Confira os shows que foram destaques do Lollapalooza 2019

Confira, por dia, como foram os melhores shows do Lollapalooza 2019 na opinião dos colaboradores do Minuto Indie

O Lollapalooza 2019 foi repleto de emoções, veja abaixo como foram os shows mais legais que aconteceram nos 3 dias de festival.

Resenha por:

Cainan Willy
Luan Gomes
Maria Luísa Rodrigues
Vitória Catarine
Bianca Tenório

Sexta-feira

The 1975

O The 1975 foi de uma banda que negava o pop a ser apontada como uma das mais interessantes no gênero. Com mais da metade do setlist composto por canções do seu aclamado último álbum, a banda provou fazer jus ao título.

O vocalista Matty Healy parecia encantado com a plateia brasileira apesar de não ser do tipo que fala muito com seu público.

A maioria dos mais apaixonados pela banda eram adolescentes que se encontravam chorando em músicas como Robbers e pulando nas mais dançantes como It’s Not Living If It’s Not With You.

Mesmo o público mais distante, que assistiu ao show sentado, acabou não resistindo aos hits da banda como Somebody Else e The Sound.

Mais pop do que nunca, o The 1975 encanta com coreografias, adereços e cenário mas, principalmente, com seu som.

Arctic Monkeys

Talvez uma das grandes decepções desta edição. Em meio a uma tour apresentando repertório do grandioso e desafiador “Tranquility Base Hotel & Casino” (2018), o Arctic Monkeys chegou ao Lollapalooza Brasil para apresentar um show “mais do mesmo”, e só algumas poucas pílulas de suas novidades, três músicas pra ser mais exato.

O restante do show, com mais de 20 músicas e cerca de duas horas, foi um verdadeiro “remember” fora de hora.

Certamente é sempre um deleite para fãs de todas as eras reviver hits dos discos anteriores ao “Tranquility Base Hotel & Casino”, no entanto o desapego e falta de confiança da banda em seu novo repertório, munidos ainda da notável falta de entusiasmo no palco, transformaram o um show tão esperado, em algo frustrante, mesmo assim ainda notável e um destaque, dado o peso histórico que a banda carrega e o perfeccionismo da apresentação, que mais parecia um DVD já gravado.

Foto: Vitória Catarine

St. Vincent

Outro show cheio de grandes expectativas foi onde St. Vincent.

Anne Clark já era reconhecida como grande artista há tempos, tendo trabalhado com nomes como Sufjan Stevens e David Byrne; porém alcançou seu auge de público e crítica com seu último álbum, ‘Masseducation’ de 2017.

O show teve alguns pontos negativos, como a ausência da banda que a acompanha tradicionalmente nas turnês; porém sua presença de palco misturada a incríveis projeções e uma performance bem teatral, compensaram tal “perda” de som.

Na realidade, as bases pré-gravadas soaram bem orgânicas e casaram perfeitamente com a guitarra e a voz de Anne.

O público cantou praticamente todas as músicas e foi ao delírio quando a artista antes de cantar ‘New York’, trocou algumas palavras de versos da música por referências a cidade de São Paulo.

Seus admiradores foram esperando um show especial, fora do normal, e receberam, Anne soube transformar a atmosfera de seu show numa pista de dança, que envolveu quem viu.

Sábado

Bring Me The Horizon

O Bring Me The Horizon fez um show capaz de nos fazer duvidar que o rock esteja morto.

Sendo uma das primeiras bandas após as duas horas de suspensão do festival por conta das chuvas e risco de raios, eles conseguiram fazer valer a pena a espera em meio ao caos.

Com a setlist composta por músicas a partir de seu quarto álbum de estúdio Sempiternal, a banda mescla faixas mais pop com as que dialogam mais com suas raízes no deathcore e consegue manter o público vidrado em sua performance sem soar desconexo.

O vocalista Oli Sykes estava mais simpático do que na última vinda da banda ao Brasil, em 2016, falando muito em português e sem demonstrar grandes resquícios do problema que teve em suas cordas vocais poucos meses atrás.

O show foi energético, caótico, pesado, hipnótico e exatamente o que precisávamos para catalisar as energias que pairavam no autódromo após a conturbada tarde chuvosa de sábado.

Post Malone

“beerbongs & bentleys” (2018) apresentou o rap / trap / R&B de Post Malone a um publico muito grande, com os singles “Better Now” e “Rockstar”, por exemplo, ele figurou em rádios, recebeu destaque em playlists e viu seu publico aumentar drasticamente.

