EXCLUSIVO: Confira entrevista de Lucas Silveira, da Fresno, sobre a vida e a música

EXCLUSIVO: Confira entrevista de Lucas Silveira, da Fresno, sobre a vida e a música

Quarentena, vivências pessoais e o segredo para a longevidade de uma banda. Confira a entrevista exclusiva de Lucas Silveira, da Fresno

Para muitos, a era emo já se foi há um bom tempo, mas apesar da queda de bandas do gênero no mercado da música, a Fresno continua viva, firme e forte. Inclusive, nesse momento de pandemia, com a explosão das lives musicais, a #QuarentEMO, transmitida do home studio do vocalista Lucas Silveira, um dos fundadores da Fresno, foi uma das mais apresentações mais marcantes para a música nacional. E quem diria que, sem querer, a banda iria se preparar para a quarentena antes mesmo de surgir a contaminação humana pelo vírus?

Sobre isso, a banda, as angústias pessoais e as experiências vividas durante mais de 20 anos de carreira, Lucas conversou com Fabiane Pereira, apresentadora do canal Papo de Música, no YouTube. O Minuto Indie recebeu o material, em primeira mão, e por isso você pode conferir aqui quais foram os principais assuntos conversados nessa entrevista.

Entrevista de Lucas Silveira (Fresno) para o canal Papo de Música

Sem saberem o que estaria por vir, os músicos da Fresno se prepararam para a quarentena. No ano passado, a banda fez poucos shows e focou em produção de lançamentos, como clipes, singles e o disco novo. Para Lucas, esse momento de pandemia não foi tão ruim para eles, como está sendo para os artistas que vivem de shows. Todos, inclusive, precisaram se adaptar às lives, uma forma de interação com o público que veio à tona agora, mas que há muito tempo, já existia como um encontro intimista entre ídolos e fãs.

Lucas Silveira conta que o alcance de público da #QuarentEMO foi uma surpresa grande para a Fresno, já que a quantidade de visualizações foi muito maior do que eles esperariam em um dia de lançamento de clipe, por exemplo. Até quando a gente tava tentando vender algum patrocínio, alguma coisa, a gente tava preparado pra ver 15 mil pessoas assistindo, mas quando eu vi que a live chegou a bater em 80, 100 mil pessoas simultâneas, e ao final dela, tinha mais 1 milhão de views… o que a gente jamais sonhava em ver“, disse Lucas. 

Quem acompanha o trabalho da banda sabe que a interação entre eles e quem os acompanha é bem ativa. O Lucas, por exemplo, sempre publica vídeos e conteúdos de sua vida pessoal, de forma que os fãs se sentem próximos dele. Essa não é uma fase que veio motivada, unicamente, pela quarentena, porque para ele, a internet sempre foi uma oportunidade para abrir os horizontes e alcançar mais pessoas que, às vezes, não tem acesso a um encontro presencial: No mundo offline, a gente tem todas as limitações aéreas, econômicas, do palco, de fazer o show acontecer, a limitação do público de comprar um ingresso… quem é que tem 50 reais pra ir num show?“.

A bate-papo com a Fabi, no Papo de Música, também foi uma oportunidade de lembrar como o estereótipo foi um dos grandes obstáculos do movimento emo. Lucas lembra que até a grande mídia reconheceu as bandas dessa geração como uma febre adolescente, mas o problema é que a visão da grande maioria em relação ao emo era ligada à homossexualidade, de uma maneira pejorativaTudo que a gente acumulou de haters na internet era sempre com essa pauta. Tipo: ‘isso aí não é coisa de homem. Olha esse homem aí cantando desse jeito, esse cara é bicha!‘”, recorda.

A Fresno é uma grande referência atual que sobreviveu com o passar do tempo. Apesar dos fracassos no universo da música comercial, eles nunca tiveram o sentimento de que o que o trabalho que faziam não era bom. Para Lucas, a história da banda continua a ser construída porque eles entenderam a importância de reconhecer e valorizar o público como ele é: Tu compra views, compra espaço em rádio, compra tudo. Mas esse apego que é o que vai te fazer ter longevidade é um negócio que vai construindo“.

“Um dia, um cara perguntou no Twitter, tipo assim: ‘como é que vocês explicam como vocês estão aí há tanto tempo?’, aí eu falei: ‘cara, a gente nunca fez sucesso suficiente pra parar de dar valor às conquistas'” – Lucas Silveira

Como produtor, Lucas Silveira já colaborou com artistas como Manu Gavassi, em seu EP ‘CUTE BUT (Still PSYCHO)‘. Para ele, uma boa parceria só existe a partir da valorização do discurso do artista, porque o que ele canta precisa convencer o público, e para isso, ele precisa acreditar na mensagem que transmite. Na sua visão, o segredo de viver no mundo das artes, é fazer o que gosta sem esperar receber algo em troca, sendo honesto em relação às suas expectativas.

Na entrevista, também rolou palinha de funk anos 90 no violão, Caetano e Gonzaga (em homenagem à terra natal de Lucas, o Ceará). O bate-papo completo você confere no canal Papo de Música, no YouTube:

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Sabryna Moreno

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