Conheça Dante Mantovani, o presidente da Funarte que talvez não goste tanto de arte

Conheça Dante Mantovani, o presidente da Funarte que talvez não goste tanto de arte

O rock incentiva a indústria do aborto. Os Beatles surgiram com o intuito de implantar o sistema comunista. Conheça Dante Mantovani, o novo presidente da Funarte

Na última segunda-feira, 2, o músico Dante Mantovani foi nomeado como o novo presidente da Fundação Nacional de Artes. A Funarte é um orgão governamental vinculado ao Ministério da Cidadania. Segundo seu site, a missão é “incentivar a produção, a prática, o desenvolvimento e a difusão das artes no país“. Na teoria, é a única instituição especializada em trabalhar junto aos “circos, dança e teatro; de música, de concerto, popular e de bandas; e de artes visuais; e também a preservação da memória das artes e a pesquisa na esfera artística“. Entretanto, na prática, essa função social não parece tão relevante para o governo atual.

Além de acreditar que a terra é plana, Dante é graduado em Música, especialista em Filosofia Política e Jurídica, Mestre em Linguística e Doutor em Estudos da Linguagem. Mas o atributo que mais chama a atenção não é seu currículo acadêmico vasto. Ele dedica uma boa parte do seu tempo em seu canal do YouTube, falando sobre música clássica, teatro, a profissão do maestro – e até sobre Olavo de Carvalho, que segundo ele, é um “filósofo de verdade” e não um “filósofo de carteirinha e diploma universitário da USP”.

Antes de ser confirmado, publicamente, que seria presidente da Funarte, Mantovani excluiu suas contas do Instagram, Facebook e Twitter, mantendo-se apenas no YouTube. É claro que o maestro não deixa de abordar questões técnicas e de conhecimento amplo sobre música, mas o que realmente assusta a população que se importa com cultura, é a exposição do novo presidente sobre seus pensamentos políticos e sociais.

Mas afinal, para Dante Mantovani, o que é arte?

Qual a relação entre os Beatles e Adorno?” é um dos vídeos mais comentados da semana. Nele, Mantovani ridiculariza a imagem dos integrantes dos Beatles – e de Elvis Presley – que segundo ele, conseguiram levar gerações a um mal caminho. Supostamente, o filósofo e musicólogo Theodor Adorno – conhecido pela sua contribuição na Escola de Frankfurt e no conceito de Indústria Cultural – teria algo a ver com agentes soviéticos infiltrados na CIA (Agência Central da Inteligência) a fim de”realizar experimentos com certos discos para crianças”, influenciando os jovens ao uso de alucinógenos.

“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo, com o satanás para ter fama, sucesso…”

Presidente da Funarte Dante Mantovani, em seu vídeo “Qual a relação entre os Beatles e Adorno”, publicado no YouTube.

O novo presidente da Funarte ainda lembra do Woodstock, um dos maiores festivais de música da história, afirmando sobre a possibilidade de que “a distribuição em larga escala de LSD” tenha sido feita pela CIA. Além disso, citou mais uma vez os Beatles como responsáveis por “colocar em prática as ideias da Escola de Frankfurt”, na tentativa de afetar a cultura ocidental.

“Na esfera da música popular, vieram os Beatles, para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista”

O que acontece é que grande maioria de quem assistiu, não encontrou o mínimo sentido na “teoria da conspiração” do maestro. Apesar de não ter conseguido entregar um conteúdo considerado como coerente pelos internautas, o vídeo possui 11 minutos e 14 segundos, tempo suficiente para compartilhar uma linha de raciocínio em uma plataforma como o YouTube. Até a publicação desta matéria, a publicação tinha recebido 1,5 mil deslikes e 387 likes.

O que acaba confundindo a cabeça de muita gente é a contradição, aparentemente amiga dos discursos de Dante Mantovani – como quando ele se apresenta como jornalista, mas chama os jornalistas de formação de “sub-intelectuais”. Apesar de ter repudiado, de todas as formas, o rock como uma alternativa de persuadir os jovens para uma suposta imoralidade, o presidente da Funarte decidiu abrir uma pequena exceção à banda Angra – que já não está mais na ativa mas possui uma história de muita contribuição para o metal. “Era uma banda brasileira que tinha grande preocupação com aspectos melódicos, tanto vocais quanto instrumentais, embora o ritmo fosse bastante frenético”, opinou.

Felipe Andreoli, baixista da Angra, decidiu repudiar e descartar o “elogio” de Mantovani.

Outros artistas da música brasileira também se manifestaram.

No Brasil, uma das maiores fundações de apoio e incentivo a artes e manifestações culturais, como a música, é a Funarte. Como será, a partir de agora, com a nomeação do novo presidente do órgão? Mesmo com tantas formações no âmbito acadêmico, é intelecto ou ignorância? Afinal, para Dante Mantovani, o que é arte?

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Sabryna Moreno

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