Como reflexo disso, menos de um ano após o lançamento de seu segundo disco, pudemos assistir ao seu show simples e entusiasmante no Brasil em 2019.

O show foi um misto com seus recentes sucessos e também faixas do disco “Stoney” (2016).

Dentre os destaques da apresentação o fôlego do artista foi algo que chamou mesmo atenção, além claro de seu look que homenageou o Brasil.

Post Malone não hesitou em mostrar toda sua felicidade ao se apresentar pela primeira vez no país, prometendo voltar.

O convidado especial do show, MC Kevin o Chris subiu ao palco e imediatamente Post Malone abriu um belo sorriso.

Kevin o Chris roubou a cena e com apoio da plateia escancarou a necessidade da representatividade funkeira no festival, numa próxima edição será que poderemos destacar um show completo de funk, ou continuaremos tendo acesso apenas através de artistas internacionais?

Domingo

Twenty One Pilots

O Twenty One Pilots esteve no festival há duas edições como uma atração tímida numa tarde, tocando mais para curiosos do que para fãs devotos.

Esse ano eles retornaram e o mar de pessoas vestidas em preto e amarelo (cores da era Trench) provou que poderiam facilmente serem headliners.

Com um show que mistura seus hits radiofônicos, músicas favoritas dos fãs, momento com remix eletrônico com direito a uma dança meio “Segura na Corda do Caranguejo” e canções menos explosivas, o Twenty One Pilots faz um espetáculo diverso e difícil de não agradar.

É impressionante como apenas Josh Dun e Tyler Joseph conseguem manter o palco preenchido diante da multidão que parou para assistir a banda pouco antes de Kendrick Lamar se apresentar.

Foi uma aula de espetáculos de entretenimento.

Foto: Bianca Tenório

Gabriel, O Pensador

O último dia de shows começou bem, mesmo com a sensação de que a qualquer momento poderia acontecer um dilúvio em pleno Autódromo de Interlagos, aos poucos o medo eminente da chuva foi ficando pra trás, um dos responsáveis pelo entardecer mais legal do festival foi Gabriel, o Pensador.

Para entusiastas de protestos políticos, o show começou da melhor forma possível “Tô Feliz (Matei o Presidente)” logo de cara.

Durante a apresentação o tempo fechado se abriu, o sol apareceu pela primeira vez no dia e muitos hits animaram uma platéia  surpreendentemente cheia, todos cantando os clássicos do pensador, como por exemplo “2345MEIA78”, “Cachimbo da Paz”, dentre tantas outras.

Foto: Anna Rosa

LETRUX

A edição de 2019 do festival, foi a que mais teve nomes de artistas nacionais, e um dos destaques foi Letrux.

O projeto solo da cantora Letícia Novais foi uma das primeiras atrações do domingo, trazendo fãs e curiosos ao palco Adidas.

Com a setlist composta pelas canções do disco Em Noite de Climão (2017), a cantora carismática trouxe ao público performances cheias de energia e qualidade que contagiaram a todos, fazendo até quem não conhecia suas letras, dançarem e aplaudirem calorosamente.

Letrux interagiu bastante com a plateia, e assim como outros artistas que já haviam se apresentado nessa edição, se expressou politicamente, consequentemente trazendo a tona mais uma vez um coro contra o atual presidente.

Já chegando ao final do show, Letícia dedicou a música “Que Estrago” a todas as mulheres, sem exceção, defendendo totalmente a identidade de gênero e apoiando a causa contra a transfobia.

Ao final, com o público completamente ligado à artista e suas performances hipnotizantes, Letrux agradeceu a todos os envolvidos a construção dos palcos (dando referência a polêmica em torno do festival sobre trabalho escravo); e a todos ali presentes que estavam apoiando e prestigiando um artista da cena nacional independente, o que é realmente necessário para a valorização musical do país.

Foto: Anna Rosa

IZA

A cantora Iza foi uma das atrações nacionais mais esperadas da edição, trazendo ao palco Adidas na tarde de domingo muita representatividade, questão em que o festival acertou nesse ano.

