depois de todos darem seu toque. O ABC nasceu da necessidade de algo com uma cara, então decidi encabeçar sozinho. Vi do que queria falar e em que forma isso seria. Juntei minhas paixões, levei minhas coisas pra uma casa no interior do Rio de Janeiro e gravei quase tudo lá. Acabei também fazendo a mix do disco por estar tão claro do rumo que queria pro som.
Rolaram algumas participações, as baterias, flautas, algumas teclas e 3 guitarras foram de parceiros nessa empreitada.

MI – O álbum sai pelo Balaclava Records, como funciona a parceria de vocês?

Gevard DuLove: Fui no breve e encontrei um dos meninos, o Rafael, faz uns 3 meses. Tomamos um gin e deixei o disco pra ele. Logo na semana ele me respondeu, disse que tinha mostrado pro seu parceiro e se interessavam em lançar. De lá pra cá foi só encaixar na agenda deles. Espero que role uma longa história do ABC com a Balaclava.

MI – No disco algumas músicas são instrumentais, outras não. Em alguns momentos conseguimos ouvir perfeitamente sua voz, em outros fica bem inaudível. Essa mistura foi algo feito para ter algum significado?

Gevard DuLove: A busca foi sempre por algo novo. Existem artistas que você vê claramente quais são as referências musicais, alguns até parecem cópia de bandas de fora, outros são monótonos e não trazem nada de novo. Acho ok, mas nunca foi algo que busquei. A ideia do abc sempre foi de ampliar a linguagem, explorar a forma, sair do convencional pra tentar chegar em algo diferente, e esse diferente as vezes é algo estranho. Mas mesmo com todo esse experimento, sinto que a banda chegou em uma identidade forte e boa de se ouvir.

MI – Uma temática muito usada na ABC Love é o amor, o desejo e a sedução. Você acha que as pessoas tem medo da libido?

Gevard DuLove: Dizer que as pessoas têm medo da libido é muito geral. Acho que muitas vezes existe culpa demais, ainda mais com todo politicamente correto em jogo. Pra mim isso não ajuda ninguém. Se você é gay tem que falar explorar sua sexualidade no seu universo, com respeito é claro, mas não pode se fechar no armário e fingir pro mundo que você gosta do que todo mundo gosta. Agora, um homem hetero para falar de sua sexualidade, de seus desejos, pode ser polêmico. Mas acho que não. Todos temos que ter liberdade, falar sem culpa sobre isso, a ignorância não leva a nada. Claro que a forma e o lugar são essenciais pra ser feito com respeito. Mas o momento é propricio para falarmos sobre o que quer que seja e sinto que o ABC é essencial pra cena. Todos nós precisamos de fantasias.. até das mais bizarras.

MI – Recentemente você completou 70 anos, a idade é algo que pode te estigmar como “vovô tarado” ou algo do tipo. Você já teve que lidar com rótulos/fobias desse tipo?

Gevard DuLove: Vovô tarado realmente não é o que quero passar. A carcaça do velho nada mais é que quebrar o estereótipo de sexy para falar de sexy. Todos precisamos de personagens pra realizar fantasias, é mais por ai.

MI – Sobre as apresentações ao vivo, fale sobre o que vocês estão preparando para apresentar no show de lançamento do disco.

Gevard DuLove: A noite será especial, sem dúvida. Quando gravei, fiz quase tudo sozinho, mas quando a banda se formou tudo ganhou mais vida. As músicas estão com uma energia fortíssima ao vivo, todas as faixas do disco estarão presentes de alguma forma, algumas das instrumentais também ganham voz no show.

Faixa-a-Faixa: “ABC Love e o Álbum do Prazer”

Convidamos Gevard para comentar sobre todas as músicas do disco “ABC Love e o Álbum do Prazer”, agora você confere algumas curiosidades e peculiaridades de todas as faixas sob a visão de seu próprio criador.

Imagem: Divulgação.

1 – “Quem é Você?”: Música de abertura. A busca por quem sou eu, se entender o que é essa trip da carne? Do sentir(ouvir, ver, ser)? E dessas perguntas, parte pela busca… em principal, a busca pelo prazer, por atender os desejos, vai ver o que há fora, para tentar se conhecer..

2 – “Noite Quente”: O ser instigado pelo prazer, sedução, investigando o outro o olhar misterioso, o contorno, o toque, a dança, o movimento do outro.

3 – “Carne Viva”: A segunda noite quente agora mais em busca de quebrar as barreiras, os tabus, não se limita no trivial, chupa a carne, lambe feridas, experimenta outros prazeres, escuros, a primeira dose da líbido escura (que volta mais intensa no fim) não escuta a razão e se deixa levar pelo instinto, peo acaso (ecouté la chance).

4 – “Paja”:  Primeira pausa uma musica sorrateira, baixa, a harmonia fica na mesma, desgasta, as mesmas notas, não evolui a cadência, insiste no movimento continuo até sua erupção final sem chegar em lugar nenhum. Uma punheta, como sua tradução.

5 – “La Petite Étoile”: A Canção mais romântica do álbum, começa com uma ligação de telefone que funciona como um flashback. E depois canta sobre 20 minutos de troca entre dois corpos, cada vez mais perto, cada vez mais forte.

Imagem: Divulgação.

6 – “Kinky”: Uma cena, um flerte, um ataque.

7 – “Modèle”: Inspirado em textos do cineasta Robert Bresson que falam sobre o ser plasticamente perfeito.  Um(a) modelo. Fala da beleza, das formas, dos movimentos perfeitos e automáticos que só um modelo tem, que não precisam ser pensados,torneados, perfeitos, são sensualmente naturais.

8 – “Caminhos do Prazer”: 2a pausa do discurso uma trilha pra se curtir na cama na fricção, nos caminhos do prazer.. a harmonia desenvolve mas é ciclica, o fade final sugere que a canção não acaba ali.

9 – “Libido Escura”: 3a pausa do discurso. O título da música já diz, ela explora o lado escuro do amor. Com gemidos e sussurros que normalmente só são ditos ao pé da orelha, sugere a busca desse prazer excêntrico.

10 – “Epifanias”: É o final do ciclo. O reencontro, o descobrimento do personagem com ele mesmo. A pergunta “quem é você?” e a busca exterior encontra sua resposta, “tinha de estar em mim”. O olhar volta pra dentro.

Ouça agora: ABC Love e o Álbum do Prazer

Serviço:

Show de lançamento de ABC Love e o Álbum do Prazer”;
Data: 16/09 (Sábado);
Local: Estúdio Lâmina;
Preço: R$ 15,00;
Horário: 23H.

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