Discografia Comentada: Arctic Monkeys (2006-2013)

Todos os discos de estúdio que a banda Arctic Monkeys divulgou entre 2006 e 2013 com curiosidades e os comentários mais sinceros e pessoais. Confira.

Ah, o Arctic Monkeys. Talvez uma das bandas com maior popularidade da minha geração, agora é ainda mais idolatrada por jovens que anseiam pelo retorno triunfal da banda, que desde 2013 não lança nada de novo. Eles começaram em 2002, na cidade de Sheffield, na Inglaterra. De lá pra cá já tocaram em diversos países e, por onde passaram, arrastaram multidões desesperadas e esbaforidas para curtir o tal indie rock que eles popularizaram.

Contemporâneos de bandas como Franz Ferdinand e The Strokes o Arctic Monkeys lançou, até o momento que escrevi esse texto, cinco álbuns de estúdio. É sobre eles que vamos falar hoje, sei que muitos leitores do site conhecem até os singles mais obscuros, eu também, mas a discografia de fato são os álbuns finais, lembrando que essas opiniões são totalmente pessoais e que, toda a equipe do MI, quer saber também qual a sua opinião sobre os discos da banda.

Vamos lá:

“Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” (2006)

Arctic Monkeys – Capa do disco “Whatever People Say i am That’s What i’m Not”

Quando o Arctic Monkeys lançou seu disco de estreia já tinha no mínimo quatro anos de experiência e um público relativamente grande. Eles vinham de uma época pré-internet e não tinha essa de ficar divulgando EP’s todo ano (uma maneira que artistas encontraram de experimentar seu trabalho e sentir como o público responde). Então é chegada a hora do grupo, que se reunia numa garagem para tocar, resolver gravar algumas cópias de CD. Eles fizeram isso e sairam distribuindo entre amigos, logo os amigos entregaram para outros amigos e assim por diante.

Em pouco tempo muitas pessoas já conheciam o som dos caras, os fãs chegaram a criar um perfil “fake” no MySpace (uma plataforma comum utilizada para divulgar músicas independentes). Quando enfim eles chamaram atenção da gravadora Domino Records e começaram a gravação do disco “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”.

Esse disco começa impactante já na capa, a banda mostraria um gosto visual mais elaborado nos próximos registros, mas uma análise rápida da sonoridade + letras e capa deixa claro que o rapaz na capa, um amigo pessoal da banda, está recém acordado de uma noitada quente e agora tenta se recuperar da ressaca que lhe abate, o cigarro sendo tragado mostra apenas que este não é um habito que lhe traz coisas boas.

Guitarras rápidas, baterias desesperadas e alguns efeitos de bom gosto duvidoso na voz são algumas das características que marcam essa primeira fase da banda, as boas letras sobre conflitos adolescentes do jovem carismático Alex Turner também ganham importância e despontam o disco que rapidamente bateu records de venda e chamou atenção de forma positiva de toda a crítica especializada.

“Favourite Worst Nightmare” (2007)

Arctic Monkeys – Capa do disco “Favourite Worst Nightmare”.

Se para gravar o primeiro disco a banda demorou mais ou menos quatro discos, pro seguindo o intervalo foi o menor de toda a carreira. Talvez para aproveitar a euforia que se criava com as turnês que começavam a ficar cada vez mais e mais constantes e assim aumentar o repertório das apresentações, talvez não, fosse mesmo uma boa fase de composições mesmo.

Carregado de hits, que hoje minha geração já pode considerar como flashback de um período permeado de descobrimentos pós-adolescentes, dentre eles a vida noturna, os prazeres, as tretas, a independência e o tal rock alternativo jovem.

A banda simplesmente exibe o dedo do meio ao mito do segundo disco, momento que muito se cobra uma continuidade do sucesso produzido no primeiro lançamento, eles não só fizeram um bom segundo registro, como mostraram ainda ter muito café no bule gravando um álbum tão maduro em tão pouco tempo de diferença.

Na sonoridade algumas mudanças são notáveis, os desesperos e efeitos  de voz dão lugar a um mapa de músicas pensadas, onde cada faixa tem sua singularidade e toda essa conversa dá luz a um disco plural, sentimental e emergente. Um representante jovem que nunca mais se ouvir falar. Deste disco saiu o hit que ainda é um cartão de visita: “Fluorescent Adolescent”.

“Humbug” (2009)

Arctic Monkeys – Capa do disco “Humbug”.