Em meio aos hits que trouxeram a cantora ao mainstream pop nacional, o repertório foi composto por algumas faixas do álbum Dona de Mim de 2018, e mais quatro covers (sendo eles de James Brown, Lady Gaga, Rihanna e Natiruts); sempre mantendo o ritmo de festa do show, fazendo todo o público dançar e cantar muito junto com ela.

Com ajuda da ótima banda de apoio e dançarinos, Iza com todo seu carisma e potência vocal com certeza foi um destaque no Lolla 2019, onde fez suas performances contagiantes e repleta de representação negra e feminina.

A carioca fez o público que estava ali presente cantar em coro os refrões de seus hits “Ginga”, “Esse Brilho é meu” e o hino empoderado “Dona de Mim”; mas o ponto alto do show foi mesmo com “Pesadão”, música que popularizou Iza com a participação de Marcelo Falcão, que subiu ao palco de surpresa e transformou a festa ainda mais animada.

É inegável que Iza estreou muito bem no festival, mostrando ao que veio e que merece ser um dos nomes mais importantes pra cena pop nacional atualmente.

Kendrick Lamar

Seria esse o show mais esperado do festival? A expectativa em cima da estreia de Kendrick Lamar em palcos brasileiros era grande. Seria com banda?

Por que da não permissão para transmitir o show? Essa e muitas outras perguntas cercavam a apresentação do rapper.

No começo as coisas rolaram meio estranhas como o som meio baixo e a galera demorando pra entrar no clima.

Com o passar do show, o público foi entendendo a dinâmica de palco de Lamar, que imponente, dominava o palco com suas rimas e poses.

O rapper fez sua parte, performou perfeitamente, falou brevemente com a galera, e mostrou que está no seu ague, algo que foi comprovado pelo próprio público, que vibrou mais nos hits de seu último disco, o aclamado ‘Damn’ (destaque para ‘Loyalty’ e ‘Humble’ que definitivamente levantaram o pessoal presente no autódromo de Interlagos).

Ainda assim, o começo do show deixou uma galera meio dispersa, que se deu ao luxo de ficar batendo durante um show de Kendrick Lamar, galera essa que foi embora antes do bis com a música ‘All The Stars’.

Greta Van Fleet

A banda de rock mais falada do ano passado, o Greta Van Fleet subiu ao palco Budweiser, o principal do festival, num horário importante, antes do headliner.

Hype esse justificado pela quantidade de fãs da banda presente no domingo. As incontáveis camisetas da banda se aglomeravam a espera dos garotos de Detroit.

A banda subiu ao palco ovacionada, e a cada riff que iniciava uma música, a a galera ia junto, pulando e cantando a plenos pulmões.

Porém a banda de pouco repertório deu uma boa enrolada ao estender algumas canções em solos e jams injustificavelmente longos.

O vocalista Josh Kiszka foi recíproco a histeria dos fãs, sempre que dava, chamava a galera pro refrões.

Ao mesmo tempo, a apresentação se mostrou a mais fidedigna expressão dos esteriótipos da banda, sendo o principal deles a semelhança com o Led Zeppelin.

E realmente, o baixista que também toca teclado; e as exibições vocais de Josh deixaram bastante essa impressão, o que não necessariamente atrapalhou o show, aliás, havia muitos com camiseta do Led Zeppelin.

Mas enfim um show dentro do esperado, que aumentou sua estima com os fãs e seus aborrecimentos com os críticos.

Interpol

O bom e velho Interpol de sempre.

O visual classudo, sempre vestidos em seus habituais ternos, surge no palco Paul Banks, Sam Fogarino e Daniel Kessler.

Em meio a tímidos sorrisos do vocalista Paul, a banda nova-iorquina Interpol já abre com uma de suas músicas mais famosas C’mere, seguida do mais recente single a melancólica If You Really Love Nothing.

Apesar da maioria do público no palco ônix naquele domingo ser de fãs do Twenty One Pilots, quem queria ver Interpol se espremia em meio aos amarelos, para assistir a um enxuto setlist que passa por quase todos álbuns lançados da banda, como as agitadas Say Hello to The Angels e PDA do Turn on the Bright Lights.

The Rover do mais recente álbum Marauder, as icônicas Evil e Slow Hands, até a canção Fine Mess que fará parte do EP que a banda lançará em maio.

Apesar do pouco tempo de show, mais uma vez o Interpol conseguiu mostrar toda a sua experiência e porque é considerada uma das maiores bandas de indie rock.

Foto: Anna Rosa

Lollapalooza 2019

 

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