Mais dois aninhos tocando em shows cada vez mais cheios e mostrando ao mundo o indie rock em sua essência/ fase primal e o Artic Monkeys divulga aquele, que na minha opinião é seu melhor disco. “Humbug” foi produzido e fortemente influenciado por Josh Homme (frontman do Queens of the Stone Age).

As belas composições de Alex agora já estão com mais caras de adultas (você também tem a sensação de que o Netflix poderia fazer uma série no estilo Skins só com trilha sonora do Arctic Monkeys?). O peso nas guitarras salta aos ouvidos nas primeiras quatro músicas, o que te deixa imaginar que vai ser um disco de rock ‘n’ roll, mas, quando a melancolia já característica da banda, ressurge mostra a real identidade do disco.

Nem toda surpresa é grata, nem toda experimentação é bem vista. Mas aqui todo mundo adorou, quem abrir a boca para falar alguma coisa desse disco sabe que pode ser apedrejado em praça pública e que ninguém, exceto algum outro chato, vai defender.

Uma curiosidade legal sobre esse disco é a que a banda estava também altamente influenciada por discos do Beatles. Será que essa áurea dos ídolos abençoou o disco e de fato o colocou em um lugar de destaca na carreira da banda? Fato é, “Humbug” é um novo começo para o Arctic Monkeys.

“Suck It and See” (2011)

Arctic Monkeys – Capa do disco “Suck It and See”.

Em 2011 virou moda dar hate no som novo do Arctic Monkeys, principalmente por eles não se renderem aos próprios clichês e apostarem em mudar, mais uma vez. “Suck It And See” apanhou bastante da crítica e, sobretudo, dos fãs mais ferrenhos. Os que queriam mais do mesmo para todo o sempre se decepcionaram com a banda.

Pois é, nem todo tiro é certeiro, alguns saem pela culatra. É o caso de “Suck It and See”, um ponto fora da curva na discografia matadora que o Arctic Monkeys havia consolidado até então. Mas como nem todo ponto fora da curva é sinônimo de algo ruim, os caras conseguiram um disco “experimental”, que prima pelo peso das guitarras, eles também pegaram algumas influencias psicodélicas pra bater junto no liquidificador (e olha no que deu), “Suck It and See” é o que “Humbug” seria sem tamanha influencia de Josh Homme e também a cobrança por um disco excepcional.

Pesquisas de campo (que eu mesmo encomendei, realizei e analisei) indicam que este é primeiro disco cult dos anos 10, agora é só esperar isso maturar um pouquinho mais, deixar no sol por alguns anos e, daqui muito tempo, “The Hellcat Spangled Shalalala” vai tocar em todas as festinhas jovens e eles vão poder falar: “É os caras estavam a frente do tempo!”.

“AM” (2013)

Arctic Monkeys – Capa do disco “AM”.

Você queria um disco pra chamar de melhor @? Pois tá ai, eles fazem também. Pouco antes de, finalmente lançar um disco que a mídia e o público poderiam achar relevante, o Arctic Monkeys usou de uma artimanha que a gente tá acostumado a ver por ai no mundo da música: lançar um single. Assim eles torturaram muita gente que ficava no replay eterno de “R U Mine?”.

Quando o disco finalmente saiu, não só esteve em primeiro lugar em diversas listas, como acabou se tornando o maior de toda a discografia da banda. Aqui eles conseguiram misturar tudo de bom que já tinham produzido antes: composições sentimentais by Alex Turner, riffs melancólicos e sombrios intercalados com o mais bonito rock n roll que eles produziram até então, tudo isso culmina num disco popular, que vende, agrada e escreve, definitivamente, o nome da banda dentre as maiores do planeta.

O que chama a minha atenção nesse disco não é somente a forma como eles reinventaram o próprio som e ditaram, mais uma vez, como as bandas deveriam se comportar. É a cara de pau em investir em sonoridades setentistas como o Soul/R&B e conseguir extrair algo tão moderno e que, por muito tempo, ainda vai ser considerado atual.

Caminhando por aquela ideia de maturidade das composições de Alex, aqui é, logicamente, o ponto adulto da parada. “AM” tem a sua sensualidade a flor da pele, não por coincidência o disco tem faixas sobre temáticas que seu publico inicial talvez estivesse entrando em contato, mas a grande maioria ainda demoraria a compreender, como ligar para a ex quando está bêbado/chapado.

Amado por uns, odiado por outros. “AM” é bom, mas não é cult. Então tá liberado gostar dele e não assumir isso publicamente, pelo contrário. Muito bem arranjado, pensado e gravado o disco mostra uma produção bem feita e não é nada simples, como podem ser definidos alguns momentos dos registros anteriores.